Os Movimentos Sociais e a Catarse Anárquica: É proibido proibir...

É possível ser analfabeto e não ser analfabeto político? Por quê? É importante participar dos acontecimentos políticos do país? Por quê? De que forma podemos participar dos acontecimentos políticos? Quais as características de um analfabeto político?
Bertold Brecht também disse que “o pior de todos os bandidos é o político vigarista, pilantra...”. Como podemos interpretar essa afirmação do autor?
O que fazer quando ficamos sabendo que um político está agindo desonestamente?
Numa definição básica dessa questão, poderia afirmar que o indivíduo analfabeto é aquele que não consegue identificar o conjunto de letras e regras gramaticais, é o desconhecimento do alfabeto e a incapacidade de ler. 
Dentro dessa perspectiva, existem variáveis como o analfabetismo funcional. Onde o indivíduo consegue identificar as palavras, ler com facilidade, mas não tem a capacidade de interpretar, dar sentido ao que leu. 
Não muito diferente desse conceito, está o analfabeto político. Esse pode se enquadrar nessas definições anteriores e se encaixar num analfabetismo ainda mais nocivo à sociedade.
Exercendo cargos sem ter menor preparo ou conhecimento das leis, cumprimento de direitos e deveres que são garantidos pela constituição. 
Assim, posso começar a expor o que de realmente acontece no nosso país dentro dessa questão. 
O homem como analfabeto em suas várias perspectivas, dentre elas, a que exige mais responsabilidade e é na política onde podemos encontrar maior quantidade de homens despreparados.
Se pontuássemos, as perguntas acima, diria, que o estado de quem se encontra alijado totalmente do conhecimento político, o transforma decisivamente, em um analfabeto na essência do cenário e da realidade política na qual deveria estar inserida.
É preciso vindicar a leitura do que seja a política, o cenário político, os políticos, e o todo social, o “tecido” no qual se insere as práticas e o discurso político.
Ser parte do que ocorre no país, é algo significativo, quem não se lembra dos Movimentos Sociais, “Fora Collor” e a Campanha “Diretas Já”? 
Na história dos povos, somos sacudidos com a presença dos movimentos e mobilização de toda sociedade.
Em linhas gerais, o conceito de Movimento Social se refere à ação coletiva de um grupo organizado que objetiva alcançar mudanças sociais por meio do embate político, conforme seus valores e ideologias dentro de uma determinada sociedade e de um contexto específicos, permeados por tensões sociais. 
Podem objetivar a mudança, a transição ou mesmo a revolução de uma realidade hostil a certo grupo ou classe social. Seja a luta por um algum ideal, seja pelo questionamento de uma determinada realidade que se caracterize como algo impeditivo da realização dos anseios deste movimento, este último constrói uma identidade para a luta e defesa de seus interesses. 
Torna-se porta-voz de um grupo de pessoas que se encontra numa mesma situação, seja social, econômica, política, religiosa, entre outras.
Neste cenário de conflito, cisões, eis que surge no chamado “tecido social” uma poderosa experiência que pode ser entendida psicologicamente como alívio quando partes da mente e da alma são unidas. 
A palavra que define esta realidade Catarse do grego ???????? "kátharsis") em sentido etimológico, significa depuração, purgação, purificação das emoções.
A Catarse ocorre quando a energia utilizada na manutenção da separação de sentimentos e partes do si mesmo é liberada, como essas partes vem juntas, analogamente soltas a caminho da química certa podem se combinar para realizar energia na forma de fogo. Esta energia é experimentada como uma sensação de alívio, normalmente acompanhado de lágrimas e às vezes de risos.
No grego, estende-se esse conceito como uma teoria em que a realização da tragédia, através das personagens, é uma forma de depuração sentimental e aliviadora das tensões humanas.
Segundo Aristóteles, filósofo grego, a Catarse é o meio através do qual o Homem purifica sua alma, através da representação trágica.
Há exatos quarenta e sete anos, mais precisamente no mês de Maio de 1968, eclodia na França um movimento estudantil que acabou propagando-se por outros países. Tinha como objetivo fazer uma crítica aos padrões políticos, sociais e culturais de uma época.
Como modo de construir uma ideologia própria, adotou diversos slogans, tais como: “é proibido proibir”; “gozar sem limites”; “nem Deus, nem mestres”.
Entre os militantes do denominado “Maio de 68”, muitos pregavam a luta em favor das liberdades e contra o moralismo das instituições, além de contestarem todo o tipo de autoridade. 
Hoje, diante da enxurrada de proibições que estão sendo impostas à população, com o poder público se imiscuindo em todos os escaninhos de nossas vidas, parece que tivemos que dar adeus até mesmo ao que temos de mais caro, justamente a nossa intimidade e nossa liberdade.
A rebeldia revolucionária dos anos 60 e 70 serviram para mudar toda a sociedade global. 
Não é possível imaginar o que seria a convivência social hoje em dia, sem considerar certas influências trazidas dessas duas décadas. Nelas foram fortalecidos muitos conceitos que são mantidos e respeitados até os dias de hoje, como a igualdade social entre pessoas de raças diferentes e entre homens e mulheres, a liberdade sexual (principalmente com o surgimento da pílula anticoncepcional) e a luta por direitos políticos e liberdade de expressão.
Tudo isso aconteceu, graças a uma explosão de criatividade, cultura e inconformismo e de uma alteração no comportamento individual, de tamanha complexidade, que até hoje é difícil saber qual desses movimentos e comportamentos sofreram influências ou influenciaram.
A minha geração ficou marcada pela luta contra tudo o que acontecia de espúrio nos denominados “porões da ditadura”. Será que ironicamente, amanhã os nossos filhos e netos não irão se insurgir contra tudo o que está acontecendo, não apenas nos ”porões”, mas também sob os “holofotes” da democracia?
É preciso, portanto, lidar com a inconsciência que aliena e trata-la, afinal, não podemos excluir a participação humana no processo de transformação social, sem a consciência do bem coletivo.
O bem coletivo sempre ocupou boa parte do pensamento dos filósofos, das doutrinas de Direito, das religiões, da política, e nenhuma delas nega a interdependência entre o individual e o coletivo. 
É a partir da ampliação da consciência individual que se forma a consciência coletiva e esta orienta práticas religiosas, políticas, econômicas e de direito. Da mesma forma, a racionalidade, os interesses, os serviços sociais, os direitos fundamentais dos indivíduos definem-se por suas funções. 
Nenhum sistema seria capaz de ignorar, sob pena de ineficiência, constrangimentos e autodestruição, as aspirações de uma multidão de seres conscientes.
Nos chamados anos políticos, anos de eleição, a dúvida sobre quem teria o perfil de político ideal para ser colocado no poder emerge com maior visibilidade e as propagandas políticas procuram traçar esse perfil, muitas vezes com realidades bem diferentes do que se chamaria de ideal. 
No entanto, a ampliação da consciência coletiva evidencia que há uma camada crescente de eleitores, que reconhecem a sua responsabilidade na escolha de seus representantes e fazem valer o seu poder constitucional: “todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos”. 
Essa não é uma preocupação nova: desde o século V, antes de Cristo, Platão, em sua obra “A República”, já almejava traçar um perfil político de um governante capaz de agir para a edificação de uma sociedade baseada no bem coletivo.
Estar consciente da responsabilidade individual significa, portanto, colaborar, de maneira eficiente e duradoura para o bem coletivo.
Seja por parte da formação da sociedade, enquanto cidadãos comuns, seja do ponto de vista do ser político, buscando intenções sadias, realizar o melhor possível dentro de um alto espírito público, patriótico e com consciência de sua responsabilidade.
Um político ideal é aquele que se dedica ao bem coletivo, cooperando com suas ações políticas para obter mudanças que produzam uma melhor sociedade humana.
A política, enquanto ciência, não investe no indivíduo, portanto, não favorece o crescimento interior do indivíduo, que, por sua vez, é o responsável pela ampliação do sentimento coletivo.
Pio Barbosa

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da Redação

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