Homenagem à mulher

Recentemente, li comentários exaltando os valores femininos.

Eu escrevi a mim mesmo, em resposta a um desses comentários:

“O mundo nos tem brindado com exemplos de mulheres notáveis, que honram a espécie humana em todas as áreas: ciências, política, literatura, artes. Mas não apenas de tais mulheres vive a humanidade. São de incrível valor para a Nação e a humanidade, aquelas que integram a legião de anônimas. São as esposas e mães que dão ao País e ao mundo o que de melhor se pode dar: valores e responsabilidades às novas gerações. Embora nem todas sejam notadas, são sem dúvidas todas notáveis.
Penso também que essas mulheres sentir-se-iam (as que se foram), como se sentem (as que estão vivas) enojadas com o que as esquerdas arqueológicas, burras, irracionais (quando não escatológicas) fizeram e fazem com estatutos e movimentos, nascidos respeitáveis (como o dos Direitos Humanos e o Feminismo), mas jogados na lama do descrédito e da pilhéria pela distorção e deformações conceituais oportunistas que introduziram.”

Após escrever este texto, lembrei-me de outro que eu escrevera no passado.

Ele vai reproduzido abaixo, em homenagem à mulher em seu Dia Internacional, 08 de março:

São Paulo e a subjugação feminina

A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio” (I Timóteo 2:11-12).

Mulheres de todo o mundo, UNI-VOS!

As palavras de Paulo (ex-Saulo) em 1Timóteo 2:11-12 são humilhantes e ofensivas às mulheres e causa maior do papel subalterno e coadjuvante destas ao longo da História. Este papel coadjuvante e inferior, transformado em cultura perversa, é obra, pelo menos no cristianismo, do comando medonho de Paulo, citado acima, e nem o Iluminismo foi capaz de alterá-lo.

Só contemporaneamente esta posição tem sido contestada no mundo ocidental.

Portanto, mulheres dignas, revoltem-se, mostrem suas belas e afiadas unhas.

Se você é cristã, revolte-se mais ainda contra esta posição subalterna. Faça ouvir, em sua comunidade, a sua inconformidade com esta situação humilhante.

Não aceitem, ao contrário revoltem-se contra o contorcionismo mental, a exegese feita pelos cérebros lavados dos que acatam e tentam justificar este comando de Paulo que tanto mal já fez, historicamente, e continua fazendo à cultura nos países de maioria cristã às mulheres.

Uma das consequências desta monstruosidade ditada por Paulo foi a profusão dos Castrati, por cerca de 230 anos, entre os séculos XVI e XIX.

Como as mulheres deveriam permanecer “em silêncio”, os Castrati foram a solução aceita para o canto feminino nas Igrejas.

Assim, a Igreja, graças a Paulo, foi a grande incentivadora da prática monstruosa de castrar jovens na pré-adolescência, para a preservação da sua voz feminina.

Claro, os Castrati também invadiram os palcos de teatros de ópera. É que até mesmo aí, nos teatros de ópera, chegava também o comando medonho de Paulo: “...mas que esteja [a mulher] em silêncio.”

José J. de Espíndola

Engenheiro Mecânico pela UFRGS. Mestre em Ciências em Engenharia pela PUC-Rio. Doutor (Ph.D.) pelo Institute of Sound and Vibration Research (ISVR) da Universidade de Southampton, Inglaterra. Doutor Honoris Causa da UFPR. Membro Emérito do Comitê de Dinâmica da ABCM. Detentor do Prêmio Engenharia Mecânica Brasileira da ABCM. Detentor da Medalha de Reconhecimento da UFSC por Ação Pioneira na Construção da Pós-graduação. Detentor da Medalha João David Ferreira Lima, concedida pela Câmara Municipal de Florianópolis. Criador da área de Vibrações e Acústica do Programa de Pós-Graduação em engenharia Mecânica. Idealizador e criador do LVA, Laboratório de Vibrações e Acústica da UFSC. Professor Titular da UFSC, Departamento de Engenharia Mecânica, aposentado.

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