O poder do povo

O Presidente da República, na parada que fez em Boa Vista, Roraima, antes de seguir para os EUA, falou sobre os movimentos de rua marcados para o próximo dia 15, realçando a legitimidade dos mesmos, ao ressalvar que eles não atentam contra qualquer instituição, e que são espontâneos e orgânicos.

Disse Jair Bolsonaro que todos na política têm que respeitar a vontade do povo, e que político que tem medo ou receio de manifestação popular não deve estar na vida pública. E que, obviamente, isso se aplicaria até a ele, como chefe do Poder Executivo. Vejam que ele colocou-se no mesmo patamar de Alcolumbre e Rodrigo Maia.

Para falar algo dessa natureza, de forma tão contundente, Jair Bolsonaro deve ter alguma informação secreta que não pode compartilhar, como por exemplo de que tentarão esvaziar os movimentos para calar a voz do povo, considerando que o Congresso já manteve o veto presidencial ao projeto de lei aprovado no Legislativo que levaria a uma “tungada” no Orçamento, ou, pior, de que continuam em pleno vapor as conspirações palacianas para esvaziá-lo, inviabilizando seu Governo.

Nesse sentido, é instigante mencionar aqui o tweet que Carlos Bolsonaro soltou hoje pela manhã, dizendo que o presidente está “propositalmente isolado”.

Para bom leitor, pingo é letra, e é óbvio que ele está se referindo aos conspiradores do Congresso, que armam as sabotagens na calada da noite, pois não desejam que o país decole.

Veja-se, por exemplo, o tal “pibinho” de 1,1%, que agora creditam negativamente a Paulo Guedes, quando a culpa exclusiva é de Rodrigo Maia, que segurou por 10 meses a Reforma da Previdência, justamente para impedir o sucesso financeiro do Governo, e que não para de pautar projetos de leis que aumentam os gastos públicos.

Uns estão dizendo que o movimento do presidente, com essa declaração sobre as manifestações do dia 15, foi arriscado, ao baixar a guarda dessa maneira e instigar as ruas. Já eu digo que foi brilhante: Bolsonaro não falou mal de qualquer Poder da República, ou de alguma de suas Instituições, mas sim se referiu ao povo, que ele está alçando ao protagonismo de tudo no país.

Ele está, basicamente, ensinando o povo que ele sim é que tem que lutar pela mudança das coisas, fazendo-o enxergar a diferença que uma mera preposição faz em uma oração: que os políticos devem servir “ao” Brasil, e não servir-se “do” Brasil.

A Esquerda (extrema e “Centrão”) já enxergou isso que Bolsonaro faz, e sabe que o que o Presidente está pretendendo é despertar o consciente coletivo de um povo acostumado a aceitar bovinamente os abusos dos políticos e congressistas.

Ora, se o povo aprender que um parlamentar tem uma “procuração” dos eleitores, e que pode ser cobrado pelos atos praticados no curso do mandato (que é o prazo determinado da procuração), e não apenas de 4 em 4 anos, nas urnas, como ficará a vida dos políticos mal-intencionados, que acham que o Brasil é deles?

Por isso que a estratégia do Presidente, em minha modesta opinião, foi brilhante! Afirmará o protagonismo do povo como titular do poder democrático (o “we, the people”, importado da declaração de independência dos EUA e colocado na nossa Constituição da República - o “nós, o povo”).

Todo meu apoio às manifestações do dia 15.

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