Jorge Hori

Articulista

Juros!!! A quem atende a decisão do Banco Central?

O nível de juros básicos, definidos pelo Banco Central não é uma questão técnica. Envolve um complexo jogo de interesses, em que as teorias servem para justificar uma ou outra posição.
O BC define uma taxa nominal. Se mantém, como tem feito, nas quatro últimas decisões, diante de um aumento da inflação, que deveria combater, a taxa real é decrescente.
Sendo decrescente, reduz a rentabilidade dos investidores em títulos do Governo e o interesse desses em continuar aplicando as suas rendas ou o seu patrimônio nesses títulos. Ou, em outras palavras, continuar emprestando ao Governo. Com essa redução, o Governo seria obrigado a reduzir ainda mais os gastos, se endividar menos e reduzir os gastos com juros.
Essa regra parece óbvia e simples quando se trata da economia particular, doméstica. É o que todo economista aconselha para as pessoas. Mas então porque não vale para o Estado?
Valer vale, mas muitos economistas foram inoculados por teorias de que é preciso aumentar a taxa de juros para controlar a inflação. Como e por que? As explicações são complexas e confusas para poucos entenderem, mas aceitarem.
Logicamente quando a economia está em crescimento, o risco de uma aceleração pode levar a consumos exagerados, sem a correspondente produção e os preços aumentarem. Então o aumento da taxa de juros é um freio. Essa argumentação foi usada durante muitos anos, para poder chegar a taxas  de dois dígitos.
Pela mesma lógica quando a economia está em queda, a redução da taxa de juros seria uma forma de reanimá-la. Mas os agiotas formais, que se vestem de investidores, não querem perder a sua renda. 
A fonte principal desse modelo está nas instituições internacionais que zelam pelos ganhos dos rentistas, na crença de que esses sustentam o funcionamento da economia. 
Quando o próprio FMI sinaliza que a política de juros por ele pregada estaria aprofundando a recessão da economia brasileira é momento de refletir sobre aquela.
O Banco Central optou pela manutenção da taxa nominal, o que significa uma redução da taxa real. Os rentistas que se caracterizam como "mercado" estão furiosos, com as suas perdas, e atacam o Banco Central, segundo a suspeita de influência política, perda de autonomia, etc. etc. 
A questão é que o FMI divulgou as suas previsões na ante-véspera da reunião do COPOM. Com uma indicação clara em relação ao Brasil. A continuidade da política monetária brasileira levará a perdas maiores do seu PIB em 2016. Certo ou não, foi a sua avaliação.
O Presidente do Banco Central reagiu de pronto. É preciso considerar as ponderações do FMI. Avisou o mercado: "os juros subiram no telhado". O mercado reviu as suas previsões e se ajustou. Mas não sem reclamar e dizer que o BC estava usando o FMI como desculpa para atender às pressões do Governo e do PT. É uma versão plausível.
Mas a interpretação mais provável é que o BC seja mais influenciado pelo FMI, que é o GPS dos investidores internacionais, e não apenas dos brasileiros ou de especuladores oportunistas, do que das pressões do PT ou das Centrais Sindicais. Ou do Governo. 
 A Teoria da Conspiração dirá que o PT manobrou para que o FMI apresentasse as suas previsões na antevéspera do COPOM, para influenciar a decisão do BC. Haja poder.
Jorge Hori

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