O hipotético diálogo entre a produção do Fantástico e o “carcereiro”

A página “Toca do Lobo”, que faz um excelente trabalho nas mídias sociais, idealizou um hipotético diálogo entre um representante da produção do programa Fantástico, da Rede Globo, e o carcereiro da penitenciária onde a criminosa transsexual Suzy está presa.

O resultado, “fantástico” por sinal, retrata com sarcasmo, irreverência e humor o que possivelmente aconteceu.

Veja abaixo:

- Oi, tudo bem, sou da produção do programa.
- Ah, claro, por favor, trouxeram a autorização da justiça?
- Sim, claro, aqui está.
- Vocês vieram visitar o Rafael, né? Ou Suzy Chucky, a boneca assassina, como este monstro é mais conhecido por aqui...
- Shhhhhhhh...Fala baixo.
- O que?
- O médico celebridade não pode saber.
- Como assim?
- Ele vive dentro de cadeias, já escreveu um livro sobre, onde aliás ele sabia dos crimes cometidos pela maioria, e até os citava, mas aqui ele diz que não pode saber. É segredo.
- Mas por que?
- Shhhhhhhh...não posso contar, pq é segredo, oras bolas.
- Permita-me uma pergunta: se a matéria, como vocês informaram quando ligaram para cá, seria sobre prisioneiros trans, por que escolheram logo a Suzy, a mais macabra de todas e que está vivendo isolada só por que, como você sabe, nem prisioneiros perdoam crimes contra crianças e muito menos o estup...
- Shhhhh...lá, lá, lá, lá...Não é nada doutor, está tudo certo aqui, a Barbie já vai nos atender...ops, quer dizer a Suzy...Fica calminho aí...Hey, idiota, não toque mais neste assunto, por favor.
- Ok, bom, você viu que ela fez exigências, né?
- Sim, a história das cartinhas de crianças e tal, ok, ok, vamos providenciar a campanha, mas sem pedir para enviarem fotos, aí ela já tá pedindo demais...
- Bom, aí é com vocês...Vamos lá...
- Vem doutor. Mas fecha os ouvidos e os olhinhos porque é surpresa.
- Suzy, aí está a equipe da TV.
- Oi, tudo bemmm? Trouxerammm o que eu pedimmm?
- Sim, sim, aqui está. Uma caixa de Chocolates Garoto.
- E o pé de moleque? Cadê? Cadê? Cadê? Cadê?
- Calma, esta aqui, aqui, amada, aqui...Doutor, está é a Suzy
- Oi, Suzy, tudo bem? Que dureza, né? Ficar presa é o preço que se paga por ser mais uma vítima da sociedade.
- Sim, doutor, sim, tô chocadaaaaa.
- Eu trouxe meus livros para você ler e não se sentir sozinha.
- Ai, obrigada, doutor, mas sinceramente às vezes a solidão é uma dádiva. Hey, carcereiro? Sabe ler? Toma, presente do dotô da TV.
- Então gente, vamos lá. Doutor, o senhor já decorou as perguntas?
- Minha filha eu já até decorei texto que ensinava pessoas a cagar, imagina se não decoro três perguntinhas bestas como esta...
- Não esquece do abraço no final.
- Que abraço?
- Doutor, aquele...lembra? Fechar com chave de ouro, emocionar o público, fazer o Brasil voltar a acreditar na esquerda "do bem", etc, etc...Su, minha querida, tenta chorar, tá?
- Aí, amada, não consigoooo...
- Faz uma forcinha, Barbie...
- Tem um filme do Woody Allen, uma musiquinha do Michael ou um vídeozinho do Macaulay Culkin pra me ajudar?
- Bom, vamos assim mesmo...vamos lá, doutor...3...2...1
- Espera.
- Que foi doutor??
- O abraço tem que ter mesmo?
- Sim, doutor, conforme combinamos na reunião desta semana, lembra?
- Tá bão...mas, entre nós, ela esta fedendo enxofre. Por isto está sozinha.
- Shhhhh, doutor, doutor, lembra do que combinamos. O senhor é um médico bom, gentil e humano. O senhor não é juiz, lembra?
- E o alcool? Trouxe?
- Oba, tem after depois? Huuum, que loucura...dá pra chamar o elenco da Chiquititas, darling?
- Não, Barbie, sua Loka....quer dizer, Suzy...não tem after nenhum. Você tá presa, porra. Não é álcool pra beber...toma doutor, álcool gel...aqui está...
- O senhor está com nojinho de mim, doctor Varíola?
- Não, não...imagina...é apenas prevenção, minha filha...corona vírus, sabe? É só isto...mas me conte...e esta solidão, hein?
- Gravandooooooo...

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Qualquer semelhança com nomes ou fatos, é mera coincidência. Afinal, para um mundo melhor, há personagens que nem deveriam existir.

da Redação

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