Com ou sem manifestações, o gigante está acordado, mas cuidado com o "carona vírus"

Depois do pronunciamento de Jair Bolsonaro em rede nacional recomendando o adiamento das manifestações, parte do público ficou dividido. Enquanto alguns movimentos organizados rapidamente acataram, muita gente preferiu manter a agenda.

É preciso entender duas coisas. A primeira é que a pluralidade de opiniões faz parte do processo e é saudável. A segunda é que há objetivos em comum entre todos que apoiam Jair Bolsonaro. Também é importante refletir sobre o vácuo de liderança que ocorreu e que pode ser facilmente ocupado por uma nova onda "carona vírus", de olho nas eleições deste ano.

Até o momento, movimentações em redes sociais indicam que boa parte das manifestações estão mantidas, mas sem a participação oficial de alguns movimentos organizados, que não querem ser responsabilizados por qualquer prejuízo que possa ocorrer caso a epidemia de coronavírus chegue forte no Brasil.

Manifestações populares não precisam da tutela de movimentos, mas não se enganem: nada é tão espontâneo quanto parece. Além disso, uma mudança efetiva na política demora cerca de 20 anos, por isso não existe corrente política que se estabeleça sem organização, hierarquia e disciplina. Então, cuidado com os discursos inflamados de quem propõe soluções rápidas, pois pode ser um sintoma do "carona vírus" tentando se espalhar na manifestação.

Enquanto eu gravava o vídeo, alguns governadores, como Dória e Witzel, emitiram decretos proibindo eventos. Seja como for, uma coisa ficou clara: com ou sem manifestações, o gigante está acordado e apoia Bolsonaro.

Confira no vídeo o comentário completo:

Veja o vídeo:

Herbert Passos Neto

Jornalista. Analista e ativista político.

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