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Em “Carta Aberta” a Bolsonaro, jornalista dá o caminho para o isolamento vertical

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Circulando nas redes sociais, uma carta aberta de autoria do jornalista Dirceu Pio endereçada ao presidente da República Jair Bolsonaro.

Bem embasada, a carta faz diversas sugestões para que o isolamento vertical seja implantado no país, no combate ao Coronavírus.

Vale a pena ler.

Veja abaixo a íntegra:

Caro presidente,
Quero informá-lo primeiro que não sou médico, sanitarista ou profissional de saúde. Sou apenas um jornalista com mais de 50 anos de vivência no mundo de informações e um observador atento dos fatos que atingem o Brasil e o mundo nestes tempos de Pandemia!
Digo também que, como cidadão, sou a favor da ideia de adotar, para o bom combate ao Covid-19, a sua ideia de intervenção vertical, tal qual o descrito em artigo de Thomas Friedman no New York Times, em lugar da intervenção horizontal, o chamado “lockdown”, de resultado ainda relativo em países como Itália, Espanha e França.
Vejo, contudo, que a substituição da estratégia pode ser arriscada se o novo modelo não for planejado e amparado em certos cuidados, como a distribuição de testes a todos os postos de saúde, distribuição de cloroquina e uma atenção especial a idosos e ao universo de imunodeficientes de quaisquer idades.
Assim, tenho uma sugestão a fazer, dividida em algumas partes:
1ª.)- Realizar um piloto da estratégia num estado da Federação e eu sugiro que este seja Santa Catarina, por duas razões:
É o Estado que lhe deu a maior votação em 2018 (66% do total) e é também o estado que pode ser considerado o berço do empreendedorismo no Brasil e o que, portanto, mais perderá com o “lockdown”, sem contar que ali a população já pressiona o governo pelo fim da quarentena, inclusive com um primeiro “buzinaço” registrado esta semana em Balneário Camboriú...
2ª.)- Fazer um rápido, mas cuidadoso, inventário do número – e localização – de idosos e imunodeficientes, identificando, nas camadas mais pobres, quais as famílias que não têm condições de isolar em casa, fora de ambientes promíscuos, as pessoas do grupo de risco. Liberar recursos e orientação às prefeituras para implantação de “casas de acolhimento” dos grupos de risco, sem condições de isolamento em família. Desnecessário dizer que essas “casas de acolhimento” devem ser dotadas de médicos e enfermeiros, fisioterapeutas, medicamentos.
3ª.)- Prever a transformação de igrejas e outros espaços de uso comunitário em “casas de acolhimento”.
4ª.)- Além da ajuda a aposentados, já em execução, destinar uma verba adicional às famílias de idosos mais carentes, para pagamento de cuidadores.
5ª.)- Prever recursos para investimentos em campanhas educativas massivas (dentro de apenas um Estado, fica mais fácil apurar a eficácia), usando Agências de Publicidade locais, como meio de contribuir com a economia do Estado-piloto.
6ª.)- Definir prazos de execução e, caso o experimento seja bem-sucedido, isto é, alto índice de contágio e baixo índice de letalidade, extrapolar o mesmo modelo para outros estados e de acordo com o interesse de prefeitos e governadores.
É basicamente isso o que tenho a lhe dizer, presidente.
Finalizo com votos de sucesso nessa emergência, causada a meu ver menos pelo vírus biológico e muito mais pelo vírus da desinformação.
Abraço grande...
Dirceu Pio
São Paulo, 29 de março de 2020.
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