Uma médica chinesa tentou alertar a população em 2019, mas foi boicotada

É público e notório que a China sabia da pandemia e escondeu o quanto foi capaz da população mundial.

Em fevereiro, Ai Fen, médica responsável pela emergência do hospital de Wuhan, concedeu uma entrevista onde contou os fatos acontecidos desde que através de exames constatou os primeiros casos da infecção por coronavírus.

No dia 16 de dezembro de 2019, o hospital Wuhan Central, localizado na província chinesa de Hubei, recebeu oficialmente seu primeiro caso de coronavírus. Um senhor de 65 anos, que apresentava febre, mas sem apresentar outros sintomas da Covid-19.

Segundo a médica, os primeiros exames feitos no idoso revelaram apenas infecção em ambos os pulmões, entretanto, uma coisa anormal aconteceu, antibióticos e medicamentos antigripais não surtiam efeito.

Somente no dia 27 de dezembro - após 11 dias do primeiro paciente - a médica recebeu um segundo paciente com sintomas semelhantes ao senhor de 65 anos, e logo em seguida solicitou um teste de laboratório.

Após identificar que o resultado do exame foi idêntico ao primeiro paciente, a médica viu que a situação poderia estar sendo causada por uma doença viral. Fen informou os diretores do hospital no mesmo dia e em seguida notificou o escritório distrital do Ministério da Saúde da China, que confirmou ter ouvido relatos semelhantes de outros lugares na China.

Resultados mais detalhados sobre a infecção chegaram no dia 30 de dezembro, foi quando constataram que tratava-se de “SARS coronavírus”, o mesmo tipo que matou 774 pessoas em todo o mundo depois de surgir - também - na China, só que em 2002.

Já em Janeiro, outros pacientes começaram a chegar com os mesmos sintomas e temendo que seus colegas pudessem ser infectados da mesma maneira, a médica mais uma vez alertou as autoridades do hospital e ordenou que os membros do seu departamento usassem máscaras.

Entretanto, uma reviravolta aconteceu e o departamento de disciplina do hospital convocou a médica para uma conversa.

Ai Fen foi duramente criticada por “espalhar boatos”. Segundo o relato, ela ainda tentou argumentar que a doença poderia ser contagiosa, mas as autoridades disseram que sua ação causou pânico e “danificou a estabilidade” de Wuhan.

De acordo com informações, a liderança do hospital também proibiu a equipe médica de discutir a doença em público ou através de textos ou imagens.

A consequência veio logo em seguida, no dia 09 de janeiro, uma enfermeira começou a apresentar sintomas da doença e posteriormente veio a confirmação da infecção por coronavírus.

Após a expansão pandêmica do coronavírus, infelizmente três médicos do hospital de Wuhan já morreram.

A médica, Ai Fen, tentou alertar a população muito antes do coronavírus tornar-se esse problema mundial.

Fonte: https://www.wsj.com/articles/how-it-all-started-chinas-early-coronavirus-missteps-11583508932

da Redação

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