Não é só questão de economia, é sobre a vida das pessoas…

Quando a gente fala em preocupação com a “economia”, soa insensível e desproporcional, frente ao problema maior: a pandemia. Mas vocês já pararam pra pensar em como vai ser quando a quarentena acabar?

Sabe a escola do seu filho? Aquela que você demorou meses para escolher, depois de visitar pelo menos meia dúzia? Que você fez questão de conhecer cada cantinho, cada funcionário, o método e todos os detalhes possíveis? Talvez ela não sobreviva à crise. Ou por falta de dinheiro ou por achar desaforo pagar por um serviço sem usar, muitos pais já estão tirando ou ainda vão tirar seus filhos pequenos da creche/escola.

Os políticos já estão aprovando leis que obrigam a conceder descontos na mensalidade. A inadimplência vai crescer. E não tem mágica. Quando falta dinheiro, o caminho é demissões, queda de qualidade no serviço e falência.

E seu restaurante preferido? A lanchonete? A loja que gostava de comprar roupas? Aquela sorveteria quase centenária do seu bairro? Já parou pra pensar que tudo isso pode simplesmente não existir mais depois de um longo período de isolamento? E já imaginou quantos empregos morrerão junto com esses seus pequenos prazeres supérfluos?

Já pensou que mesmo as empresas grandes, que sobreviverem, precisarão demitir em massa? E que essas pessoas, agora sem o plano de saúde empresarial, irão sobrecarregar ainda mais o SUS? Não era esse o problema que se queria evitar?

Somos um país pobre. A ajuda que o governo pode dar não é infinita (ao contrário, ela é limitada ao que o governo pode tirar de você antes). Junto com o aumento da pobreza, virão inúmeros problemas sociais muito piores que o coronavírus. Pessoas irão morrer. Também.

Repito. Somos um país pobre. Por mais que estejamos amedrontados com a pandemia, não podemos nos dar ao luxo de parar por muito tempo. Espero que os governantes deixem de lado o populismo e trabalhem para que essa quarentena dure o menor tempo possível. É duro falar isso, mas o Brasil não pode parar por dois ou três meses.

Não é só sobre economia. É sobre a vida das pessoas.

Priscila Chammas. Jornalista.

da Redação

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