Um grito de despertar: É hora de enxergarmos a gravidade do panorama que nos assola

O Governador João Dória Jr. agora quer implementar em São Paulo o modelo chinês de controle absoluto dos cidadãos, mediante o monitoramento dos celulares das pessoas. Tudo com a desculpa de "combater a pandemia", para fiscalizar quem está de fato em casa e bisbilhotar a vida privada.

Parece, por outro lado, como já li na internet, que ele já criou uma secretaria especial de defesa do consumidor, para "combater o aumento abusivo dos preços na época da pandemia". É a mais pura interferência estatal no livre mercado, algo que faria qualquer líder comunista ou ideólogo socialista se encher de orgulho.

A tendência, obviamente, é isso daí se espalhar para outros Estados, que agora têm carta branca para adotarem as medidas restritivas que acharem por bem adotar, no período da "pandemia", sem que a União possa impedir, como decidido ontem pelo juiz Alexandre de Moraes, do STF, esse careca sorridente aí da foto, que criou o inusitado "estado de defesa e de sítio Estadual" e que rasgou as regras constitucionais que estabelecem a Federação Brasileira e que distribuem a competência dos Entes.

Abro um parênteses para dizer que o que motivou a referida decisão do Min. Moraes (que é totalmente teratológica - ou seja: de uma monstruosidade jurídica evidente) foi uma medida interposta pela OAB (a entidade de classe a qual todos advogados brasileiros são obrigados a se filiar), junto ao Supremo Tribunal Federal.

Dito isso, vai aqui um desabafo: juro por tudo o que é mais sagrado que se eu tivesse como fazer isso, hoje, dia 09/04/2020, iria embora do Brasil, para nunca mais voltar. Começar uma vida em um lugar que valorize as liberdades individuais, e onde o Estado não cometa abusos contra os cidadãos, levando uma vida com dignidade, não me parece uma má ideia...

Contudo, quando a gente perde a chance de fazer algo na vida, a oportunidade nunca mais volta. Não tem mais espaço para esse tipo de coisa para mim, do alto dos meus 46 anos e da minha vida de advogado, cheio de responsabilidades profissionais e financeiras: mudar-me para um país estrangeiro é impossível.

Portanto, já que temos todos (eu, você, e quem mais estiver lendo essas minhas linhas) que ficar por aqui mesmo, não podemos perder tempo com divagações sem objetividade sobre "se pudéssemos isso", "se pudéssemos aquilo", é hora de enxergarmos a gravidade do panorama que nos assola.

Esse texto aqui é, como se diz em inglês, "a wake-up call" (um "grito de despertar", ou, como preferem alguns, um "despertador"): ou nós reagimos a isso tudo que está acontecendo à nossa volta, e lutamos pelo que conquistamos no nosso país, ou então é melhor começarmos a nos acostumar, de verdade, a viver em uma "quarentena perpétua".

O mundo como você conhece já não existe mais. Ingressamos na distopia da obra de ficção "1984", narrada magistralmente por George Orwell, que se tornou realidade no Brasil de 2020.

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