Mandetta não tem patriotismo. É um inimigo na trincheira…

Tinha admiração pessoal pelo Ministro.

Achava ele simpático.

No início da pandemia até o elogiei num artigo, com mais de 45 mil compartilhamentos. Me enganei. Peço desculpas.

É que o Ministro está se mostrando pequeno.

Ele não quer ficar no cargo por ter ideal de servir (que acreditava que tinha) nem pelo espírito público (que também imaginava que possuía).

Não está Ministro para cumprir um apostolado nem para exercer uma missão.

Ele quer ficar para cumprir um papel rasteiro, eminentemente político, já que visivelmente está em rota de colisão com o Presidente Jair Bolsonaro a serviço do grupo político do qual sempre fez e segue fazendo parte.

É legítimo, mas é indecentemente inapropriado e inoportuno!

Só não caiu ainda, em decorrência da intervenção da turma verde-oliva, que pressionou o Presidente para recuar na sua decisão de exonerar Mandetta.

Os militares brasileiros também estão divididos. E, na ocasião (uma semana atrás) entenderam que a demissão do Ministro da Saúde colocaria em risco a estabilidade institucional, já que a aristocracia medieval brasileira se juntou para afrontar e isolar a autoridade presidencial.

Tenho a convicção intima que alguns militares de alto comando colocaram panos quentes para proteger o Presidente, buscando uma hora mais apropriada para o desligamento. Outros não. São vaselinas mesmo. Vivem sempre do confronto que sempre buscam evitar seja consumado e com isso se mantém como o fiel da balança, exercitando o poder na sombra dos quepes.

Presidente e Ministro caminham em direções opostas. É uma relação de confiança onde impera a desconfiança.

Há um conflito onde as partes não depositam reciprocamente empatia, não sentem mais nenhum conforto no convívio, que se tornou um calvário.

A nação percebe e paga o preço.

Como advogado, muitas vezes assisti a ruptura, de inopino, de casamentos longos. Era muito triste assistir a cizânia. Mas em muitos casos é inevitável. E para o bem de todos, a separação, por vezes é o único caminho.

A desarmonia, e o atrito vão levar ao aprofundamento da antipatia e ao rancor recíproco.

Onde já se viu, um Presidente eleito e legitimado pelo voto de mais de 56 milhões de brasileiros ter que estar subserviente e confrontado publica e reiteradamente por um Ministro - ainda que seja um sujeito que cumpre o papel de bonachão?

Além do mais, é inaceitável sob o ponto de vista ético, que um subordinado confronte abertamente o seu líder, mancomunado até a alma com adversários para cumprir uma missão cujo único objetivo é buscar enfraquecê-lo. Um inimigo na trincheira!

Quem nomeia tem o poder de exonerar.

E o tempo de Mandetta a frente do Ministério da Saúde já foi. E daí que a equipe sai? Troca a equipe também! Todos eles!

Temos centenas de médicos e profissionais da saúde com gabarito, currículos e talentos para ocupar esses cargos.

Bolsonaro tem o direito e dever de governar com uma equipe sinérgica que siga e respeite os seus comandos.

É isso que quem o elegeu quer dele.

Mandetta é uma vítima de si próprio.

O vírus da ambição o contagiou.

Deve ser colocado imediatamente em isolamento.

O remédio para Ministro picado pela mosca azul é uma prescrição de demissão assinada pela caneta azul.

Luiz Carlos Nemetz

Advogado membro do Conselho Gestor da Nemetz, Kuhnen, Dalmarco & Pamplona Novaes, professor, autor de obras na área do direito e literárias e conferencista.
@LCNemetz

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