Josef Mengele também era especialista e cientista. Nossos prefeitos e governadores o escutariam?

Já se tornou lugar-comum escutarmos nossos prefeitos e governadores afirmando que estão tomando suas decisões “baseados na ciência”. E desde esse ponto de vista, supostamente “científico”, eles adotaram o isolamento social (estancando quase totalmente a economia) e uma rejeição prévia do uso da hidrocloroquina ou sua associação com azitromicina (HCQ + AZT) em pacientes com o COVID-19.

Assim, o isolamento, segundo eles, é a medida mais eficiente na luta contra o COVID-19. A rejeição do medicamento citado, também segundo eles, está respaldada “cientificamente”. Segundo tais ungidos não há o que discutir. Afinal, eles estão supostamente respaldados por “cientistas”, por “especialistas”. Como discutir, então, com quem tem o monopólio da verdade?

(Todavia, lembremos que mesmo o abominável Josef Mengele era um “cientista” e “especialista”, sendo que suas bárbaras experimentações humanas se tornaram amplamente conhecidas).

Mas o ponto é que a ciência não se identifica com o dogma. Ela sempre é objeto de discussão. E isso por uma razão simples: sendo ciência, ela é falseável.

Dessa forma, sobre a rejeição do uso da hidrocloroquina ou sua associação com azitromicina (HCQ + AZT) em pacientes com o COVID-19, alguns fatos nos fazem simplesmente questionar os interesses que subjazem tal recusa. Por exemplo, se acessarmos o site ‘African Arguments’ encontraremos dados intrigantes sobre a ação do COVID-19 naquele continente: nas regiões africanas em que há uma endemia de malária (nas quais a hidrocloroquina é usada no seu combate) temos o menor número de casos envolvendo COVID-19. Curioso, não? Mas vamos a outros dados, àqueles oriundos das pesquisas do professor Didier Raoult. Usando da hidrocloroquina (derivada da cloroquina – a qual tem sido usada especialmente no combate à malária) em associação com o antibiótico azitromicina, ele recentemente revelou, em um estudo clínico, ter tratado 1.061 pacientes confirmados com COVID-19, sendo que até aquele momento 98% estavam curados.

Os pouquíssimos levados à UTI tinham entre 74 e 95 anos. Segundo sua pesquisa, em apenas seis dias houve uma brusca queda na carga viral dos pacientes tratados com hidrocloroquina em associação com o antibiótico azitromicina (as quais devem ser ministradas na fase inicial do ataque do COVID19, isto é, quando o paciente começa a sentir os primeiros sintomas).

Não parece ao menos razoável, diante desses números, considerarmos que já temos, sim, uma medicação altamente eficiente no tratamento das pessoas com COVID-19? Essa razoabilidade é parte da ciência, diferentemente do dogma adotado por aqueles que não querem que a medicação mencionada funcione (sim: muitos não querem, por abjetas motivações políticas, que ela funcione). Aliás, é importante notar que a pesquisa do Professor Raoult também demonstra que o antiviral Redemsivir é bem menos eficaz no tratamento contra o COVID-19, algo que certamente não é do interesse da Gilead Sciences (fabricante do Remdesivir). Esse tipo de conflito nos leva a questionar: até que ponto uma indústria (nesse caso, farmacêutica) pode ter interesse em obliterar pesquisas como as do Professor Raoult?

De qualquer maneira, devemos reconhecer que há diversos interesses, sobretudo políticos, para a rejeição de uma medicação que tem se mostrado eficiente. Tais interesses revelam a ação da mentalidade esquerdista em diversos meios, dentre os quais o midiático.

Dessa forma, como disse apropriadamente o Procurador Geral da República dos USA, William Barr, a “mídia entrou numa jihad contra a hidrocloroquina”.

E não se trata apenas da mídia, pois seus mujahidin não estão apenas na mídia: estão em nossas universidades, nos setores públicos, no meio artístico, no judiciário e, claro, na política.

Para que se tenha uma ideia da gravidade desse jihad, dessa guerra santa (essa me parece uma analogia apropriada: afinal, seus mujahidin estão defendendo um dogma), citemos aqui uma “pesquisa” recente, conduzida no Brasil (em Manaus), a qual me fez imediatamente pensar nas pesquisas conduzidas por Mengele por razões que ficarão claras com a descrição da “pesquisa”, a qual teria sido liderada pela Fundação de Medicina Tropical, do governo do estado do Amazonas.

Com efeito, ignorando (talvez deliberadamente) noções elementares de farmacocinética e toxicocinética, alguns “pesquisadores” prescreveram 1200mg de cloroquina por dia, durante 5 dias, a um grupo de dezenas de pacientes. Ou seja, prescreveram três vezes a dosagem recomendada (e, como diz o antigo ditado, ‘a diferença entre o remédio e o veneno é apenas a dose’).

Não apenas isso, eles teriam usado o difosfato de cloroquina, o qual é uma versão menos segura (dada sua toxidade) do que a hidrocloroquina (esta é menos tóxica – por essa razão é ela a recomendada pelos seus apoiadores, dentre os quais Raoult).

Embora no Brasil prevaleça um silêncio sobre o caso (que constituiria uma violação dos direitos humanos mesmos), ele foi denunciado recentemente, nos USA, pelo empreendedor, ativista e CEO da Pharos Investment Group, Mike Coudrey.

Segundo ele, “um estudo sobre a cloroquina foi conduzido no Brasil de forma tão irresponsável que eu não consigo acreditar. Os pesquisadores usaram esses pacientes como cobaias”.

“Não apenas eles superdosaram seus pacientes, os ‘pesquisadores’ também tiveram a completa audácia de concluir o estudo dizendo que ‘cloroquina é perigosa e não efetiva no tratamento do COVID-19’.

Eles superdosaram esses pacientes dando a eles três vezes a quantidade [recomendada], e uma versão menos segura da droga”. Portanto, eles não visavam à cura dos pacientes, mas a toxicidade, para desqualificar – por motivações políticas, insisto – a hidrocloroquina. E isso mesmo que suas ações levassem os pacientes ao óbito por problemas cardíacos.

Gravíssimo, também, conforme Coudrey, é o fato de que “o estudo foi aparentemente provido com recursos federais alocados por senadores brasileiros de esquerda”. De fato, teriam fomentado essa pesquisa o governo do Amazonas, a Fiocruz, SUFRAMA, CAPES e FAPEAM, bem como uma ala esquerdista do Senado Federal. Ainda segundo ele, “políticos de esquerda em numerosos países estão em campanha contra a hidrocloroquina, mesmo tendo sido provada sua eficácia”.

Mas atentem para o seguinte: “pesquisadores” como os que conduziram a pesquisa acima citada são os que estão, nesse momento, orientando muitos de nossos prefeitos e governadores.

Na verdade, obviamente não são pesquisadores: são ativistas de esquerda agindo para manter o isolamento social e para impedir aos doentes um tratamento eficiente. Estão, pois, usando politicamente a pandemia do coronavírus para causar o caos social, moral (especialmente a violação da liberdade) e econômico. Sua agenda se resume ao seguinte: “destruir o governo Bolsonaro”. E diante de “pesquisas” como a citada acima muitas “academias” e “associações” reiteram a não recomendação do uso da hidrocloroquina. “Curiosamente”, quando investigamos as instituições e pessoas que demandam o isolamento e a não recomendação da hidrocloroquina percebemos que, desde 2018, elas agem deliberadamente contra Bolsonaro e contra suas medidas em quaisquer áreas, desde a educação até a .... saúde. Alguém realmente acredita que há coincidência aqui?

E quanto ao isolamento?

Já abordei aqui no JCO o crime de lesa humanidade dessa medida isolacionista:

Reiterando o que venho afirmando, voltemo-nos para mais uma das vozes que destoam do mainstream, a saber, a do epidemiologista Dr. Knut Wittkowski, do Department of Biostatistics, Epidemiology, and Research Design da Rockefeller University (New York City). Aliás, a Rockefeller University é reconhecida por focar em áreas ligadas à biologia e à medicina, sendo que até esse momento 36 agraciados com o prêmio Nobel a ela estiveram (alguns ainda estão) afiliados.

Não estamos, pois, falando de alguma irrelevante universidade provinciana (gerida pelo que de mais desprezível há no meio universitário), como algumas que nesse momento influenciam nossos prefeitos e governadores. Assim, o Dr. Knut Wittkowski sustenta que, se pensarmos prospectivamente, políticas isolacionistas podem causar mais mortes. Segundo ele, o isolamento que nesse momento vige na maioria das cidades e estados atrasa o desenvolvimento da “imunidade de rebanho” (herd immunity), a qual seria nossa principal “arma” para a eliminação do novo coronavírus, dado que uma vacina deve levar ao menos 18 meses para estar disponível.

Nesse sentido, uma “intervenção vertical”, focada em isolar e proteger os mais vulneráveis ao COVID-19, como idosos e pessoas com comorbidades, seria, conforme o Dr. Wittkowski, o mais apropriado. E ele sequer está pensando na questão econômica (a qual enfatizei no texto referido acima); sua preocupação é com o problema da saúde pública. Segundo ele, adotando uma “intervenção vertical” permitiríamos que os mais jovens e saudáveis desenvolvessem o mais rápido possível a imunidade, a qual, prospectivamente, salvaria mais vidas do que a atual “intervenção horizontal”.

Nas palavras dele, “no que diz respeito às doenças respiratórias, a única coisa que freia a doença é a imunidade de rebanho”. Ele continua: “cerca de 80% das pessoas precisam ter tido contato com o vírus, e a maioria sequer reconheceu estar infectada, ou teve sintomas muito, mas muito brandos, especialmente crianças”.

Dessa maneira, ainda segundo ele, “é muito importante manter as escolas abertas e as crianças se misturando para espraiar o vírus e obter a imunidade de rebanho tão logo quanto possível; e em seguida os mais velhos, que devem ser separados, uma vez que as casas geriátricas devem ser mantidas fechadas durante esse período, poderão voltar e reencontrar suas crianças e netos após aproximadamente 4 semanas, quando o vírus for exterminado”.

Nesse ponto o Dr. Wittkowski menciona a possibilidade de uma “segunda onda” do vírus, a qual será ainda mais grave se não adquirirmos imediatamente a imunidade de rebanho.

Em suas palavras, “se você for exposto a um dos vírus da SARS [Síndrome respiratória aguda grave], você terá menos propensão a adoecer de outro vírus da SARS”. Portanto, o vírus seria eficientemente combatido dentro de algumas semanas se as pessoas pudessem levar normalmente suas vidas, preservando, é claro, os mais vulneráveis.

Além disso, a ideia de “achatar a curva” é, para ele, sem sentido, pois “o que ocorre é que, se você achata a curva, você também a prolonga, ampliando-a, e isso leva mais tempo”. Noutros termos, diz ele, “eu não vejo uma boa razão para uma doença respiratória ficar em meio à população mais tempo do que o necessário”.

Se não bastasse isso, o vírus sempre encontra meios de se propagar. “Pessoas são sociais, e mesmo em tempos de distanciamento social elas têm contatos; e qualquer um desses contatos poderia espraiar a doença”. Desta feita, a ideia do Dr. Wittkowski é levar a maior parte das pessoas, o mais rápido possível, a uma imunidade de rebanho, uma vez que isso salvaria mais vidas do que o atual isolamento.

Nessa mesma direção segue também o Professor e Chairman da internacionalmente reconhecida Israel Space Agency (ISA), Isaac Ben. Após analisar diversos gráficos de estudos de seus colegas, Prof. Ziegler (da Techion) e Ronnie Yefarah, o Prof. Isaac Ben concluiu que o isolamento não tem um efeito na disseminação do COVID-19.

Sobre esse ponto, diz o Professor Ben que a disseminação “está ocorrendo tanto em países que adotaram o isolamento quanto naqueles que não o adotaram, como a Suécia”. Dito de outra forma, “o declínio e a ascensão ocorrem de acordo com a mesma linha temporal (timeline)”.

A partir de suas análises matemáticas ele concluiu que o pico e a queda ocorrem dentro da mesma linha temporal tanto em países que adotaram medidas radicais, como o isolamento, quanto em países que não as adotaram, como Singapura, Taiwan e Suécia. Ele atribui o isolamento adotado por diversos países como uma “histeria em massa”. Em suas palavras, “não se deveria fechar um país quando a maior parte da população não está em risco”.

A ineficiência do isolamento é também considerada pelo médico epidemiologista Dr. Roland Salmon, ex-diretor do Centro de Vigilância de Doenças Transmissíveis (no País de Gales), o qual foi, nesse Centro, especialmente responsável pela investigação de doenças infecciosas. Conforme o Dr. Salmon, o modelo matemático do Imperial College tem sido usado para justificar o isolamento social, isto é, a “política de contenção”.

No entanto, como ele demonstra em um artigo recente (“Faltam dados para apoiar a política de contenção”), nos últimos 30 anos o Imperial College errou tantas vezes quanto acertou. Portanto, sua atual presunção de infalibilidade não está justificada. Aliás, insisto nesse ponto: cientificidade se opõe à infalibilidade, a qual caracteriza particularmente o dogma. Ainda segundo o Dr. Salmon, a atual “contenção” colocará um “fardo exorbitante” “nas gerações futuras, em seus empregos, moradia, saúde, bem estar e até expectativa de vida”.

No entanto, mesmo diante desses fatos e boas razões estamos sob a vigência de um dogma, o qual tem sido usado para fins políticos torpes. Assim, diante da questão que coloquei no título desse texto, a resposta, parece-me, é sim. Sim, nossos prefeitos e governadores, em sua maioria, escutariam atentamente Mengele, ainda que suas orientações levassem a uma tragédia humanitária. Para eles isso se “justifica” na medida em que atinge seu propósito: a destruição do governo Bolsonaro.

Carlos Adriano Ferraz. Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com estágio doutoral na State University of New York (SUNY). Foi Professor Visitante na Universidade Harvard (2010). Atualmente é professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) na graduação e no Programa de Pós-Graduação em Filosofia, no qual orienta dissertações e teses com foco em ética, filosofia política e filosofia do direito. Também é membro do movimento Docentes pela Liberdade (DPL), sendo atualmente Diretor do DPL/RS.

da Redação

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