A quarentena política

Antes de decretarem a quarentena no estado de São Paulo, diversos infectologistas afirmaram que essa medida seria de, no máximo, 14 dias, período de incubação do novo coronavírus. Isso achataria a curva de contágio, evitando uma sobrecarga no sistema público de saúde.

Logo depois, o ex-ministro da Saúde disse que o pico da curva poderia ser em maio, junho, julho ou até mesmo agosto. O discurso do “ciência e lavoro”, além de oportunista e parasitário, trazia consequências ainda mais graves para a sociedade. Houve embates no Ministério da Saúde inclusive sobre um possível prolongamento do período de quarentena até o final de 2021.

Os hospitais de campanha de São Paulo e do Rio de Janeiro construídos para cuidar dos infectados com COVID-19 estão vazios. Em contrapartida, médicos estão orientando pacientes com complicações distintas para ficarem em casa, evitando possíveis contaminações. Em meio à pandemia, essas prescrições estão criando dificuldades até para o tratamento de pessoas com dengue, chikungunya e zika.

Esses fatos só confirmam que a doença não é um problema meramente sanitário, mas político. Enquanto o terror psicológico não passar e não enfrentarmos essa crise de forma estratégica, pensando na multidisciplinaridade de questões envolvidas, principalmente na importância da retomada das atividades laborais, isso não vai ter fim. Nem STF, nem União, nem Estados, nem municípios vão aguentar.

João Pedro Zorzi

Advogado inscrito na OAB/SP, bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Franca em 2019, atua na área de Direito Civil.

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