João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

Transporte coletivo em Campo Grande. Que Vantagem Maria Leva?

Gestão retrógrada e equivocada: perdemos todos

Antes de começar a estruturar a argumentação do dia, de pontuar razões e os fins da abordagem que segue acerca da gestão privada na prestação de um serviço público, ouso convidar a cada um de vocês, que ouçam a mesma música que toca agora, aqui: Noite em Pirapueira de Duo Fel. 

https://open.spotify.com/track/70sUosk48YZ6Zp16gB3YAj 

Pode soar exótica ou pretensiosa a sugestão, pode parecer maluquice ou mesmo perda de tempo, acreditasse eu em qualquer uma dessas hipóteses, não me prestaria a este papel, não aqui. É uma bela música.


A ideia é unir todos os interessados nesta causa, numa frequência amena e tranquila que suscite a fusão, em detrimento da exclusão ou segregação. Isso inclui “contratados” (Consórcio Guaicurús), “contratantes” – não só o usuário, mas seus empregadores, família e todo o eleitorado do município de Campo Grande – e o mediador, nosso representante escolhido por nós todos por meio de eleição justa e legítima que caracteriza o processo democrático.

Todos esses elementos estão indissoluvelmente unidos, muito mais que alguns de nós imaginamos. Aprendi, aqui e ali, errando feio ou fazendo belos gols, que cada um de nós responde pelas consequências diretas – fáceis de prever – e indiretas – de impossível mensuração – de cada um dos nossos atos, escolhas e resoluções.



Chamo atenção para o fato de que a prestação de serviço público por empresa privada demanda responsabilidades e compromissos com a comunidade, com o bem comum, não só com o lucro. Antes de embrenhar-se nesta seara, o empresário deveria ter isso bem claro em mente.

Muito mais do que apontar o dedo de seta para as inconsistências e injustiças concretas a que está submetido o povo, minha meta é fornecer, tanto para prestadores do serviço quanto a quem o contratou e tem obrigação de fiscalizar e controlar se o referido contrato é cumprido, defendendo assim os interesses daqueles que representa.

Não quero crer no argumento pouco inteligente, conformista e pessimista que reza que “político é tudo igual” ou de que “o compromisso firmado em campanha cessa  na finalização da contagem dos votos” e que “pelo lucro qualquer esforço vale”. Não creio que seja tão simples, não quero crer.

Feedback: "Entende-se por feedback o processo (parte de uma cadeia de causa e efeito), onde uma informação sobre o passado influencia um mesmo fenômeno no presente e/ou no futuro, permitindo ajustes que mantenham um sistema funcionando corretamente".

Fonte:

(http://www.administradores.com.br/artigos/carreira/o-que-e-feedback/64884/)

Busco meios de proporcionar às partes envolvidas na prestação do serviço de transporte coletivo, elementos que conduzam, na medida do possível, ao cumprimento justo do contrato firmado, em busca de tratamento digno ao usuário e da justiça ao prestador do serviço além da a cobrança pela fiscalização constante e ininterrupta pelos órgãos competentes. É pedir demais?

Muitos alegam que o usuário cumpre sua parte ao pagar o preço da passagem estabelecido em negociação entre Prefeitura e Consórcio, isso não é verdade, isso é típico, trata-se de vitimização.

O fato é que nós, usuários, temos descumprido regras básicas de civilidade,
antes das de cidadania, quando depredamos o patrimônio privado (os ônibus) e público (terminais e pontos). Isto será tratado aqui, sem dúvida e sem dó, no momento oportuno. Definitivamente não estou aqui pra alisar marmanjo, verdade seja dita. Adelante...

Cartas todas à mesa, é bom momento pra trocar a música, sugiro “Palhaço – Egberto Gistmoti”.

https://open.spotify.com/track/30W6uJ62WYOSf5SuJ9lPar 


Já faz alguns anos que “satisfazer as necessidades do cliente” deixou de ser meta nas relações comerciais e passou a ser uma obrigação, premissa básica pra quem pretende a sua manutenção no mercado, é o mínimo que se espera de um prestador de serviços.

Padecemos (nós, gestores), de pobreza conceitual ao estabelecer metas e os meios de atingi-las. Um acadêmico de primeiro semestre do curso administração hoje distingue facilmente os conceitos de “eficiência” e “eficácia”. O bom gestor aplica-os adequadamente.

O primeiro consiste em “fazer certo as coisas”, aqui prima-se pelo cumprimento do propósito com o emprego do mínimo de recursos – este deveria pautar as atividades de nível operacional. E o segundo é “fazer as coisas certas”, aqui não se economiza recursos para a obtenção do resultado considerado ótimo – este conceito deveria pautar a conduta nos níveis tático ou gerencial.

Infelizmente, há gestores pautando toda a operação na busca da eficiência, inclusive o planejamento estratégico, que deveria considerar longo prazo e toda “visão” bem formulada de qualquer organização. Este equívoco é fruto de gestão retrógrada que acredita que reduzir custos é o único meio de aumentar a lucratividade, sabemos que isso é um engano.

Estamos todos acostumados a ver o transporte coletivo com a tábua de salvação dos que não tem alternativa de transporte a caminhar. Mais um engano. Ouço falar nos ônibus, nas matérias de jornais, nos argumentos das empresas que “a demanda diminui ano após ano”. Talvez isso seja verdade, mas certamente seria diferente se dispuséssemos de algum conforto e segurança. Hoje, nem um nem outro.

Observem quem está lá nos pontos de ônibus quando passarem por um: grande maioria deles será senhoras de idade, velhos, e os muito jovens que anseiam pelo sorteio  de suas cotas no consórcio de uma moto de pequeno porte para que se cumpra’ o desejo profundo de “nunca mais ter de entrar num busão” (sic).

Se de um lado ao enxugar os custos na frieza da matemática, as prestadoras do serviço, sacrificam de forma desumana todo aquele que usa diariamente o ônibus. De outro, desestimulam pessoas que apesar de não “precisar” do transporte coletivo, fariam muito gosto de usa-lo.

A construção de um mundo sustentável, a preocupação com a ecologia e a disposição de fazer algo efetivo neste sentido é que escancara potencial nicho (em expansão) do mercado que ora é simplesmente ignorado por nossos gestores à moda antiga.

Amigo meu, professor universitário, doutor em assuntos de arquitetura e urbanismo, revelou-me em conversa informal, que inclusive tentou algumas vezes usar transporte coletivo na Capital Morena, sem êxito – como fizera em Barcelona, na Espanha, ocasião de seu mestrado, ou em Melbourne, na Austrália de forma bem-sucedida e satisfatória. Contou-me constrangedora saga do sujeito que gostaria de usar transporte coletivo, mas não encontra as mínimas condições pra isso quando tenta. (e ele nem embarcou...).

Os argumentos são de solidez incontestável e geram e produzem vergonha em quem já acostumado ao descaso, paga uma das passagens mais caras do país, euzinho no caso, sem se dar conta de detalhes como: não haver em todos os pontos, indicação de quê linhas passam por ali, o itinerário de cada uma delas além de tabela indicando a frequência e os horários. Não, isso não é demais, é o mínimo de informação que se deve prestar ao usuário, seja ele habitual ou eventual.

A ideia hoje é deixar claro que a “receita” de gestão utilizada pelas empresas de ônibus é um equívoco. Que há nichos deste mercado subestimado, quiçá ignorado por quem deveria olhá-lo com interesse e zelo.

Esse modelo de gestão ultrapassada somada à visão limitada do mercado, ao invés de garantir lucro, restringe, e inviabiliza o crescimento e expansão dos serviços. Usuários atuais estão cada vez mais insatisfeitos e mal servidos, usuários potenciais ignorados. Perdemos todos.

Não é justo com a gente simples e sofrida que só pode contar com o transporte coletivo, seja relegada à condição de “carga” de pouco valor. Esse fenômeno é visível nas decisões dos gestores, e também no tratamento de alguns funcionários ao público: motoristas que demonstram sua insatisfação e recalques diversos na raiva com que operam a embreagem, o freio e o acelerador. No tratamento desumano dispensado aos idosos e deficientes físicos... Não vou tratar hoje de capacitação.

Chamo todos você à reflexão:

No transporte de material de construção, item extremamente frágil é a telha de barro. Quando você recebe em sua casa um milheiro de telhas, se contar uma a uma (eu já fiz isso) verá que recebe algo em torno de mil e cem unidades. Generosidade? Nada. O excedente é o percentual de “quebra”. É a tolerância estabelecida pelo fornecedor ao prestador do serviço de frete, carga e descarga. 10% é o limite.

Isso significa que ao aceitar o frete, o prestador de serviços se compromete em arcar com o prejuízo no caso de perdas que excedam o limite estabelecido. A questão do dia é: 

Porque cargas d’água não se dedica o mesmo cuidado com o usuário do transporte coletivo que às telhas?

Proponho que todos nós unamos esforços no sentido único a construção de um mundo melhor. Melhor pra todos! É possível ser viável, justo e lucrativo ao mesmo tempo, acredite!

Neste cenário ideal todos nós ganharemos.

Bora?

João Henrique de Miranda Sá

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