A trajetória decadente: De Super Moro a "Morovaldo" (veja o vídeo)

A conduta do ex-ministro lembrou a de seus detratores, não a do herói da Lava Jato

A demissão de Sergio Moro dividiu opiniões e deixou parte do Brasil um pouco desnorteado. A principal alegação foi que Bolsonaro quebrou o acordo da carta branca, que foi condição para ele assumir o Ministério da Justiça.

Até aí, tudo bem. Se um pacto foi quebrado, acho justo que o ministro queira se retirar da equipe. O problema é a forma como fez isso, chamando uma coletiva de imprensa e fazendo insinuações de que o Presidente teria intenções impróprias e criminosas. Ainda correu para o colo da Rede Globo, uma das principais inimigas de Bolsonaro e foi lá expor prints de conversas privadas. A intenção foi clara: derrubar o governo.

Muita gente achou que o governo iria acabar, mas até agora a montanha pariu um rato. Minha impressão é que o agora ex-ministro passou tanto tempo ouvindo que ele é maior do que Bolsonaro, que resolveu partir pra cima ao sentir que sua carta branca tinha perdido o prazo de validade.

Se Moro tem provas de que Bolsonaro cometeu crime, por que preferiu ir para TV em vez de entregar as provas à Justiça? Em vez da conduta de herói que todos esperavam, acabou fazendo a mesma coisa que Verdevaldo havia feito com ele, ou seja, virou o Morovaldo.

Aparentemente na ânsia de se lançar como político, escolheu o pior momento do país para isso, em meio a uma crise sanitária e econômica. Parecia um adolescente afobado que expôs fotos íntimas da ex-namorada para provar que ela é vagabunda, mas só provou que ele mesmo é um canalha imaturo.

Se a intenção era preservar sua biografia, parece que não deu muito certo. O juiz que virou símbolo do combate à corrupção acabou premiando o país com uma crise política e agora recebe aplausos de todos os corruptos que aproveitam o momento mais tenso das últimas décadas para tentar derrubar Bolsonaro.

Confira:

Herbert Passos Neto

Jornalista. Analista e ativista político.

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