“Pelo bem da minha saúde, só posso fumar se estiver de máscara”

Estava voltando para minha casa, há pouco, e parei na conveniência que sempre paro, no caminho entre a casa da minha mãe e a minha, para comprar cigarros.

Não pude entrar.

Segundo o novo decreto municipal, não podemos frequentar nenhum estabelecimento sem máscara.

Eu estava indo comprar cigarro, responsável por 8 milhões de mortes, anualmente. A segunda maior causa de óbitos no mundo. Mas tinha que estar de máscara, para evitar uma gripe.

Eu, honestamente, não sei até que ponto o brasileiro vai continuar aceitando todos estes desmandos. Não entendemos, ainda, que uma ditadura não acontece da noite para o dia. Não acordamos em um regime totalitário. As liberdades vão sendo minadas aos poucos, de forma quase imperceptível.

Governadores e prefeitos, apoiados pelo judiciário, estão fechando vias e, por vezes, cidades inteiras; confiscando propriedades privadas; cerceando nosso direito de ir e vir; nos impedindo de trabalhar e estabelecendo, agora, trajes obrigatórios para a restrita circulação que nos permitem.

Forças de segurança já foram colocadas, em diversas ocasiões, contra a população (desarmada arbitrariamente pelo Estado, desde 2005). Algemaram mulheres, algemaram um epilético. Deram-lhes tratamento que, caso fosse dado a um criminoso, seriam denunciados por todas as entidades de Direitos Humanos.

Pelo jeito, teremos que entender, da pior forma, que quando abrimos mão da liberdade, em troca de promessas de segurança, acabamos sem nenhuma das duas coisas.

"O governo existe para proteger as pessoas de outras pessoas. O governo passa do limite quando ele protege as pessoas delas mesmas." (REAGAN, Ronald)

Felipe Fiamenghi

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