Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?

Quando olho para cenário político atual, penso imediatamente nessa frase de Guimarães Rosa:

“Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?”

A maioria das crianças deseja ter um animal de estimação. Eu, desde muito pequena, tenho memórias da minha admiração por gente. Morava na fazenda, e enquanto todos se ocupavam dos bichos, eu queria conhecer pessoas, explorava cada pessoa, sem distinção ou discriminação, como se cada uma fosse uma obra de arte.

Essa paixão por gente continua na idade adulta, escolhi, acertadamente, a profissão de Psicóloga, a qual me dedico há mais de 30 anos.

Entretanto, de uns tempos pra cá, o meu otimismo inveterado, a minha fé no ser humano, sofreu um abalo sísmico, precisamente, nessa era da internet, onde a consciência do mundo globalizado invadiu os meus sentidos, ampliou o meu horizonte, e passei a ter contato, ainda que virtual, com pessoas e políticos sem escrúpulos e corruptos.

Por ocasião das últimas eleições para presidente (2018), houve uma espécie de despertar coletivo da nossa população na esfera política no Brasil.

Os viciados em tecnologias chegam ao consultório com uma nova obsessão: os assuntos políticos.

Nos últimos dois anos, venho observando o agravamento da saúde mental da nossa população.

Esse fato se deve, em grande parte, ao acesso dia e noite às mídias sociais, que por si só já faz mal, imagine então, quando recheada de notícias sobre corrupção, disputas eleitorais, catástrofes. E, recentemente, fomos surpreendidos pela notícia de que um “vírus chinês” ameaçava as nossas vidas, e como medida protetiva, nos foi imposto o confinamento, dentro das nossas próprias casas.

O que fazer? Buscar notícias para entender como nos cuidar, para livrarmos da morte iminente.

Imagens de chineses caindo aos montes na rua; o número assustador de óbitos na Itália; imagens de gente agonizando circulando nos aparelhos celulares, caixões enfileirados para incineração solitária depois de um agonizante fim...

Estado de choque! Vamos todos morrer?

Um inimigo invisível determinou o afastamento dos nossos amigos, parentes, pais, avós. E de repente, não mais que de repente, os netos são afastados por tempo indeterminado de seus avós, os filhos confinam seus pais idosos, que, por medo, acabam confundindo isolamento com abandono (sei de uma bisa que ligou para a bisneta, para informar que o vírus não passa por telefone).

Será o “Triste fim de Policarpo Quaresma?” Lembrei-me vagamente, que ele vivia sozinho e isolado.

Sozinhos e perdidos estamos todos, nesse mar de notícias assustadoras.

A sensação é de estar vivenciando um novo “Brumadinho!”, muita lama por trás das notícias.

Ao que tudo indica, o maior perigo não está no coronavírus, está sim, no uso político dessa real doença, que aflige a todos, para estabelecer o caos em nosso País, na tentativa de enterrar vivo um governo, que foi eleito legitimamente pelo povo.

Mais de um ano de governo e a oposição não aceitou a eleição do nosso Presidente, e, desavergonhadamente, tramam dia e noite para destitui-lo do cargo; “tomar o poder” como prometeram que o fariam. O presidente venceu as eleições, mas, nunca teve um dia sequer de paz para governar.

Qual é o papel da oposição? Senão fiscalizar as ações ou omissões do governo e ajudar o governante a corrigir os erros e cumprir os compromissos de campanha? e não ficar apontando suas características de personalidade, e promovendo um assassinato de sua reputação para roubar-lhe o cargo legitimo.

Não seria o caso de a oposição exercer o seu papel dentro dos princípios constitucionais? De moralidade, impessoalidade, probidade? Com foco nos interesses que sejam coletivos.

A oposição está na verdade, subestimando o povo, uma verdadeira divisão se estabeleceu na eleição para presidente, uma esquizofrenia social.

Conseguiram dividir a população em duas categorias; direita e esquerda.

É um crime o que esses políticos estão fazendo com a população.

Somos um povo cansado, exaurido, descrente, desagregado, deprimido, carente de segurança e de direitos.

Escrevo, para mostrar a minha indignação e alertar para os perigos desse modo de fazer política, pois, está fazendo mal à saúde das pessoas, que estão vivendo no modo “luta ou fuga” por tempo prolongado, e isso tem consequências muito danosas para a saúde do corpo e da mente.

Qualquer psicólogo, psiquiatra, pode atestar o crescimento da demanda em nossos consultórios, cujas queixas recorrentes são: ansiedade, distúrbios do sono, depressão, transtornos obsessivos, transtornos de personalidade diversos, síndromes, doenças psicossomáticas. E cabe aqui, a observação de que será preciso, avaliar o impacto futuro do isolamento social e suas consequências físicas, psicológicas e econômicas.

A família brasileira enfrenta uma gigantesca crise: ética, política, econômica, institucional.

Não há um só dia de trégua.

Desapareceram das televisões os programas educativos.

A maioria das notícias são catastróficas e tem efeitos tóxicos para seus telespectadores.

Quem vai pagar essa conta?

Cabe aqui os seguintes questionamentos e advertências:

Quando a oposição vai aceitar que perdeu a eleição? E que só terá uma chance de sobrevivência política?

Trata-se de fazer uma oposição consistente, que apoia, que aponta caminhos, que esteja em sinergia com as soluções do governo. Que pense de fato, no bem do País.

Seria muito bom não subestimar o povo. Houve um despertar. As pessoas estão obcecadas por política, estudam, escrevem, opinam e, sobretudo, estão de olho em vocês.

Saberão exatamente em quem não deverão votar.

Muitos já estão mortos politicamente.

Impressiona-me a falta de autoavaliação e de inteligência emocional.

Com esse perfil de oposição ineficaz e criminosa, tentam derrubar o presidente, sob a alegação de transtorno mental, ou incapacidade para governar.

Quero saber se algum de vocês, suportaria tudo o que ele passou: tentativa de assassinato; continuação de seu projeto político, em meio as várias cirurgias; a humilhação de ter que usar uma bolsa de colostomia; milhares de sinceros desejos de morte, enviados pelos adversários e seus marionetes, publicados nas mídias sociais; sofrendo ataques bullying e cyberbullying com os diversos apelidos pejorativos; Perseguição constante ainda hoje.

Apesar de tudo, conseguiu montar uma equipe de ministros de primeira linha. Equipe essa enxovalhada e desmerecida pelos adversários perdedores. Está claro, a covardia dessa oposição?

Sabemos que é muito difícil, hoje, em meio ao caos em que vivemos, encontrar uma pessoa normal, equilibrada. Mas, também nunca foi tão fácil avaliar o perfil psicológico dos políticos da atualidade e, posso garantir, poucos passariam em uma Avaliação Psicológica.

E para finalizar, faço o meu apelo aos políticos bem intencionados, que honram o voto recebido, que estão de fato alinhados ao povo, que intercedam por nós, para que sejamos dignos de gozar o direito de ver o nosso presidente cumprir o seu mandato, em paz.

Que ele tenha o direito de entrar para história como o primeiro presidente autêntico, aquele que pôs fim na era de políticos demagogos e camaleônicos.

Pode ser visto por enquanto, como o imperfeito, pois, segundo o mestre, “só o imperfeito pode evoluir. O perfeito já se estagnou, cristalizou-se. Portanto só o imperfeito tem futuro”.

Bernadete Freire Campos

Psicóloga com Experiência de mais de 30 anos na prática de Psicologia Clinica, com especialidades em psicopedagogia, Avaliação Psicológica, Programação Neurolinguística; Hipnose Clínica; Hipnose Hospitalar ; Hipnose Estratégica; Hipnose Educativa ; Hipnose Ericksoniana; Regressão, etc. Destaque para hipnose para vestibulares e concursos.

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