A economia do Carnaval. Qual o impacto para o país?

Nestes dias em que o país para e o povo se diverte, qual é o impacto para a sua economia em crise?
Apenas uma pausa, para esquecer as agruras da realidade?
Uma queda na atividade econômica, pela  paralisação  da  produção industrial e de serviços?
Um aumento da atividade comercial pelas compras de produtos carnavalescos e consumo das bebidas?
Um aumento do PIB do setor hoteleiro?
Uma injeção adicional de recursos pelos gastos dos turistas estrangeiros para participação no carnaval?
A economia do carnaval movimenta bilhões de reais. Isso foi identificado por diversos estudos. Mas compensará as perdas pela paralisação dos demais setores da economia?
Os dias de carnaval movimentam uma produção industrial anterior, ora consumida, e cuja reposição não será imediata. A produção industrial de abadás, para o carnaval da Bahia, as fantasias, o material para os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo, ocorreram antes e não tiveram o dom de reanimar a indústria brasileira, apesar da substituição de importações. O eventual impacto positivo sobre a produção industrial já ocorreu. E no conjunto não deverá compensar a queda adicional da produção, com os dias parados. Embora uma produção "normal" não encontrasse suficiente compradores.
Com a crise econômica os consumidores retrairam as suas compras, os seus gastos. No carnaval os carnavalescos "abriram as burras" e gastaram ou estão gastando mais.  
Nos Carnaval de Dilma I, com o dólar contido, grande parte, talvez a quase totalidade dos produtos de Carnaval foram importados. Agora com o dólar reajustado, muitas encomendas industriais voltaram a ser feitas no Brasil, principalmente em São Paulo.
O primeiro estudo sobre a economia do carnaval carioca, que elaborei, hà alguns anos atrás, mostrou que o principal beneficiado pelos gastos com os materiais para o carnaval era a indústria paulista. Os abadás do carnaval baiano, as camisetas promocionais eram predominantemente produzidos pela indústria têxtil paulista. Ou catarinense. Que posteriormente perderam para os chineses. 
Os brasileiros se divertiam e os chineses ganhavam. Não sei o quanto mudou no carnaval de 2016.
O aumento do dólar deve ter provocado outro fator econômico positivo. 
No Carnaval muitos endinheirados (e também outros nem tanto) aproveitavam para viajar ao exterior. No Rio de Janeiro, vários alugavam o seu apartamento para turistas estrangeiros e usavam o recurso para uma viagem ao exterior. Alguns trocaram a viagem ao exterior para viagens dentro do país. Provavelmente o balanço do comércio exterior do carnaval de 2016 será superavitário. Com benefício do setor hoteleiro.
Os estudos mostraram, no entanto, que os principais gastos dos turistas estrangeiros, eram com a passagem aérea, comprada no exterior. Neste setor também, agora em 2016, as empresas aéreas brasileiras devem ter sido favorecidas pela maior movimentação interna.
O setor de hospitalidade, incluindo hospedagem/alojamento, serviços de refeições e de atendimento aos turistas (vans, guias etc) seria o mais beneficiado, com exceção da Bahia.
No auge do Carnaval, muitos botecos em Salvador estarão fechados. O que parece um contrassenso. Mas o baiano explica: não tem gente para preparar a comida, nem para servir: estão todos na folia, o tempo todo, ou "fora de combate".
O carnaval puxa a produção, gera milhões empregos - ainda que temporários - movimenta a economia, em volumes não desprezíveis. Mas o impacto conjunto sobre o PIB ainda não foi medido.  
A paralisação com 2,5 dias, fora as extensões anteriores e posteriores, sem expediente bancário, o que é o indicador de feriado de negócios, tem uma repercussão negativa macroeconômica ampla. O exemplo da Copa do Mundo em 2014 foi bem ilustrativa, nesse sentido. Depois de realizada e levantadas as contas, a Copa foi responsabilizada pela queda do PIB nesse ano.
Com a ampliação de participação da população nos folguedos carnavalescos, ampliando a perseguição aos trios eletricos em Salvador ou ao Galo da Madrugada no Recife e, agora, com os milhões de cariocas nos blocos e também em São Paulo, os otimistas calculam a movimentação de milhões de reais com o Carnaval de Rua. Será? 
Jorge Hori

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