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A politica atual faz mal a saúde mental

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A internet passou a ocupar a base da pirâmide de Maslow; está na mesma categoria das necessidades básicas, tem muita gente que não come, não dorme, não se relaciona, não faz sexo, etc. Mas, não vive sem internet.

Os efeitos do uso exagerado da internet já foram estudados e mostram alterações no cérebro das pessoas e pode ser classificado dentro dos distúrbios de controle dos impulsos. Apesar do evidente dano que o mal uso da internet causa à saúde da pessoa, vou chamar a atenção aqui para outro fenômeno:

O que faz com que tanta gente gaste seu tempo nas mídias sociais?

De viciados em vídeo games e de jogos online, evoluímos para viciados em política.

Evoluímos, não só metaforicamente. Evoluímos mesmo.

Desde as últimas eleições, de uns dois anos para cá, ocorreu uma espécie de despertar da consciência política do cidadão comum.

Pessoas de todas as classes sociais passaram a ter opinião, voz e vez de falar e postar o que lhe der na telha.

Vimos também o nascimento dos youtubers, pessoas de diferentes idades, viraram comentaristas políticos, na tentativa de traduzir as notícias, veiculada por uma mídia partidária, sem compromisso com a qualidade das informações; podendo com isso, atender o público das diferentes demandas partidárias.

Progresso. Deixamos de ser analfabetos digitais e políticos.

Mas, a que custo? Qual a energia que move essas redes? O ódio. Sim o ódio! sabe o que é ódio? É um estado afetivo, uma paixão. Geralmente negada por nós e sempre atribuída ao outro.

Eu amo. Logo, você odeia! E eu odeio você por não amar.

Paradoxo. Loucura total.

Nesse mundo de relações liquidas, de distanciamento físico, de egoísmo, de hedonismo, de uso e abuso do poder; o ódio vem estrelando nas redes desse nosso mundo globalizado, carregado de idealizações, ou seja; o inferno é sempre o outro, o que está em oposição a mim.

Um perigosíssimo vicio está em ação; o de querer mudar o outro, a força, para seu próprio bem.

Essa obsessão, decorre em parte, da infelicidade pessoal, das mágoas e ressentimentos acumulados; raiva mal gerida, curtida em fogo brando durante anos, que agora, achou um canal para expressão: a internet.

Amor e ódio sempre caminham juntam; faz parte da natureza humana e da nossa ambivalência emocional.

Todos a quem amamos, queremos fazer “picadinho”, de vez em quando.

Não é impróprio esse sentimento. O que é impróprio é o comportamento.

Podemos aprender a amar e, igualmente, a odiar. São paixões que aprendemos a reconhecer e a nomear pela relação entre o EU e o objeto.

Sendo assim, como justificamos odiar os desconhecidos? Por que o ódio por adversário político? Existe ódio do bem?

Esse ódio das massas endereçados aos políticos adversários, manifestado por xingamentos, intolerância às concepções alheias, insultos, cyberbullying e fanatismo; entendendo por fanatismo o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente. Sinto informar que esse ódio é patológico, próprio de personalidades com tendências à rigidez, que cultiva a dicotomia bem/mal, onde o mal reside naquilo que contraria seu modo de pensar, levando-o a adotar condutas irracionais e agressivas, podendo até mesmo desejar a morte do outro.

Quem chega a esse extremo já não está mais saudável, possivelmente, está longe da sua humanidade, pois, um homem ou mulher que chega a essa condição, tem ferimentos antigos, raiva, tristezas e uma série de imagens mentais que não conseguiu apagar.

Desse modo é vulnerável emocionalmente e pode “escolher” uma figura de autoridade idêntica a pessoa que lhe feriu no passado, para culpá-la de todos os danos sofridos. Isso justifica o ódio gratuito por pessoas que não se conhece.

Entretanto, a pessoa acometida pelo ódio não percebe que ela NÃO MATA o outro, mata a si própria, pois, o sistema biológico, ao sustentar o ódio, produz respostas cardiovasculares e respiratórias. O que significa dizer que a pessoa pode morrer de ódio. Estamos literalmente morrendo de ódio.

Onde fica o amor humano nos tempos atuais?

Vejo o amor e o ódio em uma gangorra. O amor está no chão. O ódio está elevado.

Quando o amor está no chão, só nos resta odiar, para manter viva a paixão, a ilusão de estar lutando por algo nobre.

É preciso compreender a utilidade do ódio, reconhece-lo e significá-lo.

O que seria de mim e de você, se não tivesse o outro para acusá-lo do que eu sou? Colocar nele as feiuras e o horror que na verdade está em mim? O que teria eu a aprender com a pessoa odiada?

A relação humana consiste na busca eterna do justo equilíbrio entre o amor e o ódio.

Um fato parece novo no cenário político atual: é o de que muitas pessoas parecem estar sucumbindo a essa realidade de ódio expresso nas redes sociais.

A grande massa apresenta sinais de desgaste de desesperança e desequilíbrios psicológicos.

Indícios muito concretos de que a forma como se exerce a política atual está, seguramente, fazendo mal a saúde mental da população.

Muitas personalidades sensíveis podem perder as esperanças e assim desencadear transtornos psiquiátricos diversos.

E ainda mais quando as figuras de autoridade, políticos de alto escalão do governo do País, de quem se espera no mínimo segurança e proteção, mostram-se reiteradamente envolvidas com embates, por questões irrelevantes, usando as mídias para atacar os adversários.

E, lamentavelmente, isso acontece a nível global; personalidades políticas do mundo todo estão usando mal as redes sociais.

É o sujo falando do mal lavado. Numa demonstração clara de falta de inteligência emocional e de falta de consciência de que as mídias, só estão refletindo o verdadeiro caráter do homem moderno, que, de moderno não tem nada; mostra-se tão troglodita quanto o homem das cavernas, com a diferença que, o homem das cavernas lutava pela sua sobrevivência, por comida. E o homem atual luta pelo poder. O poder pelo poder.

Vossas excelências precisam aprender logo que, esse tipo de poder já não é mais viável. Houve um despertar coletivo, e como disse Einstein, a mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original.

Pelo menos a minha abriu. A população não aguenta mais tanta picuinha.

Precisamos de homens adultos no comando desse País, não de meninos imaturos, em busca de interesses pessoais.

Para o alto escalão da política Brasileira, não é facultativo amadurecer. É urgente.

Precisamos de líderes assertivos e emocionalmente competentes.

Não dá para conceber que gastem suas energias com os problemas e não com a solução.

Foco na solução!

Já é mais do que tempo de criarmos uma nova realidade.

Bernadete Freire Campos

Psicóloga com Experiência de mais de 30 anos na prática de Psicologia Clinica, com especialidades em psicopedagogia, Avaliação Psicológica, Programação Neurolinguística; Hipnose Clínica; Hipnose Hospitalar ; Hipnose Estratégica; Hipnose Educativa ; Hipnose Ericksoniana; Regressão, etc. Destaque para hipnose para vestibulares e concursos.

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