Chega ao fim mais um JN... E mais um massacre foi ao ar...

Segundo a linha editorial, Bolsonaro errou ao receber empresários em Brasilia, para que explicassem pessoalmente como os empregos estão sendo dizimados pelo mesmo virus que ceifa vidas, e sobre como o próprio desemprego vai levar mais e mais pessoas (exponencialmente) à morte, a curto e médio prazo.

Eles explicaram ainda que representavam setores que empregam, nada mais, nada menos, do que 38 milhões de trabalhadores formais e que muitos provavelmente sequer voltarão a encontrar vagas "informalmente", se algo não for feito com urgência.

Este "algo", segundo a fala do presidente no encontro, seria a reabertura gradual da economia, mantendo os cuidados e as regras de proteção e isolamento, com supervisão do Ministério da Saúde, junto a estados e municípios... Mas, para a Globo, está errado....

A sequencia da reportagem foi uma avalanche de políticos de oposição e, claro, o presidente da OAB, falando contra, com notas, ataques e etc ... pra finalizar, tinham que mostrar os exemplos práticos "para garantir a lavagem cerebral dos telespectadores".

Uma reportagem com empresários de outros setores, os que não foram atingidos pelas novas regras de isolamento.

Ah, a soja não foi atingida, continua exportando e bateu recorde.

O setor de alimentos e abastecimento, bem como o de transporte e logística destes produtos continua funcionando... claro, afinal como poderemos continuar ouvindo besteiras. Todo mundo tem que comer para se manter vivo.

Mas, nem uma única palavra sobre o recorde no aumento de preços promovido pelos supermercados em todo o país. E nem mesmo uma linha sobre restaurantes, lanchonetes e afins, que tiveram que fechar portas, enquanto os fast foods continuam funcionando como se nada tivesse acontecido (mas estes podem, afinal, são os que gastam fortunas em publicidade e seguem no ritmo do "amo muito tudo isso!") ...

E pra completar, a palavra de um empresário do setor de medicamentos que, acreditem, em plena crise de saúde não parou de funcionar ... será que poderiam ser mais óbvios?!?

Claro que quem produz remédios não iria parar, bem como ainda recebeu uma isenção fiscal quase total (um dos primeiros atos do governo, assim que foi anunciada a pandemia), para produzir mais e vender a preços acessíveis, na busca da cura...

Eis que pra Bonner "caras e bocas " e Cia, o governo está errado, e mais vale um CPF vivo do que um CNPJ vivo, como se isso pudesse ser dissociado e os participantes da reunião estivessem ali para promover uma troca macabra.

“Vamos matar pessoas e entregar ao diabo, em troca da salvação das nossas empresas”.

E não parou por ai. No dia em que os juros básicos atingiram o patamar mais baixo da história, a 3% ao ano, uma notinha de 30 segundos e ponto. E ainda arranjaram tempo pra atacar Paulo Guedes, que se nega a aceitar que não se congelem salários dos servidores públicos até o final de 2021, como contrapartida para garantir que se tenha o dinheiro para repassar a estados e municípios, no combate a doença e para garantir que haja dinheiro, justamente neste momento de aperto, para que os governos cumpram com seus deveres fiscais, inclusive o salário dos mesmos servidores, em risco pela falta de arrecadação de impostos.

Estes, em queda vertiginosa (ué, mas a economia, segundo a reportagem da Globo, não estava ok? portanto, girando e arrecadando normalmente?).

E pra fechar em grande estilo, a repercussão da reportagem de uma revista britânica e um de seus jornalistas renomados, que acredita que o todo o mal do Brasil nesta época de coronavirus é o presidente JB.

Jornalista este que nunca colocou os pés em terras tupiniquins, mas que se julga especialista nos fatos nacionais, com base no que tem acompanhado pela mídia.... Vou repetir.... O jornalista da Inglaterra se julga conhecedor do que acontece aqui pelas informações que colhe diariamente na mídia. Fatos, que segundo ele mostram que tudo o que tem sido feito de bom para combater a pandemia vem de baixo e tudo o que é ruim e pode aumentar as mortes vem de cima.

E nem uma palavra da dependência extrema destes mesmo governadores e prefeitos do dinheiro da União ou de como recebem este dinheiro e usam de forma inadequada, em contratos superfaturados e com claros indícios de desvios. Sim, a "corrupção", o vírus que mais matou e ainda mata em nosso pais! Situação com a qual o jornalista britânico, ainda bem, não tem tanta intimidade.

E fecham-se as cortinas para o espetáculo da demonização, na expectativa dos próximos capítulos (e olha que nem falei da reportagem de um lado só e sem retórica, sobre as gravíssimas denuncias de Moro, que destruiu o país ..., só que não!).

Reitero aqui que nunca votei em Bolsonaro (aliás não voto em ninguém há 5 eleições, por nunca ter encontrado um único ser, nas três esferas de poder, que me conquistasse a confiança), mas que estou começando a me arrepender.

Não porque o considero o "homem do ano, solução para todos os problemas do Brasil", o "cara da república" ou o "senhor da democracia", ... mas só pelo gostinho de contrariar meus colegas hipócritas e covardes que jogaram o jornalismo no lixo, em troca "sabemos bem de que"!

Mario Abrahão

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