As lições do carnaval e as diversas crises do Brasil

O Brasil está enfrentando simultaneamente várias crises. A mais sensível é a política, por incorporar elementos emocionais, envolvendo a torcida por um ou por outro, ou a favor de um e contra o outro. Os pequenos grupos que se digladiam o fazem por interesses pessoais, econômicos e de poder.  Mas acabam contaminando grandes multidões. Gera uma grande expectativa, mas terminado o jogo ou o campeonato passa para o campo da estatística e das lembranças. Para o país o mais importante não é quem vai ganhar ou perder, mas que se encerre o mais breve possível. O que, efetivamente, parece difícil, dado o equilíbrio das forças em contenda. Ninguém quer ceder.
A nova crise é sanitária, com a epidemia da zika virus e a associação do vírus com os casos de microcefalia em nascituros. Depois do pânico inicial, tende a perder importância geral, ficando confinado às estatísticas e aos casos particulares. Ficará mantida na pauta da mídia, em função das Olimpíadas e da desistência de delegações em vir ao Brasil.
A crise econômica tem um impacto maior e real sobre a vida das pessoas, seja pela carestia, como pelo desemprego e, consequente, perda de renda.
Os economistas e o Governo apontam a falta de confiança e o desânimo com as razões principais para a continuidade da recessão e dificuldade de reanimação da economia. 
Os carnavais, por todo o Brasil, mostram que o desânimo do brasileiro não é com a sua vida, tampouco com o país.
Apesar da crise foram pular nas ruas. Qualquer que fosse a música e não apenas o samba. O negócio é pular, pular e  .... beber. Só não vai com os blocos quem está morto, ou é doente do pé. As Escolas de Samba driblaram a falta de recursos, redução dos patrocínios e mantiveram o nível de ilusão de riqueza, com muito brilho e tecnologia. 
Os economistas gostam muito de usar a figura do "despertar o espírito animal" dos agentes econômicos, com reanimar a economia. Os blocos carnavalescos, apesar ou até por conta da crise, despertaram o espírito animal carnavalesco da população que foi aos milhões às ruas. Fez milhares de pessoas sairem da cadeira, de casa, para se juntar a outros tantos para festejar.
O que não falta ao brasileiro o espírito animal contido e reprimido. Como despertá-lo para reanimar a economia, como os blocos o fizeram para reanimar o carnaval de rua?
É o grande desafio pós-carnaval.
Jorge Hori
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Jorge Hori

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