Cidadania: É contigo mesmo

É de secar o coração observar que muitas pessoas perderam completamente a esperança na representação pública dos cidadãos. Infelizmente é compreensível, justificável e sinal de que as pessoas estão vivas e atentas, porém caminhando para uma espécie de depressão coletiva.
Eu sou um cara bem comum, mal remunerado, que faz milagre com o que recebe; que convive diariamente com a injustiça, que desce como uma bigorna jogada do alto pra acomodar-se confortavelmente (ponto de vista de quem joga) na cabeça do cidadão menos favorecido; nós, trabalhadores de nível operacional - chão-de-fábrica, serventes todos; empregados domésticos e diaristas; boys e secretárias; atendentes, auxiliares disso e daquilo, e mais uma galerona.
Não é à toa que se muitos perderam a esperança. Não vou desperdiçar nenhuma linha descrevendo os males que nos afligem, e as injustiças que engolimos como sapos nojentos e vivos, todo dia, todo dia... todo dia!
A essência que inspira minha argumentação ultimamente (antes belicosa) é de busca pela conciliação, pelo entendimento. Repito quantas fezes se fizerem necessárias: o litígio não nos leva aonde pretendemos chegar, tenho fé.
Cidadania é um conjunto de direitos e deveres mais ou menos pré-determinados. Deveriam pautar a relação do indivíduo com a sociedade (indivíduos e instituições) numa cidade qualquer.
Para tanto, há um sistema político representativo que rege “quem” serão os representantes da população, “como”, “onde” e “de que forma” exercerá a representação que lhe fora conferida para trabalhar em defesa dos interesses públicos. Até aqui, tudo certo.
Muitos têm a ilusão de que “passado o pleito as coisas mudam”, sim, é uma ilusão. 
As tais “coisas” já foram constituídas pra funcionar dessa forma que vemos hoje: cidadãos a quem foi conferida representação a fim defender os interesses da população, trabalharem de fato em benefício próprio e de meia dúzia de protegidos ou padrinhos, formando uma aberração que podemos chamar categoria profissional de “políticos”. Alteram-se, sim, postura e discurso do candidato, ora eleito. 
Aí o eleitor desanima e ninguém, naturalmente, tem o direito de criticar ou reprimir. A única coisa que podemos fazer diante da crescente adesão à opção de protesto na forma de voto-nulo ou na abstenção, é argumentar.
Nos próximos artigos desta série vou tratar de sistema de de representação presidencialista e sistema parlamentarista; voto distrital; liderança de bairro. Suas vantagens e desvantagens, pra que, do começo, possamos pensar colaborar de modo eficiente e útil com a sociedade.
O exercício da cidadania vai muito além do ato de votar. Ao contrário do que muitos pensam, exercer cidadania não se restringe a desfrutar direitos, mas de cumprir também alguns deveres.
Se você que está lendo não é o típico ermitão – aquele que vive só e isolado – você é um cidadão, goste disso ou não; vive num sistema dito democrático, queira ou não; uma vez que recolhe impostos (tudo bem, não recebe a contrapartida combinada na Carta Magna) e se o Estado não cumpre sua parte no “acordo”, te dá, teoricamente, direito de descumprir a sua também. Isso de fato, mas não de direito. Isso é legal? É, é legal, mas não é gostoso.
O conceito de cidadania pressupõe a participação direta ou indireta no sistema político que rege sua cidade.
Quando o tema é insatisfação, é muito comum que se ouçam ou digam expressões da seguinte natureza:
“Político é tudo igual!”
“A culpa de tudo isso não é minha, não votei nele(a)”
“Essa gente do tal partido é responsável pelo que passamos”
E a lista é infinita.
Todos estão equivocados no que tange ao fato de excluírem-se de processo que fazem parte.
Para um convívio civilizado é necessária a assimilação (algo mais profundo e eficaz do que ou compreensão) do que é uma coletividade. Quando duma decisão coletiva, “nós” decidimos de tal forma, sempre. Incluem-se no “nós” os favoráveis e os contrários à decisão tomada pela escolha democrática. 
Nós somos responsáveis por tudo o que o ocorre na sociedade, acertos, erros, gestos louváveis e também os reprováveis. Tudo é realizado (ou não) por nós. Capiche? Bora.
Muita gente reclama da Presidente, de cada um dos Senadores, do Congresso inteiro, e não sabe se seu bairro tem uma representação ativa. Você sabe? Eu não sei, mas agora sinto-me obrigado a levantar esse informação, e mais, fazer algo com a informação que obtiver, seja ela qual for. E você, topa?
Se sabe, como participa desse processo? Tem notícias do que é decidido em seu nome? Participou, mesmo que apenas votando, da eleição que colocou seu vizinho com seu representante? Então.
Trata-se de uma questão de ponto de vista.
A abstenção, sob meu ponto de vista, assemelha-se à atitude do menino que se esconde por detrás das mãos sobre os olhos
É preciso muita disposição para abrir os olhos e partir para o trabalho efetivo? Sem dúvida alguma. Pois estão todos convidados. 
Creio ser mais eficaz ir ocupando as funções de representação de baixo para cima.
O artigo já está grande inaugura – diante do volume imenso de temas a serem tratados em matéria de cidadania – a segunda série de artigos a este colunista se dedicará doravante.
João Henrique de Miranda Sá 
Escritor e redator autônomo
jhmirandasa1931@outlook.com
(67)8126-4663
Portfólio em http://www.facebook.com/jhmirandasa1931
Fontes:
http://goo.gl/2jgbxu 
http://goo.gl/igyJmu 
http://goo.gl/F1S8FE 
http://goo.gl/YDY273 

João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

Mais de João Henrique de Miranda Sá

Comentários

Notícias relacionadas