Regina Duarte: Saber a hora de sair de cena...

“Algumas vezes é preciso silenciar, sair de cena e esperar que a sabedoria do tempo termine o espetáculo.”

A atriz Regina Duarte, iniciou a sua carreira em 1965, com mais de 50 anos de atuação, interpretou personagens marcantes na TV. Graças à telenovela “Minha Doce Namorada,” ganhou o título de "Namoradinha do Brasil" em 1971. Uma bela e talentosa atriz, que despertou muitas emoções e paixões na juventude da sua época.

Entre esses jovens, certamente estava o Jair Messias; que nem sonhava um dia convidar a “namoradinha” do Brasil, para ser Secretária de Cultura do seu governo. Ao ser convidada, com uma ligação telefônica em que o presidente disse: “quero você”, deixou pistas de era seu fã. Regina hesitou. Falou que não tinha experiência, não entendia de gestão. Pediu tempo pra pensar. Enquanto isso, apoiadores do presidente levantam Hashtag #AceitaRegina, nas redes sociais.

Por outro lado, a emissora de TV em que ela trabalhou a vida toda, passou a tratá-la como ex-funcionária, mesmo antes de pedir demissão.

Regina sabia interpretar papéis. Será que daria conta desse papel da vida real, sem script, com consequências imprevisíveis? Embora com o cenário nebuloso, mas, embalada pelas hashtags, aceitou. Mal sabia ela que esse seria o papel mais difícil da sua vida, não pelo cargo em si , mas, pela drástica mudança de status, de “namoradinha do Brasil,” para “fascista.” Sofreu ataques de todos os lados. Mas, suponho que os mais dolorosos, tenha sido ver a sua classe de atores e atrizes, alguns com quem contracenou, transformá-la em um monstro fascista por apoiar o governo. Não percebem que eles é que estão projetando nela a maldade que está dentro deles. Pessoas parasitas que grudaram na visibilidade da Regina para aparecer. E as perseguições e bulling não param.

Chegaram a fazer um manifesto: “Regina Duarte não nos representa”, assinado por mais de 8.500 pessoas na internet. Foram muitas as humilhações. E ela aguentou firme. E você aguentou firme, não é mesmo?

Sabe Regina, não é sobre sua competência que estão questionando. É sobre seu brilho.

Queria poder lhe dizer pessoalmente: você me representa! Como atriz e ainda mais como pessoa! Eu e boa parte do Brasil somos grata(os) por sua arte, por dar vida a personagens tão edificantes, e por deixar esse legado de ternura e beleza inigualável.

Entre as falcatruas da mídia, os telefonemas duvidosos, as tentativas de melar a sua relação com o presidente, e a covardia da sua classe artística, que invejosos da sua luz, tentaram apagá-la.

E você Regina, foi obrigada a sair de cena antes de o espetáculo acabar. Fez bem. pois, esses hipócritas acabariam com você. Mas, não vale a pena falar nem mais uma palavra sobre eles.

Quero falar sobre você. Como boa atriz , uma coisa você aprendeu muito bem: soube a hora de sair de cena, deixar o palco. Hora de tirar esses holofotes que poderiam cegar você. E veja que é preciso ter uma grande capacidade artística e sabedoria, para saber a hora de sair de cena. Devemos aprender que às vezes não depende de nós, e retirar-se assim, com classe, com leveza, com graça. Sem necessidade de desgastar a relação com quem um dia te deu valor.

O vídeo em que aparece junto com o Presidente Bolsonaro, explicando a sua saída, ainda que haja controvérsia, vejo uma troca de gentilezas, como se quisessem preservar o encanto inicial da relação. A impressão que tenho é que “quebraram-se algumas telhas, mas, ainda vive a construção.”

Parabéns Regina pela coragem de enfrentar o mundo real. O Brasil agradece o seu sim. O Brasil entende o seu não. Não somos imortais. Você está na sua melhor idade. Tempo de estar ao lado daqueles que verdadeiramente te amam e te respeitam. Fez a sua melhor escolha. Poderá ser substituída nesse cargo que ora deixa. Mas, jamais será substituída nos papéis de mãe, irmã, avó... Você não precisa provar nada pra ninguém a essa altura da vida. Bem vinda ao mundo real! Você ganhará outras batalhas no campo pessoal, com menos estresse, com menos esforços. Viver. Amar e Deixar um legado. Esse é o palco da vida.

“Você pode ter defeitos, viver ansiosa(o) e ficar irritada(o) algumas vezes, mas não se esqueça de que sua vida é a maior riqueza do mundo. E somente você pode evitar que ela vá à falência. Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você.
Gostaria que você sempre se lembrasse de que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem desilusões. Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros. Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza. Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos. Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.” (Fernando Pessoa)

Bernadete Freire Campos

Psicóloga com Experiência de mais de 30 anos na prática de Psicologia Clinica, com especialidades em psicopedagogia, Avaliação Psicológica, Programação Neurolinguística; Hipnose Clínica; Hipnose Hospitalar ; Hipnose Estratégica; Hipnose Educativa ; Hipnose Ericksoniana; Regressão, etc. Destaque para hipnose para vestibulares e concursos.

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