O caso Celso Daniel, sempre lembrado e nunca esclarecido (Veja o vídeo)

Pouca gente sabe, mas o irmão de Celso Daniel, Bruno José Daniel Filho, e a cunhada, Marilena Nakano, moram em Paris desde 2006.

Na França, são considerados pelo governo como 'asilados políticos'.

O pedido de 'asilo' foi feito pelo casal ao Ofício Francês de Proteção aos Refugiados e Apátridas (OFPRA), órgão competente para avaliar solicitações de abrigo a pessoas que sofrem perseguição política em seus países de origem.

Bruno e Marilena foram vitimas de sérias ameaças, tudo porque exigiam a elucidação do assassinato do ex-prefeito de Santo André.

Bruno e Marilena perceberam em tempo que, caso prosseguissem, estavam marcados para morrer.

O assassinato de Celso Daniel é provavelmente um crime político sem precedentes na história do Brasil.

Para não permitir que o crime fosse desvendado, mais sete pessoas foram assassinadas, ou pelo menos tiveram mortes extremamente suspeitas.

A solução apresentada pela polícia foi ridícula.

O inquérito policial concluiu que criminosos sequestraram Celso Daniel por engano. Isso mesmo, por engano. Ele, segundo o infame relatório da polícia, teria sido confundido com uma outra pessoa, um comerciante, que seria o verdadeiro alvo do sequestro.

Um menor de idade 'confessou' ter sido o autor dos disparos e oficialmente o caso foi encerrado na polícia.

Certa ocasião, um dos promotores do caso mostrou ao menor uma foto de Celso Daniel. Este não conseguiu reconhecer a pessoa na foto, sendo posta em dúvida a hipótese de ele ter sido o autor dos disparos que vitimaram o prefeito.

Enquanto isto, iniciava-se uma série de homicídios e mortes suspeitas, com o claro objetivo de impedir que o homicídio fosse desvendado.

Um sujeito que foi preso, de nome Dionísio Severo, ameaçou contar tudo o que sabia sobre o caso. Morreu na cadeia, dois dias após a ameaça. Seu comparsa, conhecido como Sergio 'Orelha', também foi morto. Um investigador de polícia de nome Otávio Mercier, ligado a Dionísio Severo, levou dois tiros dentro de casa.

O garçom Antonio Palácio de Oliveira, que serviu a mesa onde Celso Daniel jantou, momentos antes de sua morte, também morreu assassinado, com ele foram encontrados documentos falsos e um depósito suspeito de R$ 60 mil em sua conta corrente.

A única testemunha da morte do garçom, Paulo Henrique Brito, vinte dias depois, também foi assassinado.

Na série de homicídios de pessoas com alguma ligação com o caso, chegou a vez do agente funerário Ivan Moraes Rédua. Ele levou dois tiros pelas costas. Tinha sido o primeiro a reconhecer o corpo de Celso Daniel, ainda jogado na estrada, e a chamar a polícia.

A última morte da série, atingiu o médico-legista Carlos Delmonte Printes, que examinou o cadáver de Celso Daniel. Ele dizia que o ex-prefeito de Santo André foi brutalmente torturado antes de ser assassinado. Estranhamente, o laudo oficial sobre a morte do legista concluiu que ele cometeu suicídio.

Bruno Daniel, o irmão de Celso, já em segurança, na França, concedeu uma entrevista na qual acusa o então chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, Gilberto Carvalho, de nada ter feito para esclarecer o crime, insinuando a sua participação.

O detalhe sórdido é que a gravação de uma conversa entre Gilberto Carvalho e o empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido também como 'Sombra', que acompanhava Celso Daniel no momento do suposto 'sequestro', demonstra clara intenção de dificultar a investigação, não permitindo a elucidação do crime.

Vejam o vídeo.

Amanda Acosta

Articulista e repórter
amanda@jornaldacidadeonline.com.br

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