Covid-19 e a fantástica oportunidade de gastar dinheiro público sem licitação (veja o vídeo)

É preciso fazer uma análise racional das medidas de combate à pandemia

É preciso fazer uma análise racional das ações que estão sendo tomadas pelas esferas de governo no combate à pandemia. Afinal, se de um lado o governo federal está gastando um dinheiro que não tem, de outro a sociedade está em grande parte parada, gerando a maior onda de desemprego da história. Será que, pelos menos, governadores e prefeitos estão fazendo uso adequado desse dinheiro? Minha impressão, infelizmente, é que não.

A primeira ação foi tomada no começo de fevereiro, pelo governo federal, que emitiu decreto dando condições para que governos estaduais e municipais tomassem as providências necessárias. Atitude correta. Primeiro porque estamos numa República Federativa. Segundo porque num país tão amplo, com realidades tão diferentes, é justo que cada município procure uma solução de acordo com as necessidades.

O problema é que os governadores viram nisso duas oportunidades: gastar dinheiro sem licitação e fazer pressão política para derrubar Bolsonaro. Todo mundo viu essa pressão. Até muita gente que não gosta do Bolsonaro ficou enojada com tamanha canalhice. Primeiro, deixaram rolar o carnaval. Depois, começaram a campanha do pânico e a quarentena que já dura mais de dois meses.

Em vez de criarem protocolos de segurança, trancaram as pessoas em casa e difundiram o medo. Em vez de concentrarem doentes em hospitais de campanha, espalham doentes por vários hospitais, expondo mais gente à contaminação. Em vez de incentivar uso de máscaras desde o início, esperam quase 2 meses pra dizer que máscara é essencial. Em vez de reduzirem a lotação dos transportes coletivos, reduzem as frotas, aumentando a aglomeração de quem trabalha com serviços essenciais.

Em vez de investirem no tratamento precoce, mandam as pessoas de volta pra casa, onde contaminam os parentes, e depois voltam para serem internadas na UTI, onde o tratamento é caro e com menos chance de sobrevivência. Em vez de informação contextualizada, pra dar o senso correto das proporções, só contam mortos, só mostram covas sendo abertas.

Algo errado não está certo.

Confira:

Herbert Passos Neto

Jornalista. Analista e ativista político.

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