A dialética do Virus

Sabemos que os esquerdinhas se movem no mundo pela força do "nós-e-eles".

A cabeça dos esquerdistas parece composta por dois lóbulos, duas minúsculas porções de cérebro que funcionam de forma exclusivamente alternada.

O lóbulo esquerdo – politicamente correto – ao ser acionado inunda a criatura com a sensação de detentora da bondade universal.

O lóbulo direito, se acionado causa horror e polui a sensação de bondade.

Os conceitos gravados num lóbulo não se misturam com os gravados no outro. Ou seja, são antagônicos, são díspares e muitas vezes não guardam relação de significado entre si.

Por exemplo, quando alguém exclama:

"Ó Céus, uma p-a-n-d-e-m-i-a no mundo mas ele, ELE, com uma criança no braço ?!?!?!?! E – pior – SEM MÁSCARA !!!"

Os lóbulos são preenchidos aos pares, assim: justiça X capitalismo, bondade X meritocracia, democracia X golpe, etc.

Aí vem Bolsonaro e anuncia a cloroquina, aos quatro ventos. Ora, custava ficar calado?

Ao ouvir o anúncio, automaticamente o lóbulo esquerdo nas cabecinhas cor-de-rosa se inundou da necessidade de quarentena. Ora, falar "quarentena" passou a ser politicamente correto.

Até um bondoso conselho foi criado e inundou as falas. "Fique em casa, fiiique eeeem caaaasa". Oh, como soa doce e amorosa a expressão!!!

Agora, o repertório de pares antagônicos se enriqueceu com mais esse:

Se falar "cloroquina" é "bozo";

Se falar "quarentena" é pura bondade.

Quer dizer, se uma pessoa normal contrai o vírus, provavelmente tomará cloroquina e daí uns dias estará bem.

Mas, se um esquerdinha desenvolve a doença e não abre mão do "nós-e-eles", provavelmente seu destino será a entubação.

Enfim, alguns esquerdas talvez, neste exato momento, sofram com o dilema da "dialética" cloroquina X quarentena e, quem sabe, isso consiga abalar o eleitorado do PSOL, de Ciro, e do Novo dentre outros.

Pedro Jales

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