Fascismo, Bolsonaro e o Politicamente Correto

Cresci ouvindo sobre as peripécias do meu bisavô materno, que era coronel no interior do Rio Grande do Sul; sendo eu educado, em grande parte, pelo filho dele (1912-1997), que se tornou psiquiatra, pediatra e preso político (por pouco mais de 40 dias) por defender ideias comunistas, além de assíduo defensor do Fidel Castro (o monopólio da mídia na época dele o levou a acreditar que Cuba era um lugar justo e de boa vida para todos); e também tive como referência o meu avô paterno, que fora general do exército e adido militar na década de 1950. Muito vivi com o meu avô comunista e li alguns conselhos do meu avô militar aos seus filhos em cartas.

Os 3 eram diferentes, mas tinham os mesmos ideais: liberdade, respeito e patriotismo! Nenhum deles concordaria com a prisão de uma pessoa que estaria sentada no banco de um parque proibido de ser frequentado por causa de uma pandemia; de idosos que estariam se manifestando de maneira absolutamente pacífica ou de um cidadão que queria abrir a loja para poder prover para si e a sua família, mas que fora preso por se negar a não trabalhar.

Eu nunca imaginaria que poderíamos viver uma violência contra a liberdade tal qual como tem acontecido neste país em pleno século XXI.

A origem do atual fascismo (da palavra “feixe” e que representa a ideia de opressão a quem não quiser se submeter às imposições das pessoas pertencentes ao clube em questão) no Brasil seria fruto da “mortefobia própria e de quem ama” explorada sagazmente pela mídia com “trilha sonora hollywoodiana” e lágrimas reais de pessoas enlutadas.

Esta exploração é essencialmente motivada por razões financeiras-políticas que se coloca como imparcial (para quem acredita em “Coelho da Páscoa”); além de “governantes” narcisistas (“mortefóbicos” também?) sedentos por holofotes e mais poder, que provavelmente se olham no espelho e pensam o quão boas pessoas são, justificando os mais fascistas atos com tons de bondade.

Aí, alguém pode com um olhar colérico questionar: “CoronaVírus mata! Falta de dinheiro não!” E para não ser grosseiro, pode-se apenas responder: “quantas pessoas a miséria econômica tem matado na Venezuela nos últimos anos?”

E poderia vir o contra-argumento: “Não somos a Venezuela! Temos mais dinheiro! Aguentaremos! Ninguém morrerá por falta de dinheiro provocada pela crise econômica disparada pelo COVID-19!”; e poderia ser respondido: “quem paga as suas contas? Quem paga a comida dos seus filhos e os remédios das pessoas que estão doentes na sua família?”. Independentemente da resposta, muitos que não trabalharem, não conseguirão pagar as contas acima citadas.

Aí, poderia vir a pergunta: mas qual a saída? E o preambulo de uma série de possíveis respostas, seria: estamos numa situação em que se opta pelo menor dos males, não haverá opção alguma que seja bonitinha ou perfeita.

A resposta que defendo é “liberdade de escolha” com a recomendação de que seja proposto e explicado à população a letalidade de cada grupo de pessoas por idade, e eventual quadro pré-existente que a aumentaria, sendo incentivado (não exigido sob pena de encarceramento) o uso de máscaras e luvas, assim como distância de 1.5 metro, evitando contrair ou disseminar o vírus.

E na eventualidade de ter contraído o vírus e saber disso, ficaria obrigatório o uso de máscara e uso constante de álcool em gel, sob pena de multa se não usá-los. Nestes termos, todos seriam responsáveis por si. Quem sair de casa, saberá exatamente das possíveis consequências de o fazer.

Infelizmente, pessoas morrerão independentemente da decisão tomada, mas é necessário ter claro os prós e contras a curto, médio e longo prazo de manter o confinamento como está e como tenderia a ser ao fazer alguma alteração nele; e com base nisso, que cada indivíduo tome as suas decisões, não o prefeito ou governador.

Embora extremamente limitadas as previsões estatísticas de como seriam os efeitos em mortes e qualidade de vida em cada uma das decisões (quarentena horizontal, quarentena vertical ou lockdown); uma coisa é certa: crises econômicas matam os pobres e classe média muito mais do que se pensa, e algumas epidemias provocadas por bactérias e vírus mataram e tenderão a continuar matando muito mais do que o “Vírus Corona de 2019” e se você ainda não concorda com isso, busque escrever no “Google”: “morte por pobreza no século XXI” e “morte por epidemias no século XXI”, você terá uma péssima surpresa.

Caso você não precise sair de casa para se sustentar financeiramente para não ficar pobre e aumentar a sua probabilidade de morte antes do que seria se não fosse por este contexto bizarro, #fiqueemcasasedecidir; mas ninguém tem o direito de impedir outra pessoa de buscar o seu próprio sustento e o da sua família, com um trabalho honesto e digno. Cada cidadão precisa tomar a própria decisão de maneira lúcida, sem imposições fascistas de governadores e prefeitos.

Quase todas as pessoas do Brasil querem as mesmas coisas, não importa se forem militares, socialistas, capitalistas, heterossexuais, homossexuais, negros, brancos, homens, mulheres, católicos ou judeus: liberdade e respeito! Apenas buscamos caminhos diferentes para estes mesmos fins, mas não acredito, de maneira alguma, que mais do que um pequeno punhado de pessoas, por mau caráter, fobia ou ignorância, seja a favor da opressão da liberdade.

Bolsonaro, no vídeo apresentado no dia 22 de Maio, foi contra a opressão da liberdade; a favor da possibilidade de cada cidadão se defender com armas; a favor de aprofundar uma péssima investigação que – dementemente - afirmara que Adélio teria agido sozinho e mostra ser determinantemente contra a omissão de ministros sobre o fascismo imposto por alguns governadores, sendo que alguns destes ministros ficaram magoados. Caso alguém tenha dúvida sobre o fato do Presidente ser fascista ou não, pergunte-se quantas pessoas ele colocou na cadeia por não terem obedecido normas ridículas sobre o comportamento de um indivíduo no enfrentamento da Pandemia.

Vale lembrar ainda da capacidade de injustiça da qual parlamentares são capazes ao pedirem que o governante de uma nação de mais de 200 milhões de pessoas, sem ter cometido crime algum, entregue o seu celular para uma “auditoria”; é uma piada digna de show de “Stand Up”.

Para defender os seus justos ideais, o Presidente do Brasil usou palavras que afetaram pessoas frágeis, que se melindraram na maneira e não se ativeram ao conteúdo do que ele disse. Não era um momento para um discurso belo, mas sim firme e justo.

Acredito que tanto o meu avô que fora preso na ditadura por ser comunista, quanto o que era general do exército, assim como eu, diriam que os ideais do presidente expostos no vídeo são honráveis e defendem os fundamentais valores humanos de Liberdade e Respeito!

Bayard Galvão. Psicólogo Clínico

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