Estudo revela que disparos feitos por policiais não tem qualquer ligação com raça ou etnia

Um estudo da Michigan State University (MSU) e da University of Maryland, publicado em 2019 pela Proceedings of the National Academy of Sciences (Leia aqui), aponta que não há disparidade entre policiais brancos e negros quanto a tiros contra civis de perfil chamado "minoritário" (no caso do estudo, negros e latinos). Ou seja, não há diferença na quantidade de policiais brancos e negros que atiram contra criminosos e suspeitos negros e latinos.

Munidos desses dados, os pesquisadores responsáveis, Joseph Cesario, professor de psicologia da MSU, e David Johnson, da University of Maryland, descobriram não haver possibilidade de alegar a existência de uma base racial na ação de policiais brancos contra suspeitos e criminosos negros e latinos. Essa é uma conclusão que se aplica a realidade geral imediata, ou seja, não é possível afirmar que há uma base racial controlando o dedo no gatilho de policiais brancos contra negros e latinos.

Esse estudo coloca em evidência a necessidade de julgar cada caso individualmente e não usando de uma base racial que demonstraram não existir, portanto, alegar que policiais brancos só atiram em negros e latinos por causa da etnia desses não possui base científica, advindo de uma mentalidade racista que se manifesta contra esses policiais pelo fato de serem brancos. Segundo o professor Joseph Cesario:

"Até agora, nunca houve um estudo sistemático em todo o país para determinar as características de policiais envolvidos em tiroteios com vítimas fatais.
Existem muitos exemplos de pessoas dizendo que, quando cidadãos negros são baleados pela polícia, são policiais brancos atirando neles. De fato, nossas descobertas não dão suporte à idéia de que oficiais brancos são tendenciosos ao atirar em cidadãos negros".

Cesario também informa que as mudanças nos quadros internos das polícias, para tornar a composição mais "diversitárias", pensando que isso diminuirá a quantidade de "minorias" baleadas em tiroteios com policiais, são inócuas. Completa afirmando que também não se pode dizer que as polícias são em-si racistas, ou que possuam motivações racistas em suas ações. Pode haver policiais que individualmente façam isso, porém não há evidências de que sejam de maioria branca, sendo necessário (frisamos novamente) julgar caso a caso, independente da cor ou etnia do policial.

Quanto à alegação de que, no geral, negros receberiam mais tiros fatais em tiroteios com policiais - independente da cor ou etnia destes - do que brancos, Cesario explica que isso ocorre devido ao índice de criminalidade de cada grupo racial, usando os dados obtidos pelo próprio estudo:

"Muitas pessoas perguntam se é mais provável que um cidadão preto ou branco seja baleado e por quê. Descobrimos que as taxas de criminalidade são a força motriz dos disparos fatais.
Nossos dados mostram que a taxa de criminalidade de cada grupo racial prediz a probabilidade de os cidadãos daquele grupo racial serem baleados. Se você mora em um município que tem muitas pessoas brancas cometendo crimes, é mais provável que pessoas brancas sejam baleadas. Se você mora em um município que tem muitos negros cometendo crimes, é mais provável que os negros sejam baleados. É o melhor indicador que temos de tiroteios fatais da polícia", finaliza o professor de psicologia da MCU.

Com informações do jornal de ciências sociais Phys.Org, do NPR e em David J. Johnson el al., "Officer characteristics and racial disparities in fatal officer-involved shootings," PNAS (2019).

Roberto Lacerda Barricelli

Jornalista e Historiador. Autor do livro "Em Defesa da Vida".

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