Idealização - Aí eu... Aí eu...

Aí eu... Aí eu...

O dicionário de português licenciado para Oxford University Press, esclarece:
Idealizar:
 1. Imaginar(-se) de maneira ideal <um pintor que idealiza seus modelos> | <idealiza-se ao falar de si mesma>
 2. Criar na imaginação; fantasiar, projetar, idear <idealizava um futuro diferente (para os filhos)>
 3. Fazer o plano ou planta de; planejar, projetar, idear <um conjunto habitacional modelo> | <uma campanha publicitária>
Nunca somos exatamente aquilo que dissemos ser. Tudo bem, você pode dizer: “Eu sou sim!”, ok. Eu não.
Lá se vão quinze muito bem aproveitados anos de psicoterapia e já entendo um tiquinho de um processo psíquico que em psicologia chamamos “idealização”.
A mente humana é cheia de armadilhas; mecanismos de que lança mão para lidar consigo mesma, isso é, para o indivíduo relacionar-se consigo e, principalmente, com o meio - e isso inclui todas as outras pessoas.
Parece complicado? Pode ser, sim.
A definição do dicionário indica o caminho bem claro aos que lidam bem consigo. A verdade é que nós vendemos um “eu” ideal pra nossa família, no trabalho, na faculdade, na rua, na igreja, até pro terapeuta empurramos aquele “eu” bacana, aquele que você acha o máximo.
Muita gente compra essa figura. Outras, por caridade, fingem não perceber o artifício íntimo e te deixam descobrir a verdade, no seu tempo, sem maiores constrangimentos, já outros... não.
Não sou psicólogo, mas vou arriscar uma análise leiga: a mente (o “eu”) é composta, basicamente, de “consciente” e subconsiente”. Em psicologia, aquela pra profissionais, é mais detalhado, tem o Id, o Ego e o Superego) cada um deles com suas características, funções, controvérsias; vai daí que para um leigo seria uma cilada versar neste rumo.
O clássico exemplo gráfico do “iceberg” é perfeito pra gente comum: a pequena porção exposta é nossa porção “consciente”; isto é, é aquela que acessamos e sobre a qual exercemos controle sobre, é onde repousa o conhecimento que temos ou forjamos a respeito do “eu” que vendo.
Já a porção enorme submersa é o que vou chamar aqui de “subconsciente”, simplesmente, é composta de nossas motivações reais, anseios, desejos (nem sempre louváveis), instintos (todos não-civilizados) e toda matéria-prima dos atos-falhos entre muitas outras coisas desconhecidas (geralmente ‘cabeludas’ e reprováveis). O “eu” que você refuta, mora lá, no subconsciente.
Ocorre que não há livre-trânsito de informações e conteúdos entre esses dois “ambientes íntimos”. Não há. 
O que ocorre é uma ditadura do subconsciente sobre consciência. Subconsciente acessa e controla a consciência, porém a consciência tem muuuita dificuldade de acessar subconsciente (espécie de “Deep WEB do ‘eu’”), e quando isso acontece o indivíduo fica sujeito a muito choro e ranger de dentes... depois passa.
Isso claro, isentamos de condenação ou título de canalha puro e simples, quem vende gato por lebre, inconscientemente, claro.
Considerando que as organizações e instituições, são de fato o seu capital humano, isto é, são as pessoas que a compõem e fazem acontecer e funcionar, podemos dizer que elas também idealizam-se.
Exemplos corriqueiros são os casamentos pra fins sociais, ou uniões “de aparência”: representam uma coisa que não são a fim de obter benefício, compor grupo, ou enganar a outrem ou a sociedade inteira.
Se uma família pode viver processo de idealização, imaginem partidos políticos, igrejas, confrarias, ONGs, OSCIPs... 
Imaginem que o PT, Partido dos Trabalhadores, refere-se a si e aos seus como um “partido de esquerda”!
Oras, basta observar análises econômicas de especialistas sérios e confrontar demonstrações financeiras dos bancos, por exemplo. Basta procurar saber quem foi que mais prosperou no período da ditadura petista, e veremos que nunca antes na história deste país houve (des)governo tão à direita quanto os (des)governos petistas.
A finalidade deste artigo é chamar a atenção de todos para o fato de que: se nem nós mesmos somos os que propagamos ser, imaginem vocês quem precisa do seu voto, da sua colaboração, do seu apoio. É, se ligue.
Deixo o apelo pra que toda vez que ouvirem de boca alheia “Eu isso”, “Eu aquilo”, “Aí eu...” - “Aí eu...”, desconfiem.
Procurem o “eu” declarado pelas bocas, nas atitudes e deliberações das figuras ou instituições que batem no peito e pintam lindos pavões.
João Henrique de Miranda Sá é escritor e redator autônomo
jhmirandasa1931@outlook.com
(67)8126-4663
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João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

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