A digitalização da sociedade e da vida: Como o universo digital pode ser a Salvação, mas também a maldição da humanidade

Neste ensaio, sobre o qual analisarei o COMPORTAMENTO SOCIAL, NUM AMBIENTE DIGITAL e de como ele está mudando o Universo em todos os campos das ciências e das relações humanas, vou apresentar para O NECESSÁRIO DEBATE, o tema que chamarei DIGITALIZAÇÃO SOCIAL DA VIDA e que faz contraponto com a chamada TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: uma revolução comportamental à partir de um novo MINDSET que tem sido estabelecido nas últimas décadas, e de forma acelerada nas duas últimas, à partir do surgimento da Rede Mundial – INTERNET.

Algo que vai ter impacto da POLÍTICA até a EDUCAÇÃO, TRABALHO etc. como comecei a escrever há cerca de 12 anos atrás (com o Artigo: A vida pela Janela do Smartphone) e de lá para cá, não parou mais de nos surpreender. Estamos vivendo uma segunda onda digital, que pode vir a ser uma Tsunami.

Preste atenção: O QUE VIMOS ATÉ AQUI FOI A TRANSFORMAÇÃO DA SOCIEDADE DE ANALÓGICA PARA DIGITAL. A DISCUSSÃO AQUI PROPOSTA É A DIGITALIZAÇÃO DA VIDA, algo que vai muito além do que vimos até aqui e que, em tempos de “FIQUE EM CASA” recebe uma injeção extra de DOUTRINAÇÃO por parte da mídia, dos “Algoritmos” e da Inteligência Artificial.

Se ao longo dos últimos anos nos ocupamos analisando e discutindo uma visão de organização social sob a forma de gerações, ou seja, a “rotulação de grupos” com base na maior ou menor aproximação entre uma sociedade “analógica” e “digital” e, nesse aspecto dividimos a sociedade em termos de ciclos de 25 anos, que é o tempo estimado em que uma geração sucede a outra, gerando filhos e dando continuidade à vida e à sociedade humana.

Assim, o que norteou o discurso até aqui, foi o enquadramento social com base nesses grupos ou “gerações”, a saber:

  • Tradicionalistas: adultos que foram atropelados pela sociedade Digital. Essa geração é atribuída às pessoas que nasceram até 1946, para as quais, por ter uma postura mais tradicionalista, se viu absolutamente desajustada nesse novo universo, baseado em tecnologia e hiper informação;
  • Baby Boomers: atribuída às pessoas que nasceram entre 1946 e até 1964, cujo nome está ligado a um Boom de nascimentos que ocorreu após a segunda guerra mundial.
  • Geração X: Nascidos entre 1965 e 1981 representando pessoas que atingiram a maioridade na década de 80 e que já tinham grande afinidade com tecnologia e seu impacto nos negócios e na sociedade. São também conhecidos como Migrantes Digitais, uma vez que tiveram seu desenvolvimento na “era analógica” e cruzaram a linha para a “era digital”, sem grande problemas em termos de adaptação.
  • Geração Y: também conhecida como Millennials, atribuída a pessoas que nasceram entre os anos 80 e início dos anos 90 e, este sim, um grupo fortemente impactado pelos avanços tecnológicos, onde podemos situar a Rede Mundial. Essa geração teve uma evolução orgânica relativamente ao universo digital e, de certa forma dão as cartas nos dias de hoje e, acredito, nos próximos anos.
  • Geração Z: atribuída aos nascidos em meados dos anos 90 e 2010. Essa pode ser chamada de Geração Nativa Digital, ou seja, são os filhos da “era Digital”, o digital corre por suas veias, ou quem sabe, por seus gens.

Se analisamos os perfis psicológicos e comportamentais que caracterizam os pertencentes a tais gerações, temos um mosaico extremamente interessante para analisar, o que podemos chamar de Sociedade Digital, onde as novas tecnologias têm um impacto fundamental e determinam, certamente, a sociedade em que vivemos nos últimos 25 anos.

Importante lembrar é que entre os extremos dessas gerações, temos um hiato considerável, ou seja, entre pessoas que tiveram que se adaptar a uma sociedade Digital e uma que nasceu e se tornou adulta num ambiente digital. Aqui, temos o ponto de partida para a discussão que pretendo propor, uma vez que essas gerações vivem no mesmo mundo e são regidas por uma espécie de modelo, cada vez mais presente, de EQUALIZAÇÃO.

Para tornar possível essa análise, considero importante segmentar e organizar o tema:

A ESTRUTURA PROPOSTA, CONTEMPLARÁ:

  • A DIGITALIZAÇÃO DA SOCIEDADE – Parte I: Uma Breve noção história sobre a Revolução que foi determinada pelo ambiente tecnológico digital, que tem como determinante, o surgimento da INTERNET no Brasil, à partir da década de 90 e com base num ambiente que se iniciou antes, nos anos 70/80, e impactou as demais gerações.
  • A DIGITALIZAÇÃO DA SOCIEDADE – Parte II: A Rede Mundial e o Surgimento de um Comportamento Digital que determinou gerações diferentes que passaram a coexistir, interagindo ou não e mudando e moldando os Relacionamentos sociais.
  • A DIGITALIZAÇÃO DA SOCIEDADE – Parte III: Os desdobramentos de uma SOCIEDADE DIGITAL até sua TRANSFORMAÇÃO, desembocando numa visão de DIGITALIZAÇÃO SOCIAL (que é diferente de uma visão de Sociedade Digital) e quais são os desdobramentos dessa visão que determina uma nova REVOLUÇÃO na história da Humanidade

Feita essa introdução, podemos ir em frente:

A DIGITALIZAÇÃO SOCIAL – PARTE I

O LIMIAR DE UMA PROFUNDA TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Estamos testemunhando uma profunda, e acelerada, transformação da SOCIEDADE HUMANA. Algo como as grandes REVOLUÇÕES que marcaram a história e significaram “Turning Points” culminando na revisão/remodelação de todos os campos da ciência e, com isso, determinando uma nova sociedade, antes local e hoje GLOBAL: mesmo que aspectos da cultura local tenham sua interferência, mas não a ponto de impedir ou interromper sua determinação.

Para gente que tem uma condição inata ou adquirida de perceber, existem sempre os sinais no horizonte que implicam na iminência de acontecimentos que só mais tarde vem a se materializar: estamos vivendo um processo de TRANSFORMAÇÃO social anunciada, cuja dimensão ainda nem pode ser totalmente imaginada, mas que já nos permite estabelecer uma visão clara do seu impacto, bem como sua direção.

Para entender isso precisamos, como sempre, de um pouco de história, uma vez que processos que determinam mudanças fundamentais na sociedade local (que revelam a cultura local), e agora mundial e que revelam um mix universal da cultura, nesse caso da cultura Digital, não acontecem da noite para o dia: existem determinantes que vão se combinando num grande mosaico para construir o quadro que, quando se instala surpreende à maioria das pessoas menos atentas.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Estávamos na segunda metade da década 1990 e o mundo já se ocupava em estabelecer modelos de entendimento das relações one to One, a partir de uma visão segmentada da sociedade relativamente ao mapeamento de comportamentos, de um modo geral, mas sobretudo do ponto de vista de desejos e consumo, como preconizou o Filósofo do Consumo Gilles Lipovetsky em obras como: A Era do Vazio, a Hipermodernidade e o Império do Efêmero.

Eu, como Diretor de Banco, estava profundamente engajado na compreensão desses fatores e de sua aplicação no modelo de segmentação de marketing do banco (no caso do Banco Real, que também tinha uma divisão chamada Metro Marketing Direto, que dava seus primeiros passos no que chamávamos à época de DATAMINING, ou comportamento de consumo).

Essa abordagem gerou um grande projeto no banco chamado de SUBSEGMENTAÇÕES, ou seja, o Banco que já adotava um modelo de segmentação, resolveu, com base em tecnologia, aprofundar e mapear as CADEIAS DE VALOR importantes, para desenvolver estratégias de atendimento e engenharia de produtos. Fui um dos grandes articuladores dessa estratégia e participei ativamente de sua as implementação, ao longo de uma década.

Foi no bojo dessa visão tecnológica/digital que vimos surgir se propagar o chamado WWW - world wide web, protocolo que determinou a chamada INTERNET.

Lembro, como se fosse hoje, quando o Sidnei Oliveira, meu colega de Banco que tocava o Projeto da Metro Marketing Direto (o datamining) e a divisão de Subsegmentação, me apresentou o Universo da Internet, que mudaria significativamente a minha vida.

UM DIVISOR DE ÁGUAS

Em tempos em que se discute “disrupturas”, um termo que está na moda para designar, dentre outros, a chamada TRANSFORMAÇÃO DIGITAL ou a mudança de MINDSET, termos que falarei mais adiante, a INTERNET surgia como a evolução natural do Marketing Direto (a TV onde “você podia enfiar a mão e pegar o produto”) mas, não só. Surgia o embrião de uma nova sociedade que determinaria uma reordenação de todo o conhecimento acumulado pela humanidade em quase 2.000 anos. O Mundo jamais seria o mesmo...

A percepção, como disse, que a Rede Mundial seria um fator de transformação social e, obviamente afetaria o que podemos chamar de “comportamento de consumo” ou a forma como os modelos de comunicação seriam apresentado ao redor do mundo, me fascinou por completo: decidi que queria fazer parte disso, num momento em que, como dizíamos à época vivíamos uma espécie de “evangelização”, como no tempo das grandes navegações.

Decidi mergulhar de cabeça nesse universo...

OS PRIMÓRDIOS DA INTERNET NO BRASIL

Ao decidir tomar parte na grande construção de um modelo Digital de comunicação e, porque não dizer, que moldaria o comportamento e a sociedade humana, fazendo surgir uma sociedade digital, aceitei o convite do Sidnei para, em conjunto com outros dois sócios (Pierre Schurmann e Flávio Ortolano), compor o quadro societário de um projeto que seria notório nos primórdios da Internet comercial no Brasil.

Me Refiro ao ACHEI (que depois seria rebatizado como ZEEK), um dos primeiros Mecanismos de Busca por aqui e que seria o engenho de buscas de provedores de acesso (ISPs) importantes como UOL, ZAZ (que se tornaria o Terra); Mandic e outros, dentre os 50 maiores. O ACHEI/ZEEK era forte e posicionado, cerca de 2 anos antes do GOOGLE existir, e foi à sua época, antes de ser vendido para a STARMEDIA em 1998, uma das 5 marcas mais notórias de Internet no País.

Havia deixado uma bem sucedida carreira no mercado financeiro, onde permaneci por 20 anos e 10 dos quais como diretor executivo de mercado do Banco Real. Assim, minha experiência e formação em Administração e Finanças, MBA em Marketing que tivera sido enriquecida nos últimos anos por um Bacharelado em Psicologia, com o intuito específico de me aprofundar no tema COMPORTAMENTO DE CONSUMO, viu na WEB, um desafio ALTAMENTE ESTIMULANTE.

Rolava o ano de 1997 e eu, como parte da missão, realizava como citei, palestras “evangelísticas” sobre o impacto da Rede Mundial nos negócios e na sociedade. Desta feita, palestrava para uma imensa plateia na histórica Fenasoft, do meu amigo e visionário, Max Gonçalves. O título era: VOCÊ PODE NÃO SABER, MAS SUA VIDA NUNCA MAIS SERÁ A MESMA.

Ao fim da Palestra, bem avaliada pelos presentes (que colocavam fichas coloridas numa cumbuca: Vermelhas, Amarelas e Verdes), notei um dos participantes que comentava com o colega, enquanto depositava uma ficha verde: “o cara é gente boa, mas fala umas coisas muito loucas”!

JMC Sanchez

Articulista, palestrante, fotografo e empresário.

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