“Sozinhas somos pétalas, unidas somos rosas”: Metade do mundo são mulheres. A outra metade os filhos delas

Depois de muita luta e intensa campanha nacional pelo direito das mulheres, em 24 de fevereiro de 1932 as Brasileiras conquistaram o direito ao voto. Entretanto, a conquista não foi completa.

O código Eleitoral da época permitia apenas mulheres casadas (com autorização do marido), viúvas e solteiras com renda própria pudessem votar. Anos depois, em 1946, as restrições ao voto feminino foram eliminadas, e a obrigatoriedade foi estendida às mulheres. Deixamos de ser cidadãs de 2ª classe para nos igualar aos homens no direito ao voto.

Entretanto, passados 88 anos dessa conquista, podemos constatar que os homens ainda formam a maioria no poder. Atualmente, com a cota de 30% para candidatas mulheres, já houve uma evolução, mas ainda está longe de igualar o poder masculino.

Foram séculos de persistência para chegar ao patamar de liberdade de hoje. Direito ao estudo, direito a trabalhar fora, ao uso da pílula anticoncepcional, direito ao divórcio, direito a licença maternidade, direito ao sistema de cotas nas chapas eleitorais, direito a ser protegida por leis: Maria da Penha e lei do feminicídio, entre outros.

Apesar das conquistas, a maioria das mulheres de nossa sociedade não parece satisfeita. Será que precisamos de mais igualdade de direitos? Ou de direito de igualdade, no sentido de humanidade. A primeira casa de um homem é o corpo da sua mãe. Se cada homem honrasse a sua origem não haveria desigualdade de gênero.

Sabemos que a vida das mulheres sempre foi de múltiplas exigências e, portanto, mais complexa do que a vida dos homens.

O que as mulheres ainda precisam conquistar?

Talvez fazer valer os seus direitos de representatividade na política. Na atual conjuntura, com 15% de mulheres eleitas, ainda está muito longe do ideal.

Desde as últimas eleições para a presidente, as mulheres do Brasil, de todas as classes sociais, e através das mídias sociais, vem demonstrando um interesse político individual e coletivo nunca vivenciado antes. Esse interesse das mulheres pela política pode ser a motivação que faltava para que alcancemos maior representatividade. Mas, a simples presença da mulher na política não implica necessariamente, no avanço das questões femininas.

Se desejamos igualdade entre homens e mulheres no processo eleitoral, devemos melhorar a qualidade na formação dessas mulheres, que vão pleitear o poder, pois, terão que apresentar características e habilidades diferenciadas do poder masculino, competitivo e corrupto que, infelizmente, hoje vigora.

Mas, para tanto, precisam reconhecer que o poder ainda continua nas mãos dos homens, dos políticos.

Trata-se de um tipo de homem que conhecendo a fragilidade da autoestima das mulheres, que por sequelas de milênios de des-importância, aceitam ser manipuladas por políticos sem escrúpulos, como vimos ocorrer nas eleições para presidente de 2018, quando um candidato experiente fez uma campanha alertando às mulheres sobre um certo candidato “machista, fascista” e em contrapartida, usando a pré-disposição natural de qualquer mulher para rejeitar esse tipo, lançou uma campanha em vídeo dizendo que “as mulheres iriam salvar o Brasil do fascismo”. Mulheres gostam de salvar.

Foi lançado o gatilho para o fortalecimento da campanha #elenão. Quem acredita que um candidato verdadeiramente machista, poderia salvá-las de outro suposto machista? Tem muito mais por trás dessas manobras, do que a nossa ingenuidade política possa compreender.

Embaladas pelos uivos desses velhos lobos da política, vimos um exacerbamento da rivalidade de mulher para a mulher. Dois movimentos: #elesim e #elenão marcou a divisão e as rixas entre as mulheres. A divisão permanece mesmo após a eleição do presidente Bolsonaro. Pois, as mulheres do movimento contrário, não o reconhecem como presidente, e muito menos as mulheres eleitas: nossas ministras, senadoras, deputadas, etc.

Essas mulheres eleitas enxergam além das palavras. Souberam aproveitar a oportunidade de ocupar um lugar de representatividade há muito sonhado e buscado. Ocupam seus cargos com sabedoria e verdadeiro empoderamento!

Com essa visível falta de união das mulheres eleitoras do Brasil, receio que o maior desafio que as mulheres terão que enfrentar no seu futuro político, venha das próprias mulheres.

Com as forças divididas, as rixas e as vaidades, só temos a perder o pouco que já conquistamos. Não há como lutar pelos direitos de todas nós. Será só um retrocesso enquanto nos tratarmos como inimigas. Com as regras de ação erradas não teremos força para lutar por coisa alguma, a não ser contra nós mesmas.

Estudos mostram que século 21 será o século das mulheres. Não dá para continuarmos com esse comportamento de idade da pedra lascada. Precisamos aprender a usar o nosso conhecimento intuitivo inerente à nossa natureza. Aprender a amar, compreender, reconciliar e curar umas às outras. Unidas, temos o poder de mudar o mundo. Somos força que produz vida física e espiritual.

Podemos começar com um desejo genuíno de mudança. Mudança para além do nosso quintal. Devemos almejar colocar o nosso coração naquilo que acreditamos valer a pena.

Será que vale a pena nos unirmos em prol de Brasil melhor?

Ou vale mais continuar a atender aos interesses de homens sem escrúpulos, que lucram com a nossa desunião?

O mundo precisa do feminino positivo, não do feminino negativo, próprio das bruxas do século passado, e é uma pena que muitas mulheres prefiram comportar-se como bruxas, megeras e mal educadas.

Esse comportamento é um indicador de infelicidade. É o preço que pagam por negar a sua natureza generosa e intuitiva, uma força que se não utilizada torna-se destrutiva, pois a generosidade não expressa transforma-se em amargura; inteligência negada dá lugar ao desvirtuamento.

A essência do verdadeiro do feminino não é coisa aprendida. É um poder que existe no seu interior de cada mulher. Quando usamos as forças de bruxa má, nosso prazer é temporário. Quando usamos as forças positivas, somos como uma linda melodia, que conforta e acalma.

É hora de usar a harpa para reconstruirmos nossos relacionamentos, demonstrando sentimento e amor. A harpa representa o poder de desenvolver um senso de valores, de afirmar o que é bom e verdadeiro, de apreciar o belo.

Dar foco para o positivo, restaurar a nossa fé no ser humano. Uma das grandes forças do feminino interno é a capacidade de deixar pra lá, de desistir do controle do ego, de parar de tentar controlar pessoas e situações, de entregar ao destino e esperar o fluxo natural do universo.

Tudo é perfeito na natureza. Não vai ser o nosso controle que vai mudar o nosso quadro político atual e certamente, não será o nosso descontrole e desunião também. Não se trata de pensar igual, mas, de desejar a igualdade de direitos e oportunidades.

Se metade de nós acreditou em uma causa, cabe a outra metade fazer oposição consistente e assertiva, exalando o nosso perfume e não o veneno. A alma dos governantes não reage ao veneno, só ao perfume! Devemos ter orgulho em ser mulher e entender a minha causa só faz sentido se for a causa de todas as mulheres, sem distinção de cor, raça ou credo.

Lutar com a armas certas. Unidas, temos mais chances de marcar o mundo com as nossas lindas presenças e deixar para os nossos filhos e para a próxima geração um legado de que possam se orgulhar.

Com sabedoria e a força da nossa união buscaremos a comum-união e assim chegamos à essência da frase do inspirado poeta: “sozinhas somos pétalas. Unidas somos rosas”.

Nascemos para florir!

Bernadete Freire Campos

Psicóloga com Experiência de mais de 30 anos na prática de Psicologia Clinica, com especialidades em psicopedagogia, Avaliação Psicológica, Programação Neurolinguística; Hipnose Clínica; Hipnose Hospitalar ; Hipnose Estratégica; Hipnose Educativa ; Hipnose Ericksoniana; Regressão, etc. Destaque para hipnose para vestibulares e concursos.

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