João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

Cidadania: Presidencialismo – a culpa é nossa

O cidadão brasileiro vive um momento de descrença, pessimismo e desânimo. Não é pra menos.


Muitos de nós dizem, com a testa franzida e sobrancelhas elevadas: “Votar pra quê?”, “São todos iguais!”. Não deixam de ter razão, considerando o regime político brasileiro.

A sensação de que nos tornamos reféns de nossos representantes é inevitável e revoltante, chega a cegar alguns de nós. Ainda mantém alguma esperança quem tem claro em mente que isso não é uma injustiça Divina. Não é.

Qual será sua resposta à seguinte questão: “O que ocorrerá se você mergulhar o dedo em água fervente?”. Há várias respostas possíveis: “Queimará meu dedo”, “Sentirei dor” e até “É claro que não farei isso!”.

É exatamente a mesma coisa que ocorre conosco no que tange ao cenário político eleitoral. Infelizmente, deste lado de cá da analogia, somos obrigados a mergulhar o dedo em meio hostil.

Qual seria sua resposta para à seguinte questão: “Você ferveria água numa panela pra depois mergulhar o próprio dedo?”

Deixo você com sua reflexão, volto no parágrafo seguinte.

O voto seria o dedo e a água escaldante seria o sistema político brasileiro. Nos habituamos votar e conviver sob um regime político que privilegia os interesses de pequenos grupos, os partidos, e de alguns indivíduos, os gestores públicos e representantes eleitos da população.

Presidencialismo é a única forma de governo democrática que experimentamos no Brasil, além da monarquia, barbaridade...

Nesta forma de governar o Presidente é soberano, não o povo. No presidencialismo o candidato a presidência necessita encantar o eleitorado só até o dia da eleição. Depois dela não precisa deles pra nada. É, pra nada mesmo.

Daí em diante ele precisa só dos membros do “Congresso”, Senado e Câmara de Deputados alinhados com seus interesses. E quando eu digo “seus” leia-se “deles”, ok? O povo, no sistema presidencialista, só tem alguma função ou importância nos dois meses de campanha eleitoral e é indispensável no dia do pleito.

Recentemente tivemos valiosa oportunidade de mudar radicalmente (pra muito melhor) o panorama político no Brasil. Aos 21 de abril de 1993, numa iniciativa tucana, no governo do ex-Presidente Itamar Franco, foi realizado plebiscito em que o povo decidiu entre sistemas Monarquia e República, além da forma de governo, presdiencialista ou parlamentarista.

Infelizmente, pra nossa desgraça, mesmo que o sistema republicano tenha vencido com folga o monarquismo, àquela época, por pura ignorância – considerando nunca havermos experimentado o parlamentarismo – ficamos com que o que aí estava, afinal “não se mexe em time que está ganhando”, diria o zé povão. Pois é... dançamos todos.

Hoje o que sustenta o planalto é uma aberração denominada “presidencialismo de coalizão”, que dá até raiva de ser obrigado a escrever sobre.

Não vou aprofundar no tema pois é sábado, e apesar do estado de coisas que vivemos exclusivamente devidas ao sistema político – e não aos próprios – os dias deste ano vem trazendo coisas boas, não pretendo fechar minha semana com azedume.

Presidencialismo de coalizão nada mais é do que uma convenção canalha em que não se governa uma nação; mas basicamente se administra orçamentos (a bem do gestor, claro), distribui-se cala-bocas milionários pra que se façam do governo uma banquinha de produtos pornográficos que são vendidos pra usar na gente. Não vou seguir adiante, creio  ter deixado bem claro o recado, quem quiser debater ou contestar, fique a vontade.

A mensagem deste artigo, pra quem ela não tenha ficado clara é: somos responsáveis por tudo aquilo que cativamos. Tudo que nos abate, partiu de nós, sem exceções.

Durmam com esta.

No próximo artigo da série “Cidadania” trataremos de conhecer um pouco do parlamentarismo.

João Henrique de Miranda Sá

Escritor e redator autônomo.

jhmirandasa1931@outlook.com

(67)8126-4663

Portfólio em http://www.facebook.com/jhmirandasa1931

                                                 https://www.facebook.com/jornaldacidadeonline

Se você é a favor de uma imprensa totalmente livre e imparcial, colabore curtindo a nossa página no Facebook e visitando com frequência o site do Jornal da Cidade Online.

João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

Siga-nos no Twitter!

Mais de João Henrique de Miranda Sá

Comentários

Notícias relacionadas