Tecnologia 5G exigirá novos smartphones, diz Claro e Anatel

Numa live de um pouco mais de 1 hora, o Presidente da Anatel, Leonardo Euler, revelou um pouco sobre o que pensa da tecnologia 5G, dos entraves legislativos e do monopólio das empresas de telefonias no Brasil. Porém, nos minutos 21 e 33 do hangout, respectivamente presidente da Anatel e vice-presidente das Relações Institucionais da Claro, Fábio Andrade, que também participava da conversa afirmaram que para usufruir da tecnologia 5G a população terá que trocar seus aparelhos de celulares por outros que possuem a nova tecnologia. Fiz um comentário com mais detalhes sobre a live no blog Teorítica.

Comentei no artigo anterior como as empresas Ericsson, a chinesa Huawei e a finlandesa Nokia estão despontando no fornecimento de equipamentos para a implementação da tecnologia 5G no mundo. Disse ainda que a norte americana Qualcomm anunciou um novo sistema para celulares que leva o 5G aos aparelhos de baixa renda. Pois bem, o que o hangout promovido pelo deputado federal Vinícius Carvalho (Republicanos-SP) revelou foi que a entrada do 5G no Brasil promoverá uma verdadeira corrida às lojas de celulares para a aquisição dos novos aparelhos habilitados para 5G.

Isto quer dizer que esse smartphone que você adquiriu por dez parcelas de duzentos reais com tecnologia 4G quadband não irá acessar a tecnologia 5G da frequência 3,5 GHz que o Presidente da Anatel afirmou ser a tecnologia 5G principal. O deputado que conduzia a live até ficou constrangido com as afirmações “poxa será que não teria como estabelecer uma forma de fazer um upload ou download, sei lá, para aliviar o bolso dos brasileiros?” o Presidente da Anatel recorreu ao tradicional “culpar a alta carga tributária do Brasil”.

Como se não bastasse, o vice-presidente institucional da Claro disse que a tecnologia 5G ainda vai demandar antenas “a média de 10 vezes mais que a 4G”. Num outro momento o Presidente da Anatel afirmou que existe no Estado de São Paulo um volume de antenas aguardando autorização para a instalação no equivalente do montante já instalado. Ou seja, estão tentando dobrar a presença de antenas de telefonia na paisagem paulista, mas o que impede, segundo destacou o Presidente da Anatel, são as legislações dificultosas dos municípios.

“Existia uma lei, esqueci o número dela agora, que falava do “silêncio positivo”. O que significava isso: após a solicitação para a instalação de antenas em 60 dias, caso a administração municipal que é responsável pelo ordenamento territorial se quedar-se silente, a aprovação da instalação estava tacitamente garantida ou aprovada” disse o Presidente da Anatel.

Dito de outro modo, o Presidente da Anatel está querendo se livrar dos trâmites municipais para que o licenciamento seja automático e as antenas de celulares tomem conta de vez das cidades, apostando na ingerência dos municípios no acompanhamento das solicitações.

Já teremos que trocar nossos celulares para usar o 5G, haverá um aumento de 10 vezes mais antenas em nossas cidades, o que falta? O Presidente da Anatel dizer que em matéria de telefonia o Brasil é um dos países mais competitivos do mundo. Segue o trecho da fala, que pode ser acessado diretamente na entrevista:

“Na telefonia celular é bem verdade que nós temos quatro grandes atores e pequenos atores ou atores regionalizados, além dos quatro grandes. Mas existem índices na literatura econômica que falam o que é competição: competição na verdade não é o número de players e nem de empresa, porque posso ter 10 empresas ou 20, mas se uma tiver 90% do mercado, isso não é competição. Então, se nós pegarmos os índices da literatura econômica, nós vamos ver que o Brasil é um dos países mais competitivos do mundo”.

Confira:

Talvez devêssemos ficar agradecidos por ter no Brasil quatro empresas de telefonia, penso eu ironicamente. Sendo que duas operam em conjunto, uma salvando a outra da falência; uma terceira, brasileira, está em vias de falência e uma quarta está tentando se firmar de vez no Brasil. Claro, que há competitividade entre elas, apenas, e com o 5G será levantado mais uma barreira de entrada contra novos players. Eis o monopólio das telecomunicações no Brasil.

Um dado que paradoxalmente intriga tudo isso é como a Anatel permite que três empresas estrangeiras dominem quase que completamente o mercado de telefonia celular no Brasil. A única brasileira em operação no momento tem seu valor acionário na região do 1 real – isto é, sem valor de mercado. Foi o completo desmonte das empresas de telecomunicações do Brasil nos últimos 20 anos. E não há nenhuma preocupação do congresso, entidades de classe e muito menos da extrema-imprensa em denunciar essa tamanha aberração.

Agora, descobrimos que teremos que comprar novos celulares para usar o polêmico 5G, e que a paisagem brasileira será poluída com 10 vezes mais antenas do que agora, e que a própria agência de regulação quer livrar-se das garras das leis municipais para proliferar antenas pelo Brasil para atrair o tal investimento. Então, eu pergunto: Por qual motivo mesmo temos agência reguladora de telecomunicações no Brasil?

Daniel Souza Júnior

Editor do blog Teoritica. Aluno do Programa de Mestrado em Administração da ESAG/UDESC.

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