Desculpem-nos pelo transtorno! O Brasil está em obras

A vida seguia seu curso frenético, próprio dos tempos modernos: trabalho, estudo, igreja, cinema, casa de amigos, aniversários, casamentos, formaturas, mercado, futebol, massagem, terapia, academia, shopping, bares, casa de parentes, viagens... tudo isso documentado e compartilhado nas mídias sociais.

Todos nós demasiadamente identificados(as) com o mundo externo. Trabalhamos para ganhar dinheiro, para morar bem, comprar coisas, construir patrimônio, constituir famílias e sermos finalmente felizes.

Nesse verdadeiro frenesi, correndo para um lugar que nunca se chega, fomos todos surpreendidos por um STOP CORONAVÍRUS.

A correria foi abruptamente interrompida. Toque de recolher. Todos obrigados a ficar confinados em casa.

O Tic Tac do relógio parecia entoar: Fique em casa! Fique em casa! Fique em casa! Fique em casa. Fique em casa. fique em casa... Esse mantra “fique em casa” me lembrou a música trem bala da Ana Vilela.

Será o aviso de que a gente é só passageiro prestes a partir!?

Não pode ser.

“Segura seu filho no colo. Sorria e abrace seus pais enquanto estão aqui ...”

Definitivamente não. Está proibido colo e abraços. Despedidas nem pensar. Calma. Não é o fim. Só umas férias fora do tempo.

Além das recomendações de lavar as mãos, usar máscaras e álcool gel, a lei “fique em casa” trouxe sugestões de como passar essa temporada: Leia um livro. Assista Netflix. Arrume o closet ou guarda roupas. Faça faxina na casa, faxina na mente, na alma.

O que “esses especialistas” não previram é que pessoas com medo, posicionada no modo de alerta, de luta ou fuga, com estresse a flor da pele, ficam automaticamente sem condições de relaxar e fazer atividades lúdicas em casa, enquanto dure a quarentena.

Impossível sair do modo acelerado e produtivo e entrar no modo zen e meditativo.

Todas as ciências humanas foram reprovadas no trato com o ser humano em tempos de pandemia. Pensaram tão somente na doença.

Usaram o medo para controlar os mais fragilizados emocionalmente.

Usaram a força coercitiva para controlar os rebeldes, que se recusaram a cumprir regras mutantes conforme os interesses de políticos e de representantes de órgãos de saúde.

Ignoraram as perdas desnecessárias a que submeteram a população.

Perda da rotina de trabalho, perda da utilidade, perda do emprego, perda da saúde, que podem ser sentidas como lutos; além do luto por morte.

Vivemos um processo de luto sem fim previsível.

Mas, a maior perda foi e está sendo a da saúde mental. Pessoas que antes eram normais, já apresentam transtornos de ansiedade, síndrome de pânico, transtornos Obsessivos, depressão, entre outros. Tristezas e decepção com nosso modo de viver, atinge a todos. Neste contexto, vivenciamos um luto gigantesco pela perda de esperança e de fé no ser humano.

Fracassamos no quesito educação e solidariedade.

Mas, ainda há tempo de fazer um apelo aos nossos representantes de cidades e estados, que tenham piedade do povo. Que sejam mais humanos, que não violem mais os nossos direitos.

Tenham consciência que a classe política continua gozando de todas as regalias e nada perdeu materialmente. Já os brasileiros, estão no limite das forças para manterem-se de pé.

O Brasil virou um grande canteiro de obras: inúmeras empresas do ramo de hotelaria, turismo, aviação quebraram. Além de milhares de outros setores.

Apesar de tudo, nem tudo foi em vão nessa eterna quarentena.

Sabemos agora até onde vai a vaidade e a ganância dos políticos. Sabemos que a ciência mais defasada é a ciência humana.

Experimentamos sentimentos de abandono, de insegurança, de injustiça, de orfandade, de impotência e de solidão.

Individual e coletivamente estamos mais fortes. É a primeira vez que passamos por crise da saúde e da política juntos.

Graças ao incansável trabalho de alguns jornalistas, comentaristas e Youtubers, que dão suporte ao povo, há esperança de renovação, de renovar- a -nação.

Imagino o Brasil visto de cima, com um grande cavalete escrito: Desculpem-nos pelo Transtorno! Estamos em obras para melhor atendê-los.

E imagino cada um de nós, usando uma camiseta escrita:

“Tenha paciência, ainda estou em construção!”

Aguardem!

Bernadete Freire Campos. Psicóloga

Bernadete Freire Campos

Psicóloga com Experiência de mais de 30 anos na prática de Psicologia Clinica, com especialidades em psicopedagogia, Avaliação Psicológica, Programação Neurolinguística; Hipnose Clínica; Hipnose Hospitalar ; Hipnose Estratégica; Hipnose Educativa ; Hipnose Ericksoniana; Regressão, etc. Destaque para hipnose para vestibulares e concursos.

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