Petrodólar com horas contadas: Cartel de compra de petróleo já está sendo preparado

Rússia e Arábia Saudita travam um duelo em meio a uma crise de procura por petróleo cru influenciado pela pandemia do COVID-19. Isso causou um colapso no mercado de petróleo.

Nunca foi visto uma queda tão grande nas negociações petrolíferas, e para voltar ao normal pode-se dizer que não será em um futuro tão próximo. “Foi um abismo sem igual” diz West Texas Intermediate (WTI), que comanda o assunto dos preços de petróleo nos Estados Unidos.

Produtores estão investindo pesado na indústria de xisto para evitar a falência; Estônia e China têm grandes indústrias no ramo. O mundo está cheio de petróleo, mas não há quem compre, nem mesmo há locais para estocá-lo. Com isso os comerciantes de petróleo começaram a pagar para que levassem o produto.

“USA Strong!” (Estados Unidos Forte!). Diz Trump.

Grandes números de contaminados e mortos nos Estados Unidos pelo “vírus chinês” fez com que o país assumisse um lugar pouco característico na liderança mundial no setor, o de coadjuvante. A China buscou logo ocupar lugar de destaque na Europa e Oriente Médio, aproveitando a queda repentina dos mercados, e isso pode ser fatal para o petrodólar, criado pelos Estados Unidos e Arábia Saudita. Tudo indica que esse poder e ataque chinês vem sendo arquitetado com Russos e Africanos há certo tempo.

Rússia tinha previsto que o xisto nos Estados Unidos pagaria caro pela guerra de petróleo, caso a Rússia e não Arábia Saudita levasse a melhor no campo geopolítico.

Sai muito mais em conta retirar petróleo do solo na Rússia do que nos Estados Unidos; afinal, Moscou possui menor dívida externa do que os sauditas. A China sendo um dos maiores compradores de petróleo do mundo está dando longos passos nessa direção de compra do petróleo Russo. Mesmo que pague mais caro.

Grupo de compradores composto por principais estatais de petróleo chinês ganhou o apoio do governo central, executivos seniores da China Petroleum (NYSE: SNP) e Chemical Corp., Sinochem Group Co., Cnooc Ltd. e PetroChina Co. estão em negociações avançadas para resolver os detalhes do plano.

A era do domínio de exportação Saudita terminou, apesar de não admitirem - e faz sentido no atual ambiente - eles continuam tentando ditar regras nos preços; tentaram ganhar terreno com redução dos preços massacrando suas receitas. Com o Riyal Saudita atrelado ao dólar e Rublos Russo de flutuação livre fizeram com que embarcassem 50% mais petróleo e receitas caíssem 65%. A China é a maior importadora de petróleo e com esse Cartel controlará os preços.

Claro que os chineses estão gostando de pagar menos pelo petróleo, mas indiretamente afeta seus mercados e a economia por barril não cobre isso. Mohammed Bin Salman perdeu a confiança chinesa, não querem um parceiro que só aceita moeda americana. Os chineses querem abafar Arábia Saudita e os USA no petróleo. Esse Cartel representa refinarias que importam em torno de 5 milhões/barril de petróleo por dia e o grupo quer emitir ofertas para Rússia e África, à vista; mas ainda tudo está em discussão. Isso faria com que se tornassem o maior comprador de petróleo do mundo.

Estados Unidos como o maior importador e a Arábia Saudita como o maior exportador criaram o petrodólar, sólido e bem aceito, trazendo a confiança de todos. Mas os chineses estão querendo aprofundar liquidez do yuan; dizendo que as coisas mudaram e querem junto com a Europa pagar o petróleo na moeda Russa. Além disso, querem que Xangai seja visto no mundo como dono do petróleo ditando as regras dos acordos.

A maioria dos mercados estabelece preços no início do mês, porém, o cartel quer trazer flutuação nos preços com negociação em tempo real. Isso fará que compradores determinem preços para comprarem. Mas esse cartel é instável e não traz confiança. O objetivo disso é negar bilhões para os Árabes e Trump, mesmo que seja pagando um pouco mais, e entregar para os parceiros Russos.

O mundo está sendo dominado pelo medo, sem um único tiro e com o apoio global.

Quem trouxe esse pânico para o mundo? Sim, lembrei!

Pelo visto o cartel tem uma liderança. Adivinha quem?

Claiton Appel

Jornalista. Diretor da Ordem dos Jornalistas do Brasil.


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