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"Vaidade... Definitivamente, o meu pecado favorito."

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Com a "quarentena", estando o mercado mais parado do que saci de patinete, aproveitei para rever alguns dos meus filmes preferidos.

A lista foi longa.

"O Poderoso Chefão", "Os Bons Companheiros", "Os intocáveis", "Casino", "Pulp Fiction", "Cães de Aluguel", "Cobra", "Janela Indiscreta" (Ah, Grace Kelly...), "Perfume de Mulher", "Charada" (Audrey Hepburn, né?), "Casablanca", a maioria dos "007" e, como não poderia deixar de ser, "O Advogado do Diabo".

Vendo a irretocável atuação de Al Pacino, representando o "Tinhoso" em pessoa e revelando sua predileção pela vaidade, é impossível não fazer um auto exame de consciência, por ser ciente do quão vaidoso sou, ou de lembrar da política brasileira, onde certas personalidades me fazem parecer o mais modesto e humilde dos humanos.

É possível, inclusive, questionar até que ponto a sanidade mental pode ser afetada por este "pecado", vendo as atitudes tomadas por alguns.

Kim Kataguiri, por exemplo, tinha tudo para ser um "astro" da política tupiniquim. Suas atitudes, desde o começo, me fizeram considerá-lo o próximo Lindbergh Farias, que teve um início bastante semelhante. Não errei. Ao sentir o primeiro gostinho do poder, o jovem MBLista se entregou totalmente à vaidade, acreditando ser maior até que o próprio presidente, que ajudou a elegê-lo.

Alexandre Frota, então, é um caso ainda mais grave. Após chegar ao ápice da decadência, saindo das telas da Globo para o "cast" da "Brasileirinhas", teve uma segunda chance nas urnas. Fantasiado de Conservador, o ex-galã e ator pornô se diplomou deputado e nem esquentou a cadeira antes de revelar-se um estelionatário eleitoral, traindo TODOS àqueles que, apesar de seu passado, lhe deram votos de confiança.

Joice Hasselmann é uma personalidade a ser estudada nas especializações de psiquiatria. Considerá-la doente, mitômana, é a forma menos cruel de avaliá-la. Caso contrário, somos obrigados a admiti-la como psicótica. Com um desequilíbrio impar, mania de perseguição evidente e capacidade de mentir -descaradamente- mesmo quando confrontada pela verdade, a mulher com mais votos para a câmara dos deputados, na história do Brasil, hoje tenta conquistar público postando receitas no seu canal do Youtube.

Mas nenhum destes nomes se compara a Sérgio Fernando Moro. O Super Juiz da Lava-Jato, Super Ministro da Justiça e Segurança Pública, o homem que prendeu o Lula, aplaudido em shows e restaurantes, alçado ao posto de herói nacional, com vaga praticamente garantida no STF, que se reduziu a um mero blogueiro, com uma coluna tão fracassada que acabou disponibilizada gratuitamente, porque não encontrou público pagante.

A queda foi tão abrupta, tão vertiginosa, que chegou ao disparate de sair em defesa de Gleen Greenwald, o jornalista que se associou ao hacker que invadiu a privacidade de altas autoridades da República, inclusive a dele próprio. Não se surpreendam se, logo mais, aparecer entre "afagos" com o ex-presidente que ele mandou para a cadeia. Ao que parece, o poço do ex-juiz não tem fundo.

Podemos continuar citando nomes, aqui, indefinidamente. João Dória, Wilson Witzel, Luiz Henrique Mandetta. Sem esquecer, claro, dos membros da nossa Suprema Corte. Como ignorar a vaidade de Alexandre de Moraes? A soberba o fez violar a Constituição que devia proteger, no intento de calar as vozes críticas. Uma arbitrariedade tamanha, que mereceu censura até de Marco Aurélio Mello.

Incapazes de aceitar as verdades ditas pelo espelho e inconformados com a popularidade de um outro "personagem", que sequer tem as suas vaidades, terminam no fundo do precipício, fugindo de suas próprias atitudes, como a Rainha Má de "A Branca de Neve"; um "clássico" que também se tornou um dos meus preferidos, depois que - como pai - pude assisti-lo na melhor companhia do mundo.

"A modéstia doura os talentos, a vaidade os deslustra." (MARQUÊS DE MARICÁ)
Foto de Felipe Fiamenghi

Felipe Fiamenghi

O Brasil não é para amadores.

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