JM Almeida

João Maurino Sernaglia  Almeida Filho. Bacharel em Ciências Econômicas e Ciências Jurídicas. Professor liberal de Matemática Financeira Aplicada. Investigador da Filosofia. Investigador Criticista/Racionalista

Lula quer o controle do Poder Judiciário

Para quem ainda não percebeu Dilma não é mais presidente

Certos acontecimentos na política brasileira que parecem ser uma coisa logo se revela outra diferente; não raro, decepcionantes.

José Eduardo Cardozo se despede do Ministério da Justiça, mas segue para assumir a Advocacia-Geral da União.

Cardozo é a mais recente vítima de Lula, o qual faz de Dilma seu avatar no jogo do poder.

Não nos esqueçamos de que o ex-presidente já derrubou dois ministros de Dilma: Aloizio Mercadante e Joaquim Levy (ex-Chefe da Casa Civil e ex-Ministro da Fazenda, respectivamente). E por que o fez? Gosto pessoal? Não! Puro interesse em garantir caminhos espinhosos entre ele e a PF, o MPF e o Judiciário, além de interferir fortemente na política econômica escolhida por Dilma, ainda que Dilma saia arranhada até o pescoço. O Brasil é assunto que secunda os interesses do próprio Lula e de seu partido.

Para quem ainda não percebeu Dilma não é mais presidente. Vive em estado de transmutação numa ordem de natureza ideológica petista que, ao menor sinal de que quando alguém não lhe serve mais seja jogado aos cães.

Ainda que não seja do desconhecimento geral, há muito, Lula queria Cardozo fora da pasta da Justiça, especialmente depois da deflagração da Operação Lava Jato, por entender que o Ministro não segurava as rédeas da PF a fim de proteger aos seus.

O que vem sendo cogitado na mídia é que a decisão partira do próprio Cardozo.

A essa altura, parece ser mentira.

Segundo notícias, Cardozo teria revelado aos amigos mais chegados que não suportava mais a pressão do Partido dos Trabalhadores – Lula principalmente – e que o PT não compreendia que a Polícia Federal (que é subordinada ao Ministro da Justiça) goza de independência funcional.

É verdade! A PF está subordinada ao Ministério da Justiça e tem sim independência funcional. Ocorre que, existem outras razões muito menos de sensibilidade pessoal e muito mais de estratégia para esses arranjos; as peças vão sendo rearrumadas no tabuleiro de sorte que o Rei Lula fique protegido. Mas, o risco do xeque imposto a presidente com a prisão de João Santana também impôs ao governo a necessidade de evitar – ou adiar – o xeque-mate, por que atingiria em cheio o próprio Lula.

Se fosse de fato a pressão reclamada por Cardozo, agora como Advogado-Geral da União, ele teria recusado a tarefa, pois, esta tende a aumentar na nova função. Cardozo fica mais livre, mais solto – logicamente dentro dos limites legais funcionais e do próprio ordenamento jurídico – porém, continuando, ainda assim, sua ingrata missão de defender a presidente, agora sem a desculpa de não poder interferir nas ações da Polícia Federal.

O que folga um tantinho é a influência de Lula sobre ele, mas não desvanece. De certa forma Cardozo livra-se dele, ao menos, por ora.

Não nos esqueçamos, por outra: o ex-presidente deixa claro, sempre que tem a oportunidade, de que não se conforma de estar sob o risco de investigação, pois se considera acima e à margem da lei.

O substituto de Cardozo na cadeira do Ministério da Justiça, Wellington César, é promotor do Ministério Público da Bahia, indicado por Jaques Wagner – também baiano –, e fica claro, como a luz do sol, responde mais aos anseios de Lula do que aos de Dilma, de quem é Ministro-chefe da Casa Civil. Que coisa! Sentem o cheiro?

Lula está com medo. Lula é ousado. Lula é aquele que faz o diabo para manter o poder. E o conceito de poder de Lula inclui a incolumidade, a inimputabilidade e a impossibilidade – remota que seja – de ser alvo de qualquer desconfiança, dado que, um deus criador jamais pode ser subjugado por sua criatura nem pelo universo que criara. Não é mesmo?

Cardozo serve a dois senhores: ao ex-presidente e a atual. Sua falta de personalidade somada com a sua disposição para a subserviência é por demais escancaradas.

De toda sorte, Lula lança nova jogada na tentativa de ver-se livre da persecução penal. Desconfia-se que a manobra é dirigida para o enfraquecimento da Polícia Federal cujo objetivo maior é a desaceleração das investigações no âmbito da Lava jato e o esvaziamento da força autônoma da própria PF. Isso seria o fracasso absoluto de nossa Democracia.

Notem que, nem o Ministro da Justiça nem qualquer outra instituição do Estado, tem o poder para determinar o encerramento de uma investigação qualquer, mas dispõe de meios para torna-la tão penosa até não poder mais.

Wellington César deve indicar um novo Diretor-Geral da Polícia Federal em substituição a Leandro Daiello, dado que o cargo é de confiança. Mas, nem isso, em tese, deveria implicar nas ações investigativas do órgão; como já dito, ao menos em tese. Os próximos dias revelarão a verdade.

Ao mesmo passo, Lula ingressou no STF na tentativa de não ter de se sujeitar ao interrogatório para o qual já está convidado pelo Ministério Público de São Paulo. O promotor Conserino o aguarda nesta próxima quinta-feira! Lula – o Senhor de Todas as Coisas – diz que não vai.

Vamos ver como caminha essa espécie de “justiça do PT”.

JM Almeida 

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João Maurino Sernaglia  Almeida Filho. Bacharel em Ciências Econômicas e Ciências Jurídicas. Professor liberal de Matemática Financeira Aplicada. Investigador da Filosofia. Investigador Criticista/Racionalista

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