Crítica é quando eu falo mal de você, ataque é quando você fala mal de mim

Quando, há algumas semanas, o jornalista Oswaldo Eustáquio foi preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, com base na velha Lei de Segurança Nacional, por ter feito críticas a ministros do próprio Supremo, os jornalistas do grupo Globo não protestaram.

Alguns até aplaudiram a medida, chamando as críticas de Eustáquio de “ataques à instituição do STF”.

Quatro dias depois do (aí sim) absurdo ataque à instituição do Exército brasileiro feito pelo ministro Gilmar Mendes, associando os militares a um “genocídio” na pandemia do coronavírus, e um dia após o Ministério da Defesa ter, na forma da lei processual, representado contra Gilmar junto à Procuradoria-Geral da República por crime da mesma Lei de Segurança Nacional, o jornalista Elio Gaspari compara a reação do ministro da Defesa, vejam só, ao AI-5 (com direito a manchete na primeira página da edição do jornal, conforme imagem abaixo).

Lei de Segurança Nacional nos olhos dos outros é refresco.

Na sequência, a “companheira” Miriam Leitão comprova minha tese, afirmando ser “inaceitável invocar a Lei de Segurança Nacional contra ministro do STF”.

Contra o jornalista Oswaldo Eustáquio e outros apoiadores do governo Bolsonaro, aparentemente, está liberado o uso da mesma LSN.

A lei é para todos, mas Miriam Leitão está disposta a abrir exceções.

Marcelo Rocha Monteiro. Procurador de Justiça do Estado do Rio de Janeiro

da Redação

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