João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

Cidadania - Furto no Planalto, podridão de cima para baixo

Aprendi com meu velho, no recesso do lar, que seja qual for a estrutura, a instituição, que quando a corrupção parte de baixo pra cima, é bem mais fácil de deter o processo de deterioração da estrutura em questão. Bastaria, para tanto, identificar o larápio e demitir sumariamente, ou semelhante isso.


Meu velho pai sempre chamou ao raciocínio, como que simulando a necessidade urgente de encontrar solução para a questão inversa: quando a corrupção escorre, sebosa, de alto a baixo e chegando ao sopé da estrutura. Aí é que reside tarefa pra gente grande, justa e isenta.

O leitor pode estar pensando: “Poxa, quem será o ‘grande, justo e isento’ que virá salvar a Pátria?”, eu lhe respondo: Sem dúvida, você, eu, nós todos. É!

Já passou da hora de a gente toda tomar as rédeas da situação. Nunca se esqueça de que um procurador seu deve representar sua vontade, defender seus interesses, jamais os dele, jamais.

O que é o voto senão uma procuração?

Muito menos que isto, vamos imaginar uma situação que sequer documento ou reconhecimento de firma exija.

Digamos que você está por motivo qualquer impedido de ir ao velório de amigo querido, irmão de infância com quem cresceu e apadrinharam mutuamente os filhos, a dor é grande e você precisa ser representado por alguém que simbolize esta relação, o que fazer?

Você chama seu filho, e determina que ele vá ao velório, leve as condolências, assine o livro de presença, e principalmente esteja, simplesmente esteja no velório dignamente e acompanhe o funeral até o encerramento, prestando todas as homenagens devidas ao finado.

Mas o que fazer caso seu filho não esteja pronto para tal missão? Que tivesse ele diferenças com o finado que sequer você tivesse conhecimento. Pior, se você ainda não percebeu que o caráter do jovem mancebo não se forma na direção e também se moldou de acordo com seu exemplo e instruções?

Pronto, temos um desastre em curso.

O jovem vai ao funeral bêbado, maltrapilho e se comporta escandalosamente, ri alto, faz piada, de inadequada e desrespeitosa sua conduta, nem chega a assinar o livro de presença, é retirado do recinto.

Quando li que o ex-presidente Lula chegara ao Palácio da Alvorada portando duas malas e que saíra de lá com mudança embalada e acomodada em onze caminhões baú, fiquei nauseado. Como se meu filho houvesse me feito passar vergonha no velório do meu amigo...

Questionado sobre o volume absurdo de sua mudança, Lula alega que se tratam de mimos e presentes que ganhara como Chefe de Estado. Isto é de uma pequenez, é baixo! É atitude de ralé, de escória.

Tal e qual o servidor da Justiça que acredita “ser autoridade” quando brada: “Eu sou a autoridade!”, em visível confusão vaidosa que mescla o cidadão imbuído do cargo ou função, com o próprio cargo ou a função. Você pode estranhar este parágrafo e se perguntar: “Mas não é a mesma coisa?”. Não é!

Seja lá qual for o cargo, independente de quem dele tome posse, havemos de separar sempre o cidadão empossado das atribuições, direitos e deveres do cargo. Este pacote determina como ele cumprirá a função designada ao cargo.

Todo e qualquer objeto dado de presente, lembrança, honraria, ou menção ou homenagem dirigida ou ofertada ao Chefe de Estado, pertence ao Estado. Jamais ao cidadão imbuído do cargo que a recebe. Jamais!

Tenho pra mim que isso, por si só, serviria para enquadrar Lula por furto, art. 155 do Código Penal. E há agravantes:

Dentre os milhares de pacotes cuidadosamente embalados e acondicionados nos onze caminhões, há objetos, como um crucifixo esculpido pelo Mestre Aleijadinho, que já pertencia à Presidência no Governo Itamar Franco.

Não vou duvidar se até cinzeiros comuns, de plástico ou copos descartáveis figurem no inventário dessa mudança.

A WEB está repleta de queixas de gente, como eu, indignada com a fuleiragem daquele que deveria no mínimo, fingir dignidade. No mínimo controlar seus impulsos mais primitivos a fim de dar exemplo de um mínimo de civilidade, mas não. Tal sujeito é incapaz de domar seus instintos...

Por essas e outras, Lula revela apetite voraz em tomar posse daquilo que não lhe pertence, de qualquer coisa ao alcance.

As únicas coisas, além da vergonha e das náuseas que estes fatos me trazem são as questões:

1. O que podemos fazer para mudar uma estrutura em que o escárnio e a impunidade escorrem da cabeça aos pés?

2. O que será que Lula quer comprar? 

Comente, quero conhecer sua opinião.

Traga sua sugestão à público, aqui é o lugar!

João Henrique de Miranda Sá é escritor e redator autônomo

Portfólio em http://www.jhmirandasa1931.blogspot.com

E-mail: jhmirandasa1931@outlook.com

Cel.: (67)8126-4663

                                             https://www.facebook.com/jornaldacidadeonline
Se você é a favor de uma imprensa totalmente livre e imparcial, colabore curtindo a nossa página no Facebook e visitando com frequência o site do Jornal da Cidade Online.

João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

Siga-nos no Twitter!

Mais de João Henrique de Miranda Sá

Comentários

Notícias relacionadas