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O poder através do medo

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A crise global de saúde provocou crises na sociedade civil e na vida cotidiana. Essas incertezas geram insegurança que tem como consequência o abalo da fé dos cidadãos nas instituições, na justiça, e até na própria estrutura familiar.

Hoje, o Brasil vive uma realidade onde o medo é uma forma de dar poder a certas instituições sobre as pessoas. Manipulação e influência são utilizadas como forma de controle das ações da sociedade, inclusive de seu silêncio e da sua liberdade.

Principalmente nesse cenário atual de crise econômica, sanitária, política e jurídica. A política, por vezes, venceu a ciência e a boa prática da medicina, o que causou o óbito de vários brasileiros decorrentes de condutas baseadas em informações incorretas.

O receio da contaminação levou à imposição, por parte das autoridades, de medidas rígidas, mesmo antes de explicações de especialistas da área da saúde acerca da sua necessidade, sob justificativa de que o melhor seria a população evitar lugares públicos, trancar-se no espaço da intimidade doméstica, enfim, se confinar.

A ladainha do “Fique em Casa” tão precoce, fez com que agora ninguém mais aguente psicologicamente a quarentena. Soma-se a isso a guerra do fármaco com sua politização impedindo que as pessoas doentes se curassem nos primeiros sintomas.

Que tal o retorno a um mundo em que cada um cuida só de si mesmo?

Sem sofrer a influência de iniciativas autoritárias que fingem preocupação com o indivíduo, quando na realidade parecem mais fazer parte de um jogo ideológico de poder voltado para criticar as ações governamentais.

Outro cenário é a briga dos procuradores da Lava Jato com o Procurador Geral da República, que propôs o compartilhamento dos dados colhidos pela operação. A conhecida “República de Curitiba” tem hoje 350 terabytes de informações de cerca de 38 mil pessoas.

Que pessoas são essas?

Por que tantos segredos?

Um banco de dados desse tamanho significa poder, possui grande força de manipulação e pode levantar suspeitas contra adversários. Se existem provas, o melhor seria fazer logo a denúncia para julgamento pelo juiz natural ou deletar tudo ou compartilhar com o PGR, como ele solicitou, uma vez que é ele quem atua no âmbito da Lava Jato dentro do Supremo.

A Lava Jato foi uma dentre diversas operações que ocorreram no âmbito da Polícia Federal no combate à corrupção sistêmica. Não é um organismo autônomo com interesses políticos do “lavajatismo”, nem pode ser um clube de fãs.

Não podemos personalizar seus membros e tentar julgar as ações de alguns funcionários públicos que tem como obrigação zelar pelo interesse público. Trata-se de uma operação importante que continua sua luta contra os corruptos e que deve manter seu andamento fora do espectro político.

Por fim, o cenário mais perturbador, em plena pandemia, é o da censura ou da “edição” imposta pelo STF. O fim da liberdade de expressão e as prisões de jornalistas passam uma mensagem negativa ao cidadão comum, o receio de se expressar e sofrer represália estatal.

Se é possível prender um jornalista caçando sua voz mundialmente, imagina o que pode acontecer a meros mortais, ao trabalhador silenciado e à dona de casa indignada. O discurso só é aceito de um lado só, não pode ter o outro lado porque qualquer opinião divergente é vista como pregação de ódio e como atitude antidemocrática.

Com o medo imposto, cada vez mais as liberdades são manipuladas e a adversidade é usada até a perda total do poder de contestação.

Carlos Arouck

Policial federal. É formado em Direito e Administração de Empresas.

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