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Um verdadeiro gigante

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Eu vi o vídeo.

Eu escutei, em choque, cada palavra proferida pelo agressor. E também ouvi, encantado, cada palavra dita pela vítima.

Digo mais, quanto mais ofensas o agressor fazia, mais a vítima dava o exemplo do que significa dar a outra face.

Dar a outra face não significa bater da mesma forma, significa, sim, dar o exemplo com altivez.

Em pleno ano de 2020 d.C, lamentavelmente, ainda há, quem se ache o dono do mundo.

Infelizmente, não são um, nem dois. São milhares e, certamente, milhões. Não são apenas pessoas que humilham porteiros, faxineiros, chapistas, garçons, seguranças, vigias e motoboys. Não, longe disso.

São pessoas que acham que as condições que têm, o status que possuem, o cargo que têm, lhes dá o direito de transformá-los em lanças ou escudos para achincalhar, ridicularizar e humilhar quem quiserem.

Não é raro ver tais atitudes reprováveis vindas de quem nasceu em "berço de ouro".

É uma regra geral?

Não, não é.

Mas, que são inúmeros e imensuráveis tais casos, de fato são. Assim como também são inúmeros e imensuráveis os casos de emergentes que procedem da mesma forma.

É muito comum ver quem na infância questionava a todos dizendo "você sabe filho(a) de quem eu sou" interrogar na fase adulta (cronológica e não mental) "você sabe com quem está falando"?

Quem se pauta pela volatilidade, quem vive uma vida voltada ao "seu próprio eu", quem não faz absolutamente nada pelo próximo, não raras vezes, procede como os ecos deste fato ainda se fazem escutar e por muito tempo se farão escutar.

Este fato é apenas mais um, de tantos outros, já incontáveis, que nos envergonham, como pertencentes a condição de "seres humanos".

Quem tem condições (materiais) melhores e as ostenta desta forma que se viu, torna aos meus olhos ainda mais salientes quem é, de fato, maior e menor que quem.

De nada adiante receber ou adquirir um patrimônio imenso, se na hora de tratar quem não teve e ou não tem as mesmas condições e oportunidades, seja exatamente este patrimônio o peso que se quer colocar no fiel da balança, para achar que se pode medir qual dos seres humanos "vale mais".

Conheço muitos ricos (de patrimônio) que são miseráveis (morais).

E conheço também muitos pobres (de patrimônio) que são ricos (com espíritos de evolução imensurável).

Ser pobre ou rico (em termos de patrimônio) não faz ninguém melhor que ninguém.

Pobre mesmo (de espírito) são aqueles que a única coisa que falam e se procupam na vida é sobre dinheiro, sem ter qualquer preocupação em ajudar quem quer que seja ou fazer o bem a alguém.

Pobre mesmo (de espírito) também são aqueles que tiveram as oportunidades e condições, adquiriram patrimônio e verdadeiras bibliotecas, mas nunca assimilaram o tudo que disseram ler, ainda mais, dando provas disso nos mais simples gestos da vida.

Quem viu a cena na íntegra sabe muito bem estabelecer as diferenças.

Fica aqui, a minha singela homenagem, para o Matheus, exatamente da forma que meus olhos o enxergaram: um verdadeiro e legítimo gigante que merece o belíssimo nome bíblico, com o significado que ele tem.

Pedro Lagomarcino

Advogado em Porto Alegre (RS)

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