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Recado ao grande ator Diogo Vilela, o homem que vendeu o carro para produzir uma peça teatral

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Pobre Diogo Vilela... Comemorando seus 50 anos de carreira, foi choroso no programa “Conversa com o Bial” dizer que teve que vender o carro para produzir sua peça "A Verdade".

Quanta pena eu fiquei de você....

Então, Diogo, eu vou aproveitar o sugestivo título da sua peça para complementar com algumas informações que talvez não tenham entrado no seu roteiro, e que nem de longe fariam parte do seu texto.

Você está pronto?

Vamos à primeira VERDADE:

Diogo, quem produz uma peça está fazendo um EMPREENDIMENTO.

É um negócio como outro qualquer e que você não faz por caridade, já que na bilheteria tem sempre alguém cobrando ingressos ou está à venda pela internet.

Por acaso a renda da peça é destinada a alguma obra de caridade?

Não... Claro que não.

E por que motivo você acredita que o seu negócio é diferente de qualquer outro, e que o governo tenha que investir em você, já que não faz isso com outros profissionais de outras áreas?

Ah... Entendi. O artista é um ser superior aos outros, e sua atividade é mais importante que uma escola, que uma clínica ou que uma empresa privada de transportes, que não têm ajuda do governo.

Eu sinceramente não sei de onde vocês tiram essa ideia de que sem vocês a população não vive, e o que fazem é um serviço essencial.

Provavelmente o mundo acabaria sem a sua peça.

Te dou os parabéns por ter vendido o carro.

Muitos empresários venderam casas, carros, máquinas e até a alma para que pudessem empreender em algo novo ou sustentar seus negócios.

Ainda mais em tempos de pandemia, onde os recursos do governo estão contados e sendo dirigidos para o combate ao covid.

Eu sei que sem respiradores as pessoas podem viver. Basta que assistam a sua peça.

Vamos à segunda VERDADE?

Vocês, artistas, estão muito mal acostumados a viver dos patrocínios governamentais, geralmente em troca da "simpatia" da sua classe.

E esses "patrocínios" aconteciam independente de análises de risco ou de garantia de sucesso.

Podia ser o maior fracasso que tudo bem... O dinheiro caía do céu do mesmo jeito.

Quem se importava?

Só que de VERDADE, esse tempo acabou.

Eu espero que você tenha obtido sucesso com a sua peça e conseguido recuperar o CAPITAL INVESTIDO, como todo empresário faz.

Aliás... mais rápido que os outros, não é?

O retorno de qualquer capital para os outros só se dá com no mínimo dois anos, pois afinal eles não são famosos e não têm uma bilheteria para cobrar pela verdade.

Enfim, se conseguiu, eu espero que tanto você quanto os outros na mesma situação empreguem os lucros num outro tipo de empreendimento: Óleo de peroba.

Não sei se vai dar retorno tão imediatamente, mas pelo menos vai deixar a cara de muitos de vocês lustrada e protegida contra cupins.

Sucesso!

Agora é só apagar os holofotes descer do palco e voltar para o mundo real.

Acabou a mamata.

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