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Esqueçam a ideologia e orem pelas crianças vitimadas

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As ideologias impedem a análise dos processos complexos existentes na realidade concreta e incentivam uma cosmovisão racial e social muito perigosa.

Neste momento vejo isso no debate sobre aborto, intensificado temporariamente por um caso recente...

Pois bem, que tal uma análise básica caso a caso, seguida das questões complexas advindas?

O primeiro argumento pró-assassinato de bebês fala sobre tempo de Existência. Entendam que não é uma questão de tempo de Existência (e usam esse termo para fugir do termo "Vida"). É impossível defender o aborto apenas até este ou aquele período, pois não passa a ser uma Vida humana de um segundo para outro, magicamente.

Oras, quer dizer que até X semanas não é uma Vida humana, mas com X semanas e um segundo, se torna uma? Essa flexibilização aceita por muitos não ajuda em nada na defesa da Vida, tampouco minimiza danos ou diminui os assassinatos de bebês, muito pelo o contrário. A menor fresta faz escancarar a janela.

Quando o óvulo é fecundado surge um novo Ser Vivo e, como todo Ser Vivo, necessariamente pertence a alguma espécie. Dois seres humanos deram origem a esse Ser Vivo e dirão que não é uma Ser Humano? É o que então? Uma maçã? Uma bola de futebol?

Há uma profunda confusão entre Matéria, Forma e Existência. Não é porque Matéria ainda não possui a Forma que você está acostumada(o) a ver e reconhecer, que não seja o mesmo Ser. Negar isso é defender a causa primeira da Eugenia.

Eugenia! Sim, é a consequência inevitável.

Ao dizer que porque aquele Ser Vivo da Espécie Humana (Ser Humano) não está com sua Matéria (carne, sangue, líquidos etc) totalmente desenvolvido e com a Forma (corpo) pronta, que não é um Ser Humano. Pensando assim, por que não permitir o assassinato de deficientes físicos? Afinal, não são Seres Humanos corporeanente completos. O bigodinho e o bigodão sorriem.

Indo mais a fundo, também não é admissível o argumento da ausência de Vida, por não formação do cérebro; não por causa da Matéria em si, mas da ausência de racionalidade e capacidade mental. Então podemos assassinar deficientes mentais? Não a toa os casos de Síndrome de Down quase sumiram em países que autorizaram o aborto baseado nessa premissa eugenica, como a França.

Então, que tal assumir que você é favorável ao aborto por defender Eugenia? Não. É hora da histeria! De declarar babando e com voz estridente: "Não sou obrigada a ser mãe de quem não quero!". Ótimo, então se uma mulher branca engravidar de um Negro e quiser assassinar o bebê, porque acredita que Negros só servem para diversão sexual, tudo bem?

Eugenia sem racismo? Não existe!

Mas e os pobres? As pessoas miseráveis que mal têm o que comer e terão que dividir com uma "cacetada" de filhos?

De fato, a miséria é talvez o maior dos males sociais e existe desde sempre, muito antes da sociedade organizada em sistemas econômicos X ou Y. O desenvolvimento das sociedades sempre passou por fases de ascensão e queda de modelos econômicos e poderosos que os mantinham à força de exércitos e da política.

Foi assim com a Athenas de Sócrates, que chegou a ter mais escravos que cidadãos, com a Roma de Virgílio, com o Império Romano de Agostinho e tantos outros, até chegarmos ao modelo atual, que é uma degeneração do modelo liberal e sem dúvida precisa de reformas (muito distantes de modelos ideológicos).

Ainda assim, propor o assassinato de bebês como solução para a existência de pobres é defender o controle populacional destes. Em palavras mais simples, é (de início) defender que se assasine os pobres ainda nos ventres, ou até logo após o seu nascimento, para evitar que se proliferem. Mas então por que não assassinar em qualquer idade? Além de ser um princípio de Eugênia Social, estão arrombadas as porteiras que impedem o Genocídio.

"Só repetir o Holodomor, ou o Holocausto, algumas vezes e pronto, teremos uma sociedade socialmente mais justa, certo?"

A real preocupação com os pobres é encontrada nas almas realmente elevadas e que buscam por ações que levem alento e diminuam os efeitos dessa primeira condição humana, a essas pessoas necessitadas. E como chegar a essas ações aplicando uma cosmovisão racista e eugênica, ao invés de piedosa e caridosa?

Assassinar ou não os pobres, os negros, os homens, as mulheres, os deficientes, as crianças, os idosos, etc, não pode ter espaço no debate público, independente da maquiagem de falsas boas intenções.

O trabalho social realmente preocupado quer eliminar as pessoas? E pior, com motivações raciais e sociais? Ou procura usar da caridade e de princípios morais básicos e inegáveis como base para Razão e Ação?

Quem se preocupa com os mais vulneráveis?

Aqueles que acolhem essas pessoas; as vezes fisicamente, como as casas de asistencia e Albergues, e lhes oferece aquilo que pode lhes ajudar a recuperar a dignidade (pode ser moradia, alimentação, apoio psicológico, estudo, um "norte espiritual", etc)?

Ou os escandalosos que vão em frente a clínicas expor crianças estupradas em nome de ideologias pró e até supostamente contra o assassinato de bebês?

Aqueles que financiam traficantes, como o tio estuprador dessa criança?

A questão de análise favorável ou contrária a assassinar um bebê por causa de uma monstruosidade cometida contra uma criança, pois é punir dois inocentes, é assumir a premissa de que se um inocente X sofrer uma agressão, pode cometer outra ainda pior contra outro inocente Y (exemplo, alguém me bate na cara num lado da calçada, então atravesso a rua e espanco um idoso que está passando), e também que alguém colocado a força numa situação de crime hediondo pode ser assassinado para supostamente evitar outro trauma (neste caso, assassinar um bebê para que supostamente a mãe não fique mais traumatizada ainda).

Então, se alguém estiver navegando, tiver o barco invadido, sofrer agressões horríveis e os criminosos deixarem forçadamente no barco outra vítima, tirada de outro lugar, o dono do barco pode, e até deve, jogar esse inocente no mar, para não ter que olhar para cara dele e se lembrar do ocorrido, durante o período que navegará até "terra firme"?

Podemos assassinar um bebê, ao invés de o dar para a adoção, para supostamente evitar um trauma à sua mãe? Usaremos o invasivo aborto (assassinato no útero e remoção), ou o infanticídio (parto seguido de assassinato), para evitar o "terrível trauma" de um parto?

Então evitaremos esse crime, xingando a criança estuprada, ou a mulher adulta estuprada, ou em desespero devido a N situações que devem ser individualmente a analisadas, que pensa em recorrer a isso? Com soluções morais prontinhas saídas da fornalha?

E o trabalho citado?

O acolhimento e oferecimento de ajuda real e concreta (psicológico, "espiritual", material, social etc) deve ser tão ignorado, quanto está sendo a discussão sobre endurecimento de pena para crimes hediondos e a responsabilidade do estuprador da criança?

Assassinar bebês virou pauta anti-pedofilia?

E estou falando de acolhimento para ajudar a recuperar a dignidade e seguir bem a vida, e não para enfiar ideologias, , como muitas ONGs de suposto trabalho social fazem.

A sugestão que deixo: reflita profundamente olhando para a realidade à sua frente, sem recorrer a esquemas ideológicos de "soluções fáceis".

Você é capaz disso?

Roberto Lacerda Barricelli

Jornalista e Historiador. Autor do livro "Em Defesa da Vida".

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