13 de Março de 2016: Por quem vou pra rua

O fato de o desfecho deste movimento ser uma incógnita, variável fora de controle, foi motivo pra ponderar seriamente em não participar do protesto. A inércia seria meu protesto íntimo. A questão era: “Por que vou a um protesto que não sei direito sequer seu resultado prático?”
Aos poucos fui me dando conta de que tendo vivido 45 anos, considerando só ter visto movimentos semelhantes em duas ocasiões: a campanha Diretas Já e no bota-fora de Collor, há motivos para encarar o momento com mais atenção.
Eu nasci e cresci convivendo com práticas que vão de encontro a tudo aquilo que aprendi no recesso do lar, com o exemplo de gerações de antepassados e cada uma de suas muitas histórias honrosas; sendo taxado de otário por sair de emprego no qual a permanência só dependia da conivência com o mal feito; de ter reafirmada tal teoria em cada vez que o maldito salário ou benefícios fazem falta. E resisto, e nisso não mudo.
Se tenho antepassado que honram a minha existência com a deles, eu tenho de ir pra rua no dia 13 de março. Não é nem mais uma questão de “por que” , mas do “por quem” justificar meus porquês.
Não me lembro de antepassado politicamente inerte ou apático. Não me lembro de parente meu conivente com o crime ou com o mal feito. Não serei eu a ficar com a bundinha na cadeira como se tudo tivesse bem, como se nada estivesse acontecendo. Não, não eu!
Não serei eu a ficar em casa num momento em Sérgio Moro, no exercício de sua função, arrisca a própria vida e faz de sua rotina um inferno, em benefício meu e dos meus herdeiros.
Aqui encontrei o primeiro “por quem” justificar minha presença no protesto de domingo próximo. Sérgio Moro, antes de qualquer um, vou pra rua por você! Gratidão!
Apesar de não ter filho ainda, tenho sobrinhos e eles também merecem um país mais justo e limpo. Que a geração deles recebam a graça de um mundo melhor. Que eles saibam construir o mundo que merecem. 
É isso que vou fazer na rua domingo, 13 de março de 2016: assentar meu tijolo na parede que pretende ser um marco na história do meu país, na história do Brasil.
Vem pra rua!
João Henrique de Miranda Sá é escritor e redator autônomo
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João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

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