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A linha tênue da moralidade de nossa extrema-imprensa

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Não é preciso dizer que existe uma sede por sangue no Brasil. Basta ligar o rádio ou a televisão para ver a extrema-imprensa desfilando como seu prato principal: violência, obituários e corrupção.

O que é estranho, pois desde que o mundo é mundo essas três coisas aterrorizam as sociedades. Porém, a extrema-imprensa aprendeu a usar esses assuntos como ingredientes para aquilo que chamaria de indústria do entretenimento para o terror.

O problema é que de maneira direta ou indireta somos afetados por esse “terrorismo” midiático propagado por jornalistas e editores da grande imprensa.

Nossos sensores morais ao longo do tempo vão sofrendo interferências e danificações devido a essas poluições jornalísticas que podem levar a corrupção da nossa moralidade. Aquela cultivada no seio das nossas famílias ou adquirida na congregação ou paróquia da nossa cidade.

Por outro lado, uma grande rede de televisão segue ganhando indicações de prêmios internacionais ao fazer coberturas espetaculares das 199 mortes do Acidente da TAM (2008); do Caso Eloá em que a menina foi morta pelo namorado (2009); da tomada do Complexo do Alemão pela polícia (2011); das 916 mortes por deslizamento de terra durante as chuvaradas no Rio de Janeiro (2012); das 17 mortes causadas pelo desabamento de 03 prédios no Rio de Janeiro (2013); das 242 mortes no incêndio da Boate Kiss (2014); da morte de Eduardo Campos (2015); do surto do Zika Vírus (2016); ou mesmo a ampla cobertura dada a matança de 27 presos no Presídio de Alcaçuz-RN (2018).

Com esse rastro de sangue fica difícil preservar alguma moralidade no Brasil, imagino eu. Falar em preservação da vida então?

Seria para esse jornalismo de terror uma afronta ou motivo de chacota.

Não receberam prêmios sobre a cobertura da facada contra o então candidato Jair Bolsonaro, possivelmente porque o Presidente sobreviveu.

Não fazem cobertura jornalísticas das águas do Rio São Francisco fluindo pelo sertão nordestino, pois as vidas estão sendo preservadas por lá. Falar de cloroquina? Nem pensar. Há apenas um silêncio cínico na extrema-imprensa.

Fala-se muito no feminicídio, mas pouco interesse em denunciar os estupradores de menores. Defende-se a criança de 10 anos, enquanto ignora os milhares de bebês abortados por ano no Brasil.

É como eu disse: é a linha tênue da moralidade brasileira. E a extrema-imprensa usa de todos os artifícios para rompê-la, se é que a linha da moral ainda está lá.

Se a linha da moralidade brasileira existe, deve-se tão somente as almas honestas e sinceras que vivem entre nós. Agora, se nós não estamos mais avistando a linha tênue da nossa moralidade, é porque alguém já a roubou.

Neste caso, dificilmente saberemos quando foi que a moralidade brasileira desapareceu do cenário. Mas, um palpite eu tenho sobre quem jamais quer encontra-la: a extrema-imprensa. Isto porque, seus lucros vêm dessa destruição.

Neste contexto, falar em não abortar um bebê em nome da vida é condenar-se a fogueira, pois a sede por sangue está demais no país.

Daniel Souza Júnior

Editor do blog Teoritica. Aluno do Programa de Mestrado em Administração da ESAG/UDESC.

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