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Steve Bannon e a corrupção brasileira

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Steve Bannon é ex-estrategista eleitoral de Trump. Foi preso, com mais outras três pessoas, pelo desvio de U$ 350 mil dos recursos arrecadados para a construção do muro separando EUA do México. As últimas notícias dão conta de que foi solto pela Justiça, mediante pagamento de fiança no valor de U$ 5 milhões.

Cinco milhões de dólares de fiança por um desvio de trezentos e cinquenta mil! Um absurdo, diriam alguns zelosos ministros do STF, sempre alertas em defesa dos nossos mais vistosos corruptos. Gilmar Mendes desfilaria (como o fez, brutalmente, com o digno Dallagnol) uma torrente de impropérios impublicáveis para atingir o Juiz que definiu a fiança. Mexeu com um mexeu com todos, gritariam Toffoli e Gilmar Mendes indignados. Mas isso seria aqui, em Banânia, não nos Estados Unidos.

Trezentos e cinquenta mil dólares (pouco mais de um milhão e novecentos mil reais) foi o desviado por Bannon e outros: uma ninharia (troco de pinga, como se fala por aqui) pelos padrões brasileiros! Os ladrões americanos - em termos de desvio de dinheiro público - são uns amadores, diria, orgulhoso, um megacorrupto brasileiro.

Nós, por aqui, já tivemos o Mensalão, temos ainda o Petrolão e o Covidão. As quantias roubadas nesses escândalos montam a bilhões, raspando o trilhão de reais. Só de recuperação pela Lava-Jato são já mais de dois bilhões de reais. Esta recuperação parcial de roubo torna furiosos muitos políticos brasileiros e algumas excelências de nossas cortes superiores. Eles não aceitam, não admitem esta humilhante retaliação em cima de corruptos tão bem situados em nossa sociedade. Daí o ódio à Lava-Jato e a Dallagnol devotado por alguns de nossos supremos.

Nos EUA, parece que a tentativa de criar esquema similar ao Petrolão (um Murão, talvez este seja este o nome adequado, referência ao muro separando o país do México) não está dando certo. Falta expertise nos corruptos dos EUA, diria, com menosprezo, um megaladrão brasileiro. Uma pós-graduação no Brasil, com aulas dadas por Lula, Zé Dirceu, Palocci, entre tantos outros, talvez conviesse aos aspirantes a megacorruptos dos EUA.

O pior de tudo para esses aspirantes é que, nos EUA, a Suprema Corte não é, como aqui, um valhacouto de bandidos endinheirados. Lá não existe, por exemplo, cumplicidade de superbandidos com “Justices” da Suprema Corte (Lá, nos EUA, os membros da Suprema Cortes são conhecidos por “Justices”) para conceder ‘habeas corpus’ desavergonhados. Ou para “congelar” processos – remetendo sua conclusão para as Calendas gregas, que nunca chegarão - em nome de um foro privilegiado, ou foro por prerrogativa de função, a proteger bandidos que são “mais iguais” do que o resto dos brasileiros. Ou para anular, por “suspeição”, sentença de juiz probo de primeiro grau (Sergio Moro) - mesmo que sentença confirmada em tribunais de segunda e terceira instância - como parece estar para acontecer graças a manobras do notório Gilmar Mendes na mal-afamada, mal reputada, mal-amada Segunda Turma do STF. Esta pouca vergonha, esta canalhice que - segundo se comenta na imprensa - parece prestes a eclodir, deve ser monopólio de nossa suprema e atabalhoada (fiquemos neste adjetivo leve, o leitor entenderá) corte suprema brasileira. Não se espere coisa do gênero em supremas cortes de democracias consolidadas de países civilizados, como os Estados Unidos.

A conclusão é que Steve Bannon e seus associados, por estarem sob a jurisdição da Justiça americana e não da brasileira, podem estar lascados. Bannon, que é milionário, paga hoje fiança, também milionária, só para em breve, muito em breve, voltar à cadeia se confirmada sua falcatrua.

Lembremos que nos Estados unidos não existe, como aqui, foro privilegiado para privilegiados corruptos. E, proferida a sentença em primeiro grau, se condenatória, Bannon segue direto para o xadrez, sem esperar o trânsito em julgado que, no Brasil, nunca chega e sem esperança de um supremo ‘habeas corpus’, ou suspeição suprema do juiz de primeiro grau. Para um brasileiro honesto, o que ocorre no judiciário dos Estado Unidos (e de demais países sérios do mundo) parece um sonho inalcançável neste nosso vilipendiado Brasil.

Bannon e seus associados devem estar sentido uma inveja sideral de Lula, Dirceu, Palocci e de uma centena mais de bandidos impunes no Brasil.

Não se faz corrupção com dinheiro público impunemente. Em país sério, claro.

José J. de Espíndola

Engenheiro Mecânico pela UFRGS. Mestre em Ciências em Engenharia pela PUC-Rio. Doutor (Ph.D.) pelo Institute of Sound and Vibration Research (ISVR) da Universidade de Southampton, Inglaterra. Doutor Honoris Causa da UFPR. Membro Emérito do Comitê de Dinâmica da ABCM. Detentor do Prêmio Engenharia Mecânica Brasileira da ABCM. Detentor da Medalha de Reconhecimento da UFSC por Ação Pioneira na Construção da Pós-graduação. Detentor da Medalha João David Ferreira Lima, concedida pela Câmara Municipal de Florianópolis. Criador da área de Vibrações e Acústica do Programa de Pós-Graduação em engenharia Mecânica. Idealizador e criador do LVA, Laboratório de Vibrações e Acústica da UFSC. Professor Titular da UFSC, Departamento de Engenharia Mecânica, aposentado.

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