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A atuação da Guarda Municipal de Balneário Camboriú: zelo, zelo em demasia, arrogância ou prepotência?

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A semana toda prometia notícias das mais frias. Sim, até neve em grande proporção era anunciada, para a região da serra catarinense, grande parte da região sul e parte do centro-oeste do país.

Os habitantes de São Joaquim, até chegaram a estocar sal, para derreter a neve, caso viesse na intensidade prometida de até vinte centímetros de espessura. Sal, para socorrer os telhados mais vulneráveis, que poderiam não aguentar o peso.

De sorte, a neve veio, mas não na intensidade anunciada. Assim mesmo, hoje, 22 de agosto de 2020, foi a noite mais fria deste inverno, até aqui.

Não bastasse todo desconforto, mal estar e sensação de prisão nas próprias residências, em consequência da pandemia do invisível, desconhecido e indesejado coronavírus, ainda somos impelidos a seguir ordens de quem muitas vezes nem sabe porque está executando aquelas ordens. Digo isto, porque nem as maiores autoridades mundiais, até agora sabem como proceder.

Tampouco, a comunidade científica internacional tem respostas para o caso.

Em nível nacional, temos claro que o projeto era e continua sendo, o de ficar do lado de quem não quer socorrer e muito menos curar os acometidos pelo coronavírus, sobretudo, os mais vulneráveis.

Projeto que, gestado e executado, quase que a “queima roupa”, com a retirada de toda a autoridade do Presidente da República de gerir as ações relacionadas à pandemia, pela (nossa) suprema corte. E deu no que vemos e ouvimos diuturnamente.

Até aqui já contamos com cerca de uma dúzia de Secretários de Estado e Governadores enrolados com a justiça, por uso indevido de recursos destinados ao combate do coronavírus.

Com a medida, o Supremo Tribunal Federal, delegou aos governadores e prefeitos todo o poder de gerir, tudo o quento fosse relacionado ao coronavírus. Sem uma orientação central, cada um fez e ainda faz o que bem entende. E pior, muitos fazendo o que não entendem e ainda potencializam o mal, fazendo o que nunca deveriam fazer.

Em alguns casos, conseguindo-se identificar um misto de arrogância, prepotência e até cleptomania.

Era sábado, por volta das quinze horas, 22 de agosto, de 2020, depois de muitos dias cinzentos e chuvosos, embora um pouco de frio, uma linda tarde de sol, que aproveitei para rever a praia de Balneário Camboriú, após mais de cem dias de confinamento, onde moro, a cerca de cem metros do mar.

Até pelos impedimentos oficiais, entrei na faixa de areia sem tirar os tênis para caminhar perto da água. Eram poucas as pessoas que ali estavam se exercitando, pouco mais de meia dúzia, todas de máscaras. Andei uns quinhentos metros para a Barra Sul e encontrei dois rapazes praticando Slackline, que se revesavam.

Uma delícia de esporte, tanto de praticar quanto de se olhar.

Assistindo, não dá vontade de parar de olhar. Atraente, chamativo, capaz de prender o alhar. Mas como tudo o que é bom, não dura, eis que parou uma viatura da Guarda Municipal e ordenou a parada imediata do esporte. Mesmo que fosse ao ar livre, com duas pessoas de máscaras, revesando-se numa extensão de 25 metros, que a fita tinha, e ainda nos 25 metros outras duas pessoas de máscaras assistindo.

A questão é, quando elegemos os nossos representantes, será que damos a eles todo o poder, irrestrito, a ponto de, inclusive nos policiar sobre o ar que podemos ou devemos inspirar?

Seria isso, zelo; zelo em demasia; arrogância ou; prepotência?

Entre as diversas respostas sobre a questão, tem os que acham esse comportamento é normal, consideradas as atrocidades do STF. Tem os que não sabem ou tem medo de se posicionarem. Mas tem, também, os que condenam qualquer arrogância ou prepotência.

Seja como for, está na hora do cidadão de bem acordar, saber e falar as suas obrigações e os seus direitos.

Jacó Carlos Diel

Filósofo, jornalista e bacharel em Direito.

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