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Um Brasil gigante com síndrome de nanismo

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O Brasil é um país gigante, com um potencial gigante mas com uma probabilidade gigante de um futuro catastrófico, graças a um problema igualmente gigantesco: O nanismo da mentalidade do povo, ainda vítima da de duas doenças que parecem incuráveis: A incompetência e o apego irredutível à mania de levar vantagem em tudo.

Vamos falar da incompetência.

Recentemente o Tribunal de Contas da União detectou que milhares de pessoas receberam o auxílio emergencial de R$ 600,00, sem que estivessem realmente qualificadas para isso, causando um prejuízo de R$ 42 bilhões aos cofres públicos. Enquanto isso, outras milhares de pessoas realmente necessitadas e qualificadas, por serem profissionais liberais que tiveram que suspender suas atividades em função da pandemia, tiveram o auxílio negado. A quem cabe a responsabilidade? Ao Presidente? Claro que não. Ele apenas faz a liberação e não é ele quem controla esse tipo de coisa. Alguém errou e errou feio,

É inconcebível que dentro da maquina pública haja servidores tão desqualificados a ponto de causarem um prejuízo monumental como esse. Nesse caso não há o que se pensar, além de o governo, após uma sindicância para apurar responsabilidades, promover o expurgo com justa causa desses funcionários e técnicos incompetentes, pois nada justifica um sistema tão falho que se não fosse uma auditoria bem feita, até agora o governo estaria ajudando quem não precisa e negando o auxílio a quem precisa. Isso é de fato vergonhoso, e não sei porque é que até agora nada foi feito para apurar as responsabilidades e punir com severidade quem cometeu esse erro grosseiro.

Agora vamos falar da irredutível mania de levar vantagem em tudo.

Ainda mais vergonhoso foi ver que surfando numa onda de oportunismo, funcionários públicos, pessoas com emprego e, pasmem, até militares receberam o auxílio emergencial. E não foram poucos. A epidemia do oportunismo independe de posição política e está relacionada a algo do qual uma enorme quantidade de brasileiros carece: princípios e honestidade. A desonestidade parece uma doença contagiosa entre o nosso povo e entre pessoas que por incrível que pareça ainda se vêem na condição de condenar políticos e cobrar deles a honestidade que elas mesmas não têm.

Eu vou falar do que é mais vergonhoso, pois encaro como um tapa na cara de todos. É lamentável mas 53.459 militares receberam o auxílio emergencial irregularmente. Vocês viram o número? Para nosso consolo, as nossas instituições militares prezam pela honestidade e transparência, e o próprio Ministério da Defesa deu a informação de quem recebeu irregularmente, e sansões disciplinares estão sendo estudadas contra os espertinhos. Além disso, quem não devolver espontaneamente o dinheiro será descontado do contracheque. Sinceramente eu não só espero que tais sansões ocorram, como sejam usadas como exemplo para os órgãos civis cujos servidores usaram do mesmo expediente.

Como isso passou pelo sistema de controle? Por que tantos que precisavam tiveram o auxílio negado? Quem é o responsável pela administração disso? Quais providências serão tomadas em relação aos incompetentes?

Cabe ao Ministro da Cidadania Onyx Lorenzoni fazer uma apuração rigorosa, tendo em vista que a maior demonstração de incompetência e idiotice administrativa está subordinada à sua pasta, e é evidente que se isso não for feito, ficará como uma mácula na sua imagem, porque como diz o velho ditado... Quem cala consente.

E cabe ao Presidente pedir explicações ao seu Ministro sobre essa patacoada, que repito, não é culpa dele. Pra isso ele tem homens de confiança que têm por obrigação e lealdade honrar a confiança neles depositada.

Se queremos arrumar a casa temos que varrer o que não presta.

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