A solução para o PT: ‘Matem o pato’

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Quinhentos mil manifestantes estavam na Av. Paulista no momento de pico. Outros estavam nas adjacências e muitos circularam elevando o contingente de pessoas que esteve na maior manifestação de rua, contra um governo, na história do Brasil.

Manifestação convocadas pelas redes sociais por diversas organizações, que atuam como estimuladores e assumem a animação do público, mas sem conquistar uma liderança mais efetiva. As manifestações se baseiam em alguns sentimentos comuns, mas também com grande diversidade entre os demais temas. 

Os sentimentos comuns foram a saída da Presidente Dilma do Governo, junto com ela o PT, o apoio ao Juiz Sérgio Moro e à operação Lava-Jato, abrangendo o Ministério Público Federal e a Polícia Federal. Secundariamente foram os pedidos de prisão do seu principal líder, o ex-presidente Lula. Nos demais temas, como a saída de Eduardo Cunha e de outros políticos não havia tanta ênfase ou unanimidade.

Dentro do padrão tradicional os contrários, principalmente os petistas buscaram caracterizar algumas lideranças políticas, como promotoras e condutoras do processo, caracterizado pelo PT e seus adeptos ou simpatizantes como um golpe. 

Mas os pouco políticos que se aventuraram a comparecer foram rejeitados e vaiados (agora unanimemente tratados como hostilizados). Não foi uma manifestação comandada por lideranças políticas. Não foram eles que organizaram a manifestação, para dar um golpe contra a Presidente Dilma. 

Não encontrando uma liderança política voltam-se contra a mídia. Essa, principalmente a Rede Globo, insuflaria os manifestantes, difundindo as convocações e superdimensionando a importância dos eventos. 

Os que insistem em tentar identificar uma liderança, a encontraram numa imagem: a de um pato amarelo. Não pelo seu significado, mas porque se destacava e "ficou bem na foto". O símbolo criado pela FIESP para a sua campanha contra o aumento de impostos, como seu amarelo ovo caipira, foi destaque em todas as fotos panorâmicas das manifestações na Avenida Paulista.  Vai ver "toda culpa é do pato".

Os e as "dilmistas" acreditam piamente na versão do golpe, embora o suposto líder e maior beneficiário do mesmo tenha sido rejeitado pelos manifestantes. Estão contrariados com a movimentação do grupo que conduz a Operação Lava-Jato, sintetizado na figura do Juiz Sérgio Moro, acusando-os de injustos e perseguidores dos petistas, deixando fora das prisões os tucanos e os seus mal feitos. 

Por que não são investigados ou apurados os casos de corrupção dos trens metropolitanos ou da merenda escolar dos governos peessedebistas de São Paulo? Por que não se aprofundam as investigações sobre a denúncias contra tucanos feitos nas delações premiadas.

Do ponto de vista objetivo têm razão. É isso mesmo que está ocorrendo. Mas decorre do sistema institucional estabelecido. E das diferenças de tratamento entre as diversas varas e instâncias judiciais. O Juiz Sérgio Moro conduz o processo com rigor e segurança jurídica o que leva a ter o apoio - quase que absoluto - das instâncias superiores. Apesar de excesso de rigor, em alguns casos.

Outras varas e instâncias judiciais não tem agido com o mesmo rigor e sincronia entre as três partes: o Ministério Público, a Polícia e a Justiça. 

Há efetivamente diferenças de tratamento dado o nível de autonomia dessas entidades. O que alimenta a sensação de injustiça e de perseguição. 

A outra grande insatisfação dos petistas é com a mídia, predominantemente contra o Governo e insuflando os manifestantes contra esse. Poucos são os veículos menos agressivos e praticamente nenhum em defesa do Governo.

Dado esse quadro há grupos dentro da sociedade organizada, tão insatisfeitos com as circunstâncias quanto os que foram às manifestações de 13 de março de 2016. Só que no sentido inverso.

Dada a insatisfação estão dispostos a ir às ruas no dia 18 de março, voluntariamente, independentemente de condução e do lanche. Não vão deixar a mobilização apenas a cargo do PT, de sindicatos e movimentos sociais. Querem engrossar as manifestações para demonstrar que a sociedade organizada não está unanimemente contra Dilma e o PT, mas há uma parte relevante que a defende contra o "golpe". 

Com essa mobilização esse segmento deverá demonstrar o seu tamanho. E vai influir na sequência dos acontecimentos. Apesar do risco das comparações, precisa se mostrar.   

Jorge Hori

                                            https://www.facebook.com/jornaldacidadeonline

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Jorge Hori

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