João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

Transporte Coletivo em Campo Grande: “Canibais de nós mesmos”

Teoria que está aderindo à minha personalidade, ao meu ser, é a que reza que a diversidade é o grande barato da vida em sociedade. Acredito, não me canso de repetir, que ela é um dos fatores essenciais ao crescimento dos indivíduos.


É bem claro pra mim que seres iluminados crescem e aprendem com os mais rudes, grosso modo, por meio do exercício constante do perdão e da expansão da tolerância; já os mais rudes miram a conduta dos mais experientes, inspirando a transformação pra melhor.

A vida em sociedade é rica, uma baita oportunidade de utilizar o erro alheio para a própria evolução.

Vivêssemos em guetos povoados de seres idênticos, a única forma de crescimento seria o tradicional método da tentativa e erro, lento e dolorido. Crescer sozinho deve ser tarefa que exija, antes de tudo, persistência. O processo é lento, porém deve haver momentos da jornada em que seja o mais indicado.

Vários aspectos do comportamento das pessoas chamam a atenção de quem utiliza com frequência o transporte coletivo aqui em Campo Grande: muitos usuários sabotam o bem-estar comum (mesmo inclusos nesta comunidade), colocam em cheque o mínimo potencial de conforto existente, enfim, trata-se de auto sabotagem. Não fique bravo, eu explico.

São muitos os exemplos de conduta egoísta que minam a convivência e destroem qualquer possibilidade convívio pacífico e agradável, algumas delas são:

·      a inobservância de direitos adquiridos por algumas pessoas por outros que não se enquadram no benefício – o uso de assentos reservados a idosos, gestantes, deficientes visuais e obesos, por exemplo;

·      a falta de noção de coletividade – o cara acha que o busão é sua limusine com motorista e imediatamente após passar pela catraca (na parte frontal do ônibus, pra quem nunca entrou em um deles) empaca como se ali fosse a sala de sua casa, obstruindo passagem para o meio e fundo do carro, onde há espaço de sobra;

·      Na mais absoluta falta de talento para viajar diante das portas ou degraus das portas – sujeito fica diante da porta e não se move para facilitar a saída de quem vai descer. Quem viaja na porta tem de facilitar a vida de quem vai descer, pode ir pra fora, dar passagem e voltar antes da partida, o motorista não vai te abandonar;

·      A nojeira que fazemos nos banheiros! O banheiro de um terminal de transbordo não deixa dúvida de que nós usuários somos das cavernas. Simplesmente ignoramos os locais próprios pra urinar, às vezes até fazer cocô!

·      Somos dados ao vandalismo, as marcas dele estão pra todo lado, não vou perder tempo descrevendo, é nauseante;

O mais triste disto tudo é o exercício duro porém saudável da própria inclusão no contexto e no processo. Tenho para mim que enquanto a gente não se inclui de uma vez por todas no contexto que critica, não temos sequer direito de criticar. Ah, são “eles”? Então fique quieto e deixe que “eles” cresçam sozinhos.

Comigo não, violão. Eu sou cidadão, eleitor e trabalhador brasileiro. Se de um lado produzo riqueza, recolho impostos pra lá de injustos, também componho as estatísticas negativas, afinal, somos um povo, ou não somos?

Se você concorda que somos um povo, inclua-se por fineza, em tudo que há de bom e também no que há de mais reprovável e vil. Somos essa salada, somos uma coletividade sem apêndices ou guetos de seres perfeitos que estão aqui “sei lá por quê”. Somos exatamente isso que se apresenta nas ruas, muito prazer.

Ainda mostrando a contradição oriunda da falta de talento pra assumir mazelas próprias, lembro das pessoas que atribuem aos eleitores deste ou daquele candidato os problemas da gestão pública. Oras, me perdoem todos, não pretendo ofender ninguém, as agir assim é seguir o exemplo do avestruz...

Sei que muitos abandonaram a leitura no meio. Aos que chegaram aqui, vou parar para que se possa refletir sobre o que foi dito, apesar do mau jeito, com muito amor e esperança.

Vamos nos esforçar para encontrar uma solução pra nossos problemas a partir da própria inclusão nos referidos contextos. É muito fácil criticar algo que vai mal. Nunca traremos uma boa sugestão de melhoria se aquilo não nos disser respeito.

Cazuza bem disse:

“Por que que a gente é assim?”

João Henrique de Miranda Sá é articulista campo-grandense

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